SP 500 nas máximas? Ainda há espaço para alta, dizem Avenue e Franklin Templeton

Mesmo com o S&P 500 renovando máximas históricas, a bolsa americana ainda oferece oportunidades para os investidores, segundo executivos da Avenue e da Franklin Templeton. Para as gestoras, o avanço dos lucros corporativos, a força da economia dos Estados Unidos e a expansão da inteligência artificial seguem como os principais vetores para as ações no segundo semestre de 2026.
Durante painel do evento Onde Investir no Segundo Semestre, promovido pelo Seu Dinheiro, o portfolio manager da Franklin Templeton, Daniel Popovich, afirmou que o fato de o S&P 500 negociar em níveis recordes não significa, por si só, que o mercado esteja próximo de uma correção.
“O S&P estar próximo das máximas não deve ser tratado como aquele jogo de soma zero, porque ele está na máxima e agora vai cair. É recorrente o S&P 500 estar na máxima. Conforme os lucros vão crescendo, ele deve continuar subindo”, afirmou.
Segundo Popovich, o mercado precifica crescimento de cerca de 20% nos lucros das empresas americanas, enquanto a economia segue mostrando resiliência, com mercado de trabalho aquecido e consumo forte. Ele destacou ainda que as principais empresas responsáveis pelos avanços em inteligência artificial continuam concentradas nos Estados Unidos.
Apesar do cenário favorável, o gestor ponderou que os níveis de valuation exigem maior disciplina dos investidores.
“O nível de valuation não necessariamente indica que existe um problema ou um perigo no curto prazo, mas é algo que deve moderar o apetite a risco do investidor”, disse.
A CIO da Avenue, Marcela Rocha, compartilhou da mesma avaliação e afirmou que a relação entre preço e crescimento dos lucros ainda sustenta espaço para novas altas na bolsa americana.
Segundo ela, o setor de tecnologia — principal beneficiado pelo avanço da inteligência artificial — continua apresentando fundamentos que justificam o desempenho recente.
“Quando a gente compara o lucro com o preço atual, ele está abaixo das médias dos últimos anos, indicando que o setor não estaria tão caro e não estaria com um valuation que traria receio neste momento”, afirmou.
Marcela, porém, ressaltou que nem todos os segmentos da economia americana apresentam o mesmo potencial. Setores mais sensíveis aos juros, como o imobiliário e parte do consumo, seguem enfrentando um ambiente mais desafiador.
Brasileiro ainda investe pouco no exterior
Além da visão positiva para os Estados Unidos, as gestoras defenderam que a diversificação internacional deve fazer parte da estratégia estrutural dos investidores, independentemente do momento do mercado.
Segundo Marcela, o investidor brasileiro ainda mantém uma exposição muito baixa aos ativos internacionais.
“Os dados mostram que só 2% do patrimônio do brasileiro está lá fora, ou seja, 98% dentro do mesmo país, dos mesmos setores que andam todos iguais. A gente está muito atrasado”, afirmou.
Para a executiva, investir no exterior não representa uma aposta contra o Brasil, mas sim uma forma de acessar setores e empresas que não existem no mercado doméstico, além de reduzir a concentração de riscos e proteger parte do patrimônio da volatilidade cambial.
