SLC Agrícola (SLCE3): BTG vê ação mais atrativa nos próximos 12 meses após reduzir aquisição de terras

A relação risco-retorno da SLC Agrícola (SLCE3) deve se tornar gradualmente mais atrativa ao longo dos próximos 12 meses, na avaliação do BTG Pactual.
Para o banco, a reestruturação da aquisição do Bloco Mato Grosso reduz as preocupações com alocação de capital e melhora a perspectiva de geração de valor para os acionistas. A recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo de R$ 20 para a ação.
Na quarta-feira (9), a SLC anunciou um acordo com o Grupo Radar e os demais envolvidos na venda do portfólio, pelo qual ficará com 8,9 mil hectares agricultáveis por R$ 669 milhões, incluindo R$ 29,7 milhões em infraestrutura, como silos e uma unidade de beneficiamento de algodão. A companhia continuará arrendando os 8,7 mil hectares restantes.
Na visão do BTG, a mudança reduz significativamente as preocupações com alocação de capital que surgiram após o anúncio original, quando a companhia pretendia adquirir toda a área de 41,2 mil hectares.
Segundo os analistas Thiago Duarte, Bruno Henriques e Guilherme Guttilla, considerando os atuais preços da soja, o custo do arrendamento e o custo da dívida, a compra integral reduziria a geração anual de caixa da SLC em cerca de R$ 200 milhões. Com a nova configuração, o impacto estimado cai para aproximadamente R$ 70 milhões por ano.
Na prática, isso representa uma melhora de cerca de R$ 120 milhões anuais em relação ao plano inicial. Pelos cálculos do banco, esse benefício equivale a um valor presente líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão — quase 20% do valor de mercado atual da companhia.
A performance de SLCE3
O BTG lembra que as ações da SLC acumulam queda próxima de 35% desde o pico dos últimos anos, pressionadas por uma combinação de preços mais baixos das commodities agrícolas, juros elevados, preocupações com a estratégia de expansão, além dos riscos climáticos para a safra 2026/27 e do aumento dos custos de produção, especialmente fertilizantes.
Apesar desse cenário, o banco não vê motivos para rebaixar a recomendação. Para os analistas, boa parte desses riscos já está refletida na cotação da ação, enquanto a companhia dificilmente repetirá operações que levantem novas dúvidas sobre disciplina na alocação de capital.
Além disso, o BTG avalia que o mercado de commodities agrícolas pode começar a precificar um cenário de oferta e demanda global mais apertado, o que beneficiaria empresas como a SLC.
Embora a ação ainda negocie a cerca de 20 vezes o lucro estimado para 2027 — um múltiplo que, isoladamente, não justificaria uma reprecificação imediata —, o banco acredita que uma combinação de queda dos juros, alívio nos custos de produção, produtividade acima do esperado ou recuperação dos preços agrícolas pode destravar valor para os acionistas.
