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InvestMercadosBDR
25/07/2026
3 min

Só 7% dos motoristas de aplicativo batem meta de renda sem estender jornada

Só 7% dos motoristas de aplicativo batem meta de renda sem estender jornada

Trabalhar além da jornada considerada ideal para conseguir atingir a meta de renda. Essa é a realidade da maioria dos motoristas de aplicativo no Brasil, segundo levantamento da GigU, plataforma voltada à gestão financeira de trabalhadores de apps.

A pesquisa, realizada com 1.576 motoristas em todos os estados brasileiros, mostra que apenas 7,2% conseguem alcançar o rendimento desejado sem ultrapassar o tempo de trabalho que consideram adequado.Em contrapartida, 44,8% afirmam precisar estender a jornada sempre que buscam atingir seus objetivos financeiros, enquanto outros 24,8% dizem que isso ocorre na maior parte das semanas. Para 19,6%, a necessidade varia de acordo com o período.

Os dados indicam que, para quase sete em cada dez motoristas, trabalhar mais horas deixou de ser uma exceção e passou a fazer parte da estratégia para fechar as contas no fim do mês. O resultado reforça os desafios de um modelo de trabalho em que a remuneração depende diretamente do tempo conectado às plataformas e da quantidade de corridas realizadas.

Custos operacionais reduzem a rentabilidade dos motoristas de apps

Segundo Luiz Gustavo Neves, CEO da GigU, muitos trabalhadores estabelecem metas de faturamento, mas deixam de considerar os custos envolvidos na operação, o que reduz a rentabilidade da atividade.

"Motoristas pensam em metas diárias e semanais de receita, mas não pensam nas metas de custo. Carro na rua é custo, seja por queima de combustível, desgaste de peças ou, mais simplesmente, pelo valor da hora de trabalho", afirma.

Na avaliação da empresa, despesas como combustível, manutenção, pneus, seguro e depreciação do veículo fazem com que muitos motoristas precisem ampliar a jornada para compensar a diferença entre o faturamento bruto e o rendimento efetivamente obtido.

Maioria dos motoristas de app depende de financiamento para comprar carro

O cenário dialoga com outros levantamentos recentes da própria GigU. Pesquisa divulgada anteriormente pela empresa mostrou que 53,7% dos motoristas que pretendem comprar um veículo nos próximos 12 mesesdependerão de financiamento, enquanto 25,4% ainda trabalham com carros alugados.

Em ambos os casos, o peso dos custos fixos aumenta a pressão por jornadas mais longas para garantir a renda necessária.

Para Neves, reduzir essa dependência de horas extras passa por uma gestão mais eficiente da atividade. Segundo ele, analisar o custo por quilômetro rodado, o retorno por hora trabalhada e a rentabilidade de cada corrida pode ajudar o motorista a tomar decisões mais eficientes.

"A distância entre o que se considera uma jornada adequada e o que é necessário para atingir metas financeiras é estrutural, mas não é destino. Ela diminui na medida em que o trabalhador enxerga a operação como um negócio, com meta de receita e meta de custo lado a lado", diz.

AutorClara Assunção
FonteExame
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