Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
09/10/2026
6 min

Smart Fit ou Magalu? 7 ações do varejo podem ganhar com uma virada dos juros, diz BTG

Banco vê RD Saúde, Smart Fit e Panvel como apostas mais resilientes e aponta Assaí, Magalu, C&A e Renner como maiores beneficiárias de uma virada do ciclo doméstico

Smart Fit ou Magalu? 7 ações do varejo podem ganhar com uma virada dos juros, diz BTG

O varejo brasileiro ainda está longe de uma recuperação ampla, mas algumas ações podem se antecipar a uma eventual melhora dos juros e do crédito. Em uma prévia dos resultados do terceiro trimestre, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) dividiu suas principais apostas no setor em dois grupos: empresas que conseguem crescer mesmo com o cenário macroeconômico pressionado e aquelas que podem ter uma valorização mais forte caso o ambiente doméstico melhore.

Entre as primeiras, o banco destaca RD Saúde, Smart Fit e Panvel. No segundo grupo estão Assaí, Magazine Luiza, C&A e Renner, empresas que apresentam valuations mais deprimidos e, por isso, poderiam ter maior potencial de alta se houver uma queda dos juros, melhora do crédito e recuperação da confiança do consumidor.

A lógica é diferente para cada grupo. As empresas mais resilientes oferecem proteção caso o cenário de consumo continue fraco. Já as ações mais descontadas podem entregar um retorno maior caso ocorra uma virada do ciclo.

“Com várias empresas discricionárias negociando a valuations deprimidos, mudanças relativamente modestas no custo de capital e nas expectativas de lucro podem gerar uma alta significativa”, afirma o BTG no relatório.

Smart Fit e farmácias são as apostas mais defensivas

A Smart Fit aparece como o principal exemplo de crescimento estrutural no varejo. O banco espera que a companhia registre crescimento de 25% na receita no terceiro trimestre, enquanto o EBITDA deve avançar 27% na comparação anual. A expansão da rede, o aumento do tíquete médio e o crescimento do TotalPass sustentam a expectativa.

Para o BTG, o TotalPass também é estratégico porque amplia o mercado endereçável da companhia e contribui para aquisição, retenção e monetização dos clientes.

No segmento de farmácias, a RD Saúde, grupo das farmácias Raia e Drogasil, continua apresentando crescimento forte, embora em ritmo mais moderado que nos trimestres anteriores. O banco projeta alta de 16% nas vendas e de 10% nas mesmas lojas.

A Panvel também aparece entre as empresas mais resilientes, com expectativa de crescimento de 14% nas vendas mesmas lojas.

O desafio para o setor farmacêutico é que a comparação começa a ficar mais difícil. O BTG chama atenção para oaumento da penetração de medicamentos GLP-1, a concorrência no comércio eletrônico e bases de comparação mais fortes.

Ou seja, o banco continua vendo fundamentos sólidos, mas começa a observar menos o tamanho do crescimento e mais a velocidade de normalização.

Se os juros virarem, o potencial está em outro grupo

A segunda cesta reúne empresas mais dependentes da melhora do ambiente doméstico. O raciocínio é que uma queda dos juros tende a reduzir o custo de capital, facilitar o crédito e melhorar as condições para o consumo discricionário. Empresas que hoje negociam com desconto podem então passar por uma reprecificação.

O BTG cita Assaí, Magazine Luiza, C&A e Renner como os principais nomes para acompanhar nesse cenário.

A tese, porém, não depende apenas de uma queda da Selic. Para que a valorização seja sustentada, seria necessário que os juros menores chegassem à economia na forma de melhores condições de crédito e recuperação da confiança do consumidor.

É justamente essa a diferença em relação às apostas mais defensivas. Smart Fit, Raia Drogasil e Panvel têm uma tese de crescimento que independe mais do ciclo econômico. Assaí, Magalu, C&A e Renner oferecem maior exposição a uma eventual virada.

Magalu pode ganhar espaço com a crise da Casas Bahia

Dentro dessa segunda cesta, a Magazine Luiza tem ainda um catalisador específico. O BTG avalia que os problemas financeiros recentes da Casas Bahia podem favorecer as vendas da companhia ao reduzir a pressão competitiva no varejo.

A expectativa do banco é de que o GMV (Gross Merchandise Volume, ou Volume Bruto de Mercadoria) online do Magalu recue 9% no terceiro trimestre, mas em ritmo bem menor do que nos períodos anteriores. O GMV consolidado deve cair 3%, enquanto as vendas mesmas lojas devem crescer 10%.

A divisão de marketplace também ainda apresenta retração: o GMV de produtos vendidos por terceiros deve recuar 13%, enquanto o de produtos próprios deve cair 7%.

Mesmo assim, a combinação entre uma concorrência potencialmente menor e uma eventual melhora do crédito pode mudar a dinâmica da empresa.

Assaí, C&A e Renner dependem mais do consumidor

Para Assaí, o cenário ainda é mais difícil. O BTG espera crescimento de apenas 0,5% nas vendas mesmas lojas, com receita líquida avançando 1,5% e margem EBITDA recuando 10 pontos-base.
O desempenho reflete um consumidor ainda pressionado, especialmente nas faixas de menor renda.

Nas empresas de moda, a situação também não é confortável. Para a Renner, o banco projeta crescimento de apenas 1% na receita do varejo, com vendas mesmas lojas praticamente estáveis. A margem EBITDA deve chegar a 10%, queda de cerca de 80 pontos-base.

Na C&A, a receita de vestuário deve crescer 3,5%, enquanto as vendas mesmas lojas avançam apenas 1%. A margem EBITDA deve recuar cerca de 170 pontos-base.

A Vivara, embora não esteja entre as principais apostas de uma eventual recuperação do consumo, também aparece com crescimento mais contido: receita de 4% e vendas mesmas lojas de 4%.

O que precisa acontecer para essas ações dispararem

O ponto central da tese do BTG é que ações baratas não necessariamente significam ações prontas para subir.

O setor de varejo continua enfrentando juros altos, endividamento das famílias, poder de compra pressionado e pouco crescimento operacional. No terceiro trimestre, o banco espera que a receita do setor, excluindo o Mercado Livre, cresça apenas 4% na comparação anual.

Por isso, uma eventual valorização mais forte dependeria de uma mudança no ambiente macroeconômico.

O BTG considera que as eleições podem ser um catalisador para reduzir parte do desconto de valuation das empresas brasileiras. Mas a valorização só seria duradoura se o movimento político se traduzisse em juros menores, melhora do crédito e recuperação das expectativas dos consumidores.

A leitura cria uma divisão clara entre as ações do setor. RD Saúde, Smart Fit e Panvel oferecem uma tese mais ligada ao crescimento estrutural e podem proteger a carteira caso o consumo continue fraco.

Já Assaí, Magazine Luiza, C&A e Renner têm maior exposição a uma eventual virada do ciclo. Se ela vier, o desconto atual pode ser justamente o combustível para uma reprecificação mais rápida.

Para o investidor, portanto, a questão não é apenas descobrir quais ações estão baratas. É decidir quanto está disposto a apostar na recuperação do consumidor brasileiro — e quanto prefere pagar por empresas que já conseguem crescer sem depender dela.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
Distribuído por