SLC Agrícola (SLCE3): Guidance sinaliza melhora em 2027, mas El Niño exige cautela; hora de comprar?
As projeções da SLC Agrícola (SLCE3) para a safra 2026/27 abriram espaço para estimativas maiores de resultado operacional nos modelos de Itaú BBA, Safra e BTG Pactual. A combinação de área plantada, custos e produtividade pode favorecer o desempenho da companhia, mas os três bancos apontam um risco em comum: os possíveis efeitos do El […]

As projeções da SLC Agrícola (SLCE3) para a safra 2026/27 abriram espaço para estimativas maiores de resultado operacional nos modelos de Itaú BBA, Safra e BTG Pactual. A combinação de área plantada, custos e produtividade pode favorecer o desempenho da companhia, mas os três bancos apontam um risco em comum: os possíveis efeitos do El Niño sobre as lavouras.
A companhia prevê plantar aproximadamente 854 mil hectares, com crescimento de 2,2% em relação ao orçamento da safra anterior. Já o custo de produção por hectare deve subir 2,2%, percentual recebido de maneiras diferentes pelas instituições, conforme as premissas de cada uma.
Enquanto Itaú BBA e BTG avaliaram os custos como uma surpresa positiva, o Safra esperava estabilidade na comparação anual. As divergências ajudam a explicar por que os dois primeiros mantêm recomendação de compra, enquanto o Safra tem posição neutra para a ação.
| Banco | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|
| Itaú BBA | Compra | R$ 19 |
| Safra | Neutro | R$ 21 |
| BTG Pactual | Compra | R$ 23 |
No Itaú BBA, a incorporação das novas premissas de custos, área, produtividade e proteção de preços e câmbio levaria a estimativa de Ebitda ajustado de 2027 de R$ 2,9 bilhões para cerca de R$ 3,1 bilhões.
O banco vê volumes de produção acima de suas expectativas nas três principais culturas. O destaque é o algodão, com produção projetada aproximadamente 3% superior à estimativa da casa. Para soja e milho, as diferenças positivas são de 1,5% e 2%, respectivamente.
Além dos custos mais controlados, o BBA destaca o avanço das operações de hedge e os preços mais altos garantidos para soja e algodão na comparação anual, que compensam parcialmente um câmbio menos favorável.
Apesar disso, a instituição considera que parte relevante da melhora já foi refletida no desempenho recente das ações. Na avaliação dos analistas, os investidores devem permanecer cautelosos até que haja maior clareza sobre o impacto do clima na próxima safra.
O BTG Pactual também recebeu bem as projeções. Segundo o banco, incorporar as novas premissas elevaria sua estimativa de Ebitda para 2027 em aproximadamente 5%, com área maior, custos menores, produtividade mais forte do milho e melhores proteções comerciais compensando rendimentos mais fracos do algodão.
A área prevista pela SLC ficou 2,6% acima da estimativa do BTG. Já o custo projetado para o algodão, de aproximadamente R$ 13,6 mil por hectare, veio 3,4% abaixo do esperado.
O banco também vê uma adaptação ao risco climático na distribuição das culturas. A redução do algodão de primeira safra, que tem custo por hectare mais elevado que o da soja, e a expansão da segunda safra apoiada pela irrigação podem limitar potenciais perdas sem reduzir significativamente a área total dedicada à fibra.
Ainda assim, o BTG pondera que o guidance oferece pouca margem para uma deterioração climática mais intensa. As premissas de produtividade seguem as tendências de cada cultura, sem incorporar um cenário específico de clima adverso.
No Safra, a leitura é neutra. A adoção dos números apresentados pela companhia elevaria em 4,3% a estimativa de Ebitda ajustado de 2027, excluindo os efeitos do IFRS 16, mas boa parte desse avanço dependeria da produtividade do milho.
A projeção da SLC para o rendimento do cereal ficou 23% acima da estimativa do banco, o que concentra a atenção dos analistas em um cenário de risco climático.
O Safra alerta que mudanças no regime de chuvas no Matopiba, região formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, poderiam atrasar o plantio da soja. Isso empurraria o milho e o algodão de segunda safra para fora da janela ideal de plantio, pressionando a produtividade.
Para o BBA, a maior maturidade das terras e os investimentos em irrigação podem amenizar impactos adversos. O banco também ressalta que as quedas de produtividade previstas em parte das culturas representam uma normalização após os bons resultados anteriores, e não uma deterioração operacional.
Já o BTG sustenta sua recomendação de compra na perspectiva de recuperação das margens e dos preços das commodities. A avaliação favorável, porém, depende de quanto o clima permitirá à SLC transformar as projeções em resultados.
