Smart Fit lucra R$ 204 milhões e já mira 60% do resultado vindo do exterior
Com 2.170 unidades em 16 países, companhia usa M&A, real estate e TotalPass para ampliar ecossistema de fitness na América Latina

A Smart Fit deixou de ser apenas uma rede brasileira de academias. Hoje, mais da metade das lojas e dos resultados da companhia já vem de fora do país — e a tendência, segundo o CEO Diogo Corona, é que essa participação continue crescendo até superar 60% do resultado.
O movimento mostra a transformação da companhia desde o IPO, realizado há cinco anos. O que começou como uma rede de academias de baixo custo ganhou novas camadas de negócio, com expansão internacional, aquisições, plataforma corporativa de benefícios e novas marcas voltadas ao bem-estar.
No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,2 bilhões, alta de 22% na comparação anual. O Ebitda atingiu o recorde de R$ 712 milhões, crescimento de 24%, com margem de 32,7%.
O lucro líquido recorrente somou R$ 204 milhões no período, o que representa uma alta de 8% em relação ao segundo trimestre de 2025, abaixo da alta de 12% que o mercado esperava. Corona explica que o desempenho foi impactado por itens de natureza única, especificamente o pagamento de debêntures, que gerou um efeito imediato no resultado contábil. Já o lucro bruto caixa atingiu R$ 1,1 bilhão, um avanço de 24% na comparação anual.
No período, foram inauguradas 57 academias no trimestre, levando o grupo a 2.170 unidades em 16 países.
“Hoje mais de 50% das nossas lojas estão fora do Brasil. É muito representativo”, afirma Corona. Segundo o executivo, isso tende a aumentar. “A empresa tende a ir para um caminho de mais de 60% do resultado estar fora do Brasil, com certeza”, diz.
A academia virou uma plataforma de negócios
A estratégia da Smart Fit deixou de depender apenas da abertura de novas unidades. A companhia passou a construir um ecossistema que reúne academias, studios, benefícios corporativos e produtos digitais.
Desde 2021, o grupo ampliou sua atuação com marcas como Bio Ritmo, Nation CT, Beon, além do agregador de benefícios TotalPass e do produto digital Queima Diária. A base de clientes também aumentou. Segundo a empresa, passou de 3 milhões em 2019 para 8 milhões atualmente.
Um dos pontos destacados pela gestão é que o crescimento financeiro vem superando a expansão física. Enquanto a base de academias cresceu 19%, a receita líquida avançou 22% e o Ebitda subiu 24%.
Além disso, cerca de 34% das lojas ainda estão em fase de maturação, o que representa potencial adicional de crescimento conforme essas unidades ganham escala.
Real estate vira peça estratégica para expansão
Embora seja conhecida como uma empresa de fitness, a Smart Fit considera a escolha dos imóveis uma das decisões mais importantes do negócio. Para Corona, a localização é um ativo difícil de corrigir depois que uma unidade é aberta.
“O varejo é muito location. Então, a gente tem um grande foco aqui em acertar cada decisão. Cada decisão é uma decisão de US$ 1 milhão que a gente faz”, afirma.
A estratégia imobiliária ajuda a explicar a aquisição da Evolve, rede de academias com forte presença em Brasília e no Centro-Oeste. A Smart Fit concluiu a compra de 60% do capital da Evolve, por meio da subscrição de novas ações ordinárias. A operação envolve um aporte inicial de R$ 39,7 milhões e pode chegar a R$ 99,7 milhões caso metas estabelecidas sejam atingidas.
A Evolve opera 30 academias próprias, sendo seis inauguradas nos últimos 12 meses, além de novas unidades em construção. Segundo Corona, o principal atrativo da operação foi menos a marca e mais o portfólio imobiliário construído pela rede.
Para o executivo, imóveis bem localizados criam uma vantagem competitiva difícil de replicar. “Lojas boas, real estate bom, produto bom, elas são mais defensáveis ao mercado competitivo”, afirma.
TotalPass cresce e vira uma nova frente de disputa
Outra aposta da Smart Fit está no TotalPass, plataforma que conecta empresas, colaboradores e academias. O negócio alcançou mais de 2 milhões de usuários e chegou a 35% de participação de mercado no Brasil, segundo Corona. Há um ano, a fatia era de 27%.
O crescimento de oito pontos percentuais em 12 meses é visto pela companhia como um dos principais destaques estratégicos do trimestre.
“Market share é um negócio muito importante, porque não basta você crescer, você tem que tirar do outro. A gente cresceu oito pontos percentuais de market share em 12 meses. É um número super forte”, afirma.
Segundo o CEO, o TotalPass é um movimento pouco óbvio para uma rede de academias, mas pode se tornar uma das principais plataformas do segmento. “A gente está muito forte no jogo, e está nele para ganhar. A gente tem tudo para ser o dominante nesse mercado no Brasil”, diz.
A companhia também avalia levar a plataforma para outros países além de Brasil e México.
