Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Seu NegócioACS
29/09/2026
8 min

SkyFit bate de frente com Smart Fit (SMFT3) e aposta em estúdios para alcançar faturamento de R$ 1 bilhão

A rede de academias é a segunda maior do Brasil e, desde março, é liderada por ex-executivo da XP; veja os planos daqui para frente

SkyFit bate de frente com Smart Fit (SMFT3) e aposta em estúdios para alcançar faturamento de R$ 1 bilhão

Os estúdios de bem-estar, mais conhecidos como wellness, estão dominando o mercado esportivo. Donos de academias de musculação percebem uma demanda crescente de atividades mais nichadas e, segundo pesquisa do Wellhub, 80% dos empreendedores do setor acreditam que precisarão adicionar tipos de exercícios novos para crescer daqui para frente.

Uma das redes que está de olho nesse potencial é a SkyFit, a segunda maior do Brasil em número de unidades, atrás somente da Smart Fit (SMFT3).

A empresa tem 1 milhão de alunos, 370 unidades franqueadas, além de outras 120 em desenvolvimento e cerca de 160 locais aprovados à espera de franqueados. Agora, a rede de musculação low cost quer apostar no segmento de estúdios.

Caio Peres, CEO da SkyFit e ex-executivo da XP Investimentos, defende que a empresa está construindo o maior grupo fitness do Brasil. Além disso, diz que a companhia deixou de ser uma rede de academias e passou a ser uma infraestrutura de saúde e bem-estar em escala nacional.

Em entrevista ao Seu Dinheiro, detalhou como a companhia pretende chegar a R$ 1 bilhão de faturamento. Para dar um spoiler, a SkyFit está com o Hyrox no radar, esporte que está no “hype”. Para isso, se juntou com uma outra marca de peso no mercado fitness.

De onde veio a SkyFit?

A SkyFit foi fundada por Bruno Berardo e Everton Carvalho em Americana, no interior de São Paulo, em 2020.

Inicialmente, a operação da empresa tinha apenas cinco academias próprias, mas foi o modelo de franquias que possibilitou o crescimento acelerado da rede.

Atualmente, o ritmo de inauguração de franquias é de 10 a 15 unidades mensais, e a empresa está presente em 22 estados brasileiros.

Foi de olho nesse potencial que Peres, ex-sócio da XP, comprou a SkyFit dos fundadores com um grupo de investidores e assumiu a operação como CEO em março deste ano.

Embora o valor de compra não tenha sido divulgado publicamente, um relatório produzido pelo banco BTG Pactual cita a cifra de R$ 400 milhões.

“Passei 17 anos na XP e, na maior parte tempo, foquei na expansão e gestão da rede. Os escritórios de agentes autônomos parecem muito com o mercado de franquias. Quando saí de lá, procurei outros mercados que eu poderia replicar esse modelo que já conhecia”, afirma.

“Nosso objetivo era entrar na SkyFit e usar tudo que a gente sabia de tecnologia, finanças e gestão para tornar esse negócio ainda melhor."

Agora, as cadeiras de diretor financeiro, comercial, tecnologia, operações e engenharia também são ocupadas por ex-funcionários da instituição financeira.

O foco da empresa, segundo Peres, não é abrir academias próprias. É se fortalecer como franqueadora.

“Usamos os recursos para tornar o franqueamento mais forte. Enxergamos como cliente final o nosso franqueado”, defende.

O executivo percebe isso como uma vantagem em relação a outros gigantes do mercado de academias, já que ele não precisa utilizar os próprios recursos para construir lojas.

academia skyfit
Academia SkyFit. Imagem: SkyFit/Divulgação

Os modelos de negócio da SkyFit

O negócio principal da SkyFit é a academia de musculação low cost, que também possui aulas coletivas como danças, por exemplo.

Uma das estratégias da rede, segundo Peres, é oferecer exercícios mais voltados para o público da terceira idade em horários normalmente mais vazios das unidades, como após o almoço.

No modelo tradicional, o tíquete médio da SkyFit é R$ 149 por mês, o que ainda a coloca entre as redes baratas. Porém, a própria empresa defende que não quer necessariamente ser a opção mais em conta entre as academias.

Não é à toa que a companhia também investe em outros formatos com maior foco em um público com renda mais elevada.

Este é o caso da SkyFit CT, que, segundo Peres, tem preço médio mensal de R$ 200 e possui 12 unidades já em funcionamento, e SkyFit Concept, com valor de R$ 400, com cinco franquias que serão inauguradas até fevereiro.

“O que muda é a quantidade e nível de qualidade do equipamento, e o valor de investimento nas unidades. Mas o carro-chefe continua sendo a SkyFit tradicional”, diz o executivo.

Em relação aos custos para abrir cada unidade:

  • SkyFit padrão: investimento de R$ 900 mil a R$ 1,3 milhão e faturamento estimado em R$ 2 milhões a R$ 3 milhões por ano;
  • SkyFit CT: investimento de R$ 1,8 milhão a R$ 2,2 milhões e faturamento estimado em R$ 2,7 milhões a R$ 5 milhões por ano;
  • SkyFit Concept: investimento de R$ 2 milhões a R$ 2,7 milhões e faturamento estimado em R$ 3,5 milhões a R$ 5 milhões por ano.

O CEO da rede explica que a entrada em segmentos mais “premium” é motivada pelo tamanho do mercado esportivo no Brasil.

Embora seja o segundo país com o maior número de academias do mundo – atrás somente dos Estados Unidos – a penetração da vida fitness entre os brasileiros ainda é bastante pequena.

Dados do setor mostram que apenas 7% da população adulta frequenta academias no Brasil, contra mais de 20% nos EUA.

“Ainda tem muita frente para ser explorada”, defende Peres.

A nova aposta da rede

A iniciativa mais recente da SkyFit para explorar novas frentes no mercado fitness é o Hyrox.

A modalidade conhecida como fitness racing une a corrida e exercícios que se assemelham ao crossfit.

Ele combina oito quilômetros de corrida com oito estações de atividades funcionais, como arremesso de bola na parede, afundos e burpees, por exemplo.

O esporte, que nasceu na Alemanha em 2017, chegou ao Brasil conquistando milhares de adeptos que não querem realizar somente a musculação tradicional. Para o CEO da rede SkyFit, esta é uma modalidade que deve, “sem dúvidas, explodir no país”.

De olho no potencial da modalidade, a empresa comprou os direitos de franquia de outra companhia do mercado esportivo: a NXT House, que foi a primeira a trazer o exercício para o Brasil, em 2024.

A ideia é expandir o Hyrox dentro da estrutura da SkyFit, como o início de uma estratégia de estúdios na rede.

O empreendedor também vê vantagens no retorno financeiro. Por ser um exercício majoritariamente funcional, o investimento não é muito alto, embora o executivo ainda não divulgue valores.

Além disso, o tíquete médio é maior que o da musculação, de cerca de R$ 500 por aluno.  

Peres afirma que o Hyrox é o primeiro passo para diversificar o portfólio de estúdios da rede, mas a companhia já estuda outras modalidades para expandir essa frente do negócio.

Cabe ressaltar que, entre as grandes redes, quem domina o segmento de estúdios é a Smart Fit. A empresa tem academias nichadas de pilates, yoga, treino funcional, corrida e boxe, por exemplo, centralizadas na marca BEON Studios.

Outro grupo grande que tem investido em outros formatos é a Academia Gaviões, que neste ano lançou a Fast Treino para exercícios de até 36 minutos.

No caso da SkyFit, a expectativa é de que três unidades franqueadas de Hyrox inaugurem até o fim de 2026. Para os próximos três anos, a projeção é alcançar 100 franquias da modalidade.

Foco em tecnologia

A SkyFit também destaca que oferece ferramentas para melhorar a operação do franqueado.

Uma delas está em fase de testes: a tecnologia consiste em um microfone que fica na recepção e transcreve o diálogo entre clientes e recepcionistas. Segundo Peres, isso permite que a empresa mapeie se a equipe está oferecendo planos para potenciais alunos e como está a abordagem comercial das unidades.

De acordo com o executivo, essa iniciativa faz com que os treinamentos com os funcionários sejam mais eficientes e a performance das unidades melhore.

A franqueadora também auxilia no planejamento financeiro, contabilidade, estruturação de dívida e negociações com fornecedores para reduzir custos operacionais.

Outro ponto defendido pelo CEO é o uso de aplicativos agregadores, como TotalPass e Wellhub. As unidades da rede estão disponíveis em ambas plataformas e Peres acredita que são um bom canal mais barato para a aquisição de clientes.

E daqui para frente?

Embora afirme ainda não ter planos de longo prazo “escritos em pedra”, Peres diz que a empresa deve chegar a mil unidades até 2030. Em 2026, a estimativa de faturamento é R$ 800 milhões e, até o fim de 2027, R$ 1 bilhão.

“Preferimos navegar conforme à agitação do mar do que travar uma convicção e ficar preso. O Brasil está passando por um momento difícil com pré-eleição, aumento de carga tributária, split payment... uma série de coisas que podem afetar o setor.”

A rede prefere manter uma visão conservadora neste cenário. Porém, ainda assim, o executivo acredita que a SkyFit deve continuar crescendo.

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por