Solo saudável, safra forte: a estratégia da SLC Agrícola para crescer

Em meio à pressão por modelos produtivos mais resilientes às mudanças climáticas, a agricultura regenerativa passou a ocupar um papel estratégico no agronegócio. Na SLC Agrícola, produtora de soja, milho, algodão e sementes, essa agenda deixou de ser uma iniciativa isolada e passou a integrar a operação em larga escala: na safra 2024/25, todas as lavouras da companhia contaram com ao menos uma prática regenerativa, segundo o Relatório Integrado 2025 da empresa.
A estratégia parte de uma lógica simples: a produtividade futura depende da saúde do solo. Por isso, a companhia vem ampliando práticas como semeadura direta, rotação de culturas, uso de plantas de cobertura, defensivos biológicos, nutrição de precisão, integração lavoura-pecuária e reciclagem de resíduos orgânicos.
“A agricultura regenerativa é um caminho estratégico para garantir produtividade, resiliência climática e sustentabilidade no longo prazo”, afirma Leonardo Celini, diretor de Operações da SLC Agrícola. Segundo ele, a empresa tem ampliado manejos voltados à redução de emissões e à fixação de carbono no solo.
Os indicadores produtivos ajudam a explicar a aposta. Na safra do último ano, a SLC Agrícola alcançou recorde de produtividade na soja, com média superior a 69 sacas por hectare. No milho, em 2025, registrou desempenho histórico, com produtividade próxima de 138 sacas por hectare. O algodão, segundo a empresa, também apresentou evolução consistente de rendimento.
A companhia também foi reconhecida em primeiro lugar no Prêmio Melhores do ESG 2026, da EXAME, na categoria Agronegócio. Esta é a quinta vez consecutiva que a SLC Agrícola aparece na premiação, que reconhece empresas com iniciativas de destaque nas frentes ambiental, social e de governança.
Solo como base da produtividade
A agricultura regenerativa reúne práticas voltadas à recuperação e à conservação dos recursos naturais usados na produção. No campo, isso significa adotar manejos que ajudem a preservar a estrutura do solo, aumentar a matéria orgânica, melhorar a retenção de água, reduzir a erosão e favorecer a biodiversidade.
Na SLC Agrícola, uma das principais práticas adotadas é a semeadura direta. Na safra 2024/25, foram 505 mil hectares operados nesse sistema, que dispensa o revolvimento mecânico do solo e mantém a cobertura vegetal da cultura anterior. A técnica contribui para preservar matéria orgânica, reduzir a erosão e melhorar a infiltração e a retenção de água.
A SLC Agrícola também registrou 253 mil hectares com plantas de cobertura e rotação de culturas. As plantas de cobertura protegem o solo, adicionam biomassa ao sistema produtivo e contribuem para o sequestro de carbono. A rotação de culturas, por sua vez, ajuda a quebrar ciclos de pragas e doenças, além de equilibrar nutrientes e melhorar a estrutura física e biológica do solo.
Outro eixo é o avanço dos defensivos biológicos. Na safra 2024/25, eles representaram 17,7% do total de defensivos aplicados pela companhia, ante 11,4% na safra 2020/21. O crescimento está ligado à consolidação do Manejo Integrado de Pragas e Doenças, baseado em monitoramento técnico, aplicação localizada e priorização de soluções biológicas.
Tecnologia no manejo
A estratégia regenerativa da SLC Agrícola também passa pela agricultura digital. A nutrição de precisão permite ajustar a aplicação de nitrogênio, potássio e fósforo conforme o potencial produtivo de cada talhão. Com isso, a companhia busca aumentar a eficiência no uso de fertilizantes, reduzir perdas e melhorar o desempenho ambiental.
Segundo a companhia, a aplicação localizada de insumos, apoiada por agricultura digital, gerou economia de R$ 58,2 milhões na safra 2024/25. A companhia também utiliza fertilizantes nitrogenados com inibidores de urease, prática voltada a reduzir perdas por volatilização e ampliar a absorção de nutrientes pelas plantas.
A integração lavoura-pecuária complementa o modelo. Em 2025, a prática foi implementada em 5.594 hectares, alta de 33% em relação ao ano anterior. O sistema combina agricultura e pecuária na mesma área, de forma planejada, e favorece a reciclagem de nutrientes, o estímulo à biodiversidade e a recuperação de áreas menos produtivas.
Carbono, certificação e risco climático
Além dos ganhos agronômicos, a agricultura regenerativa passou a ser tratada pela SLC Agrícola como ferramenta de gestão de riscos climáticos e operacionais. Em 2024, práticas como o uso de plantas de cobertura e o plantio sem intervenção mecânica resultaram na remoção de 552 mil toneladas de CO₂ da atmosfera, volume equivalente à neutralização de 54% das emissões de Escopo 1 da companhia.
A empresa também vem ampliando a certificação Regenagri, padrão internacional que avalia e reconhece práticas regenerativas na cadeia produtiva. Em 2025, a SLC Agrícola informou ter 325 mil hectares certificados. A meta é chegar a 550 mil hectares até 2030.
Para Celini, os resultados reforçam a conexão entre produção e conservação. “Temos convicção de que inovação, tecnologia e responsabilidade socioambiental devem caminhar juntas para o futuro do agronegócio.”
