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InvestMercadosACS
03/09/2026
5 min

Smart Fit não é mais só academia, e o investidor ainda não entendeu isso, diz CEO

Diogo Corona acredita que o desconto na ação vem da falta de compreensão

Smart Fit não é mais só academia, e o investidor ainda não entendeu isso, diz CEO

Na última segunda-feira, a Smart Fit comemorou, com toque de campainha, os cinco anos de listagem na bolsa brasileira. A companhia foi uma das mais de 40 empresas que estrearam na B3 em 2021, mas uma das poucas com motivos para comemorar aniversário de IPO. O negócio expandiu e ganhou novas nuances, a ponto de escapar da compreensão de quem investe nele. "O mercado estava acostumado a ver um negócio de academia, mas ele se transformou em outro", diz Diogo Corona, CEO da Smart Fit à EXAME.

O executivo, que assumiu o cargo em março deste ano, vê nessa desconexão de percepções um dos motivos para a ação estar sendo "castigada". Hoje o papel SMFT3 opera em torno de 20% abaixo do seu valor de estreia na bolsa. A queda não é desprezível, mas a maioria das empresas que chegaram à B3 no mesmo ano acumulam desempenho muito pior. No segundo trimestre de 2026, a companhia entregou alguns números inéditos.

A receita líquida somou R$ 2,18 bilhões, alta de 22%. O Ebitda cresceu 24% e atingiu R$ 712 milhões, o primeiro acima de R$ 700 milhões na história da empresa, com margem de 32,7%. Mas o lucro líquido recuou 4% no ano, para R$ 178,3 milhões.

A companhia enfrenta pressões na margem da operação brasileira de academias. A margem bruta caixa da Smart Fit Brasil, antes dos custos pré-operacionais, caiu 3,5 pontos, para 45,4%, efeito da aceleração de aberturas: foram 131 academias próprias adicionadas em doze meses, contra 81 no período anterior. São unidades ainda no início da maturação e com receita por loja mais baixa.

"O investidor ainda não entende como funciona a nossa nova dinâmica, que estamos nos tornando um ecossistema. E se ele não entende, ele acha melhor vender", diz Corona.

A Smart Fit não tem um competidor listado em bolsa e isso também é um desafio para quem analisa a companhia. A mudança na dinâmica dos negócios também a distanciou de benchmarks no exterior, como a europeia Basic-Fit, que trabalha com o modelo high value, low price de academias com boa infraestrutura e mensalidades acessíveis.

O espelho foi ficando embaçado, admite Corona. "No começo ninguém nos via como ecossistema, éramos 100% academia. Hoje as visões estão bem misturadas."

O executivo também faz um mea culpa ao reconhecer que a própria Smart Fit não abre os números além da operação de academias. "No balanço, aparece como outras receitas. Só que essa linha está ficando grande demais", diz. Sem detalhamento dessa linha do balanço, o investidor não consegue fazer uma análise precisa do negócio.

As outras receitas da Smart Fit compreendem a plataforma TotalPass e a BeON, de estúdios boutique. Essa linha do balanço cresceu 47% ano a ano e passou, oficialmente, a um percentual de dois dígitos (11%) do faturamento total da companhia. A margem bruta caixa passou para 84,7%, de 69,6% um ano antes.

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O TotalPass encerrou o segundo trimestre com 2,2 milhões de clientes no Brasil e no México, alta de 70% em um ano. "É quase o número de alunos da Smart no Brasil", diz Corona. A fatia de usuários ativos mensais no aplicativo brasileiro alcançou 35% segundo dados da Sensor Tower citados pela companhia, um ganho de 8 pontos percentuais em doze meses. A rede de academias parceiras da plataforma somava cerca de 37 mil unidades no país.

O CEO reconhece que por ser um negócio asset light, o Total Pass tem melhores indicadores financeiros. Mas, por hora, não há qualquer indicação de uma cisão do negócio. Prevalece a estratégia verticalizada que tem "se mostrado vencedora", diz Corona.

Ao mesmo tempo, o executivo relata um pano de fundo mais conturbado para o negócio "puro sangue" de academia. "Tem algumas redes grandes que tiveram que dar parte da sua empresa para fornecedor de equipamento", disse, ao apontar que a inadimplência com fornecedores que financiam máquinas e o atraso no pagamento de royalties de franquias estão em níveis inéditos. O segmento, explica o executivo, já está saturado em algumas regiões do país. "O mercado já está sofrendo no Brasil. Não está mais naquele boom."

Por esse motivo a régua da empresa ficou mais em alta em termos de aquisições. "A gente continua fazendo academia, mas com bastante mais diligência. Menos euforia, mais diligência", disse. Fora do país, onde o mercado ainda não deu sinais de saturação, o jogo de abertura de unidades segue normal. Dois terços da expansão do grupo já vêm de fora do Brasil, movimento que a companhia vem reforçando na América Latina e testando na África.

No fim de julho, a rede somava 98 aberturas no ano, além de 134 obras em andamento, dentro do guidance de 330 a 350 unidades para 2026.

A empresa também voltou a abrir novas unidades da Bio Ritmo depois de um longo período focado em Smart Fit.

A companhia terminou o segundo trimestre de 2026 com 2.170 unidades em 16 países (contando com 2.126 Smart Fit e 44 Bio Ritmo), com crescimento anual de 19%. O guidance de expansão é de 330 a 350 unidades novas este ano.

"O importante é saber expandir, saber onde investir, não investir onde tem oversupply e investir onde ainda dá retorno", conclui Corona.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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