SLC Agrícola (SLCE3): Citi reduz preço-alvo pela segunda vez em menos de dois meses; entenda

O Citi voltou a revisar para baixo o preço-alvo das ações da SLC Agrícola (SLCE3), menos de dois meses após o último corte. Desta vez, o banco reduziu sua estimativa de R$ 15 para R$ 14,50 por ação, mantendo a recomendação neutra, enquanto reforça que o principal fator de atenção para a tese continua sendo o possível impacto do El Niño sobre a safra 2026/27.
A nova revisão acompanha a divulgação da prévia para o segundo trimestre de 2026. Embora o Citi espere um conjunto de resultados mais forte na comparação anual, os analistas avaliam que a melhora operacional não é suficiente para eliminar as preocupações com o cenário climático e os custos de produção.
Para o banco, a SLC deve reportar receita líquida de cerca de R$ 2,2 bilhões, Ebitda ajustado de R$ 675 milhões e lucro líquido de R$ 248 milhões no segundo trimestre. O desempenho deve ser impulsionado principalmente pelo aumento dos volumes vendidos de soja, milho e algodão, além de um mix mais favorável de vendas de algodão e melhores margens na soja. A companhia divulga seus números em 12 de agosto.
“As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) devem crescer”, apontam os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama.
Segundo o relatório, parte da soja comercializada no período deve ter vindo de fazendas menos afetadas pelas chuvas no início da colheita, favorecendo a rentabilidade do trimestre.
El Niño continua sendo o principal risco
Apesar da expectativa de números mais robustos, o Citi reforça que os investidores devem permanecer atentos aos efeitos do El Niño.
Na avaliação do banco, o fenômeno climático segue sendo a principal ameaça para a produtividade agrícola da companhia nos próximos ciclos. Historicamente, episódios de El Niño costumam afetar importantes regiões produtoras do Brasil, elevando o risco de perdas de produtividade e pressionando as margens.
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Essa preocupação já havia levado o Citi, em junho, a reduzir suas estimativas para a SLC Agrícola. Na ocasião, o banco também destacou o aumento esperado dos custos com fertilizantes, outro fator que continua pressionando a rentabilidade projetada para os próximos anos.
Alavancagem deve subir no trimestre
Outro ponto destacado na prévia é o aumento esperado da alavancagem financeira no segundo trimestre.
Segundo os analistas, o movimento deve refletir a sazonalidade do consumo das linhas de capital de giro durante o primeiro semestre, além do desembolso relacionado à aquisição da Sierentz.
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Mesmo com a expectativa de um trimestre operacionalmente mais forte, o Citi entende que o cenário de riscos permanece praticamente inalterado.
O banco optou por reduzir novamente o preço-alvo da ação, reforçando uma postura cautelosa até que haja maior visibilidade sobre os impactos climáticos na próxima safra.
