SLC Agrícola (SLCE3): Guidance do algodão melhora, enquanto alavancagem ofusca resultado do 2T26; o que dizem os analistas?
A SLC Agrícola (SLCE3) apresentou resultados operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), mas a maior alavancagem ofuscou parte do desempenho e deve continuar no radar dos investidores no curto prazo. Ao mesmo tempo, a melhora nas projeções para o algodão trouxe um contraponto positivo para a tese. BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú […]

A SLC Agrícola (SLCE3) apresentou resultados operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), mas a maior alavancagem ofuscou parte do desempenho e deve continuar no radar dos investidores no curto prazo. Ao mesmo tempo, a melhora nas projeções para o algodão trouxe um contraponto positivo para a tese.
BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA destacaram o aumento dos volumes comercializados e as perspectivas mais favoráveis para o algodão. Por outro lado, as casas chamaram atenção para a geração de caixa, a alavancagem e os riscos de produtividade associados ao El Niño.
A SLC registrou receita líquida de R$ 2,18 bilhões no 2T26, alta de 22% na comparação anual. O Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) ajustado ficou em cerca de R$ 580 milhões, avanço de 4% em um ano, mas abaixo das estimativas de XP e Itaú BBA.
O BTG manteve recomendação de compra para SLC Agrícola, com preço-alvo de R$ 20. O Itaú BBA também reiterou compra, com preço-alvo de R$ 19. Já a XP manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 17.
Algodão melhora guidance
O principal destaque positivo do balanço foi a revisão das expectativas para o algodão.
A SLC elevou em 7% a estimativa de produtividade da primeira safra e em 4% a da segunda safra, levando a uma alta de 5,5% na produção esperada da fibra. Segundo o BTG, as duas culturas agora devem apresentar produtividades recordes.
O movimento mais do que compensou a piora nas projeções para o milho de segunda safra. A companhia reduziu em 11% a expectativa de produtividade da cultura, em razão do plantio de parte da área fora da janela ideal e da ausência das chuvas esperadas.
Para o Itaú BBA, o algodão mais forte deve compensar com folga o milho mais fraco. O banco estima que o guidance atualizado implique uma alta de aproximadamente 3% em sua projeção de Ebitda ajustado para 2026.
SLCE3: alavancagem preocupa
Apesar da melhora operacional, a geração de caixa foi o principal ponto de atenção dos analistas.
A XP calculou uma queima de caixa de R$ 529 milhões no trimestre, ante uma geração de R$ 474 milhões esperada pela casa. O BTG, por sua vez, calculou consumo total de caixa de R$ 805 milhões, incluindo capital de giro, pagamentos de arrendamento, capex (gastos com capital) de expansão e a segunda parcela da aquisição da Sierentz.
Com isso, a relação entre dívida líquida e Ebitda, incluindo arrendamentos, terminou o trimestre em cerca de 4,2 vezes, segundo XP e Itaú BBA. O BTG calcula 4,3 vezes.
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Para a XP, a alavancagem em um patamar considerado desconfortável pode ofuscar os fundamentos mais construtivos da companhia e ser um dos principais direcionadores da reação das ações no curto prazo.
O BTG, porém, vê parte desse aumento como sazonal e espera uma liberação de capital de giro no segundo semestre. A casa projeta que a alavancagem recue para 3,6 vezes ao fim de 2026.
El Niño entra no radar
Outro ponto de preocupação para os analistas é a próxima safra, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño.
A XP avalia que uma perspectiva mais construtiva para os preços das commodities pode ser ofuscada pela maior alavancagem e por potenciais perdas de produtividade provocadas pelo fenômeno climático.
O Itaú BBA também afirma que o sentimento dos investidores deve continuar condicionado ao desenvolvimento da próxima safra e aos possíveis impactos do El Niño sobre as produtividades.
Por outro lado, a SLC avançou na proteção dos custos da safra 2026/27. Cerca de 70% das necessidades de nitrogênio já foram contratadas, segundo o Itaú BBA, em um momento de queda dos preços da ureia. A companhia também ampliou os hedges de commodities, especialmente de algodão.
Desconto de 50%
Apesar das preocupações de curto prazo, o Itaú BBA mantém uma visão positiva sobre a SLC no longo prazo e destaca o desconto das ações em relação ao valor dos ativos da companhia.
O banco calcula um valor patrimonial líquido (NAV) de R$ 27,12 por ação, enquanto o papel negocia com desconto de aproximadamente 50% em relação a esse valor.
Para o Itaú BBA, a SLC continua sendo uma operação de alta qualidade, com modelo de produção de baixo custo, plataforma operacional eficiente e exposição estrutural ao crescimento do agronegócio brasileiro.
O BTG também mantém uma visão construtiva para o longo prazo, mas ressalta que a ação oferece pouco suporte de geração de caixa enquanto os preços das commodities não apresentarem uma recuperação mais significativa.
