SP fica mais caro para empresas: aluguel sobe 18,5%, maior alta da América Latina
Enquanto o aluguel de escritórios sobe em São Paulo, o Rio de Janeiro ainda tem ampla oferta de espaços

O mercado de escritórios no Brasil vive dois momentos opostos. Em São Paulo, a escassez de espaços levou a vacância, ou desocupação, ao menor nível desde 2012 e ajudou a impulsionar os preços. No Rio de Janeiro, a oferta é abundante e o aluguel é mais barato.
A combinação de menor disponibilidade e demanda elevada impulsionou os preços na capital paulista, segundo informações divulgadas pela consultoria Newmark Research. Já o Rio ainda opera com uma taxa de vacância alta.
Além das duas cidades, o relatório "Mercado de Escritórios América Latina" analisa dez mercados em sete países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Panamá.
| Indicador | São Paulo | Rio de Janeiro |
|---|---|---|
| Vacância | 14,3% | 23,5% |
| Variação da vacância em 12 meses | -3,9 p.p. | — |
| Preço médio de locação | US$ 24,76/m² | US$ 15,46/m² |
| Alta do aluguel no semestre | 18,5% | 9,2% |
| Absorção líquida | 165.957 m² | 36.107 m² |
São Paulo lidera valorização dos escritórios na América Latina
A América Latina encerrou o primeiro semestre com 27,2 milhões de metros quadrados (m²) de estoque de escritórios Classe AAA, AA e A, de acordo com os dados da Newmark. A vacância média ficou em 15,5%, enquanto a absorção líquida somou 418 mil m².
O preço médio pedido de locação na região foi de US$ 21,77 por m² ao mês. O número, porém, esconde diferenças importantes entre os mercados, especialmente entre SP e RJ. Em São Paulo, a vacância caiu 3,9 pontos percentuais em 12 meses, para 14,3%, mesmo com a entrega de 53 mil m² de novos escritórios.
| Mercado | Vacância | Destaque |
|---|---|---|
| Bogotá | 6% | Menor entre as cidades pesquisadas |
| Monterrey | 10,4% | Menor nível já registrado |
| São Paulo | 14,3% | Menor nível desde 2012 |
| Cidade do México | 17,7% | Em queda há vários trimestres |
| Rio de Janeiro | 23,5% | 2ª maior entre as dez praças |
| Cidade do Panamá | 26,3% | Maior entre as dez praças |
Com a oferta mais restrita e a demanda concentrada em regiões como Faria Lima, Avenida Presidente Juscelino Kubitschek (JK) e Itaim Bibi, o preço médio de locação avançou 18,5% no semestre, para US$ 24,76 por metro quadrado ao mês. Foi a maior alta entre as dez cidades analisadas.
São Paulo é o segundo maior mercado de escritórios Classe A da América Latina, atrás apenas da Cidade do México, com 5,9 milhões de m² de estoque. A cidade também lidera a absorção líquida regional desde 2023, com pico anual próximo de 365 mil m² em 2025.
Queda da vacância e alta dos preços chamam atenção
A head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark Brasil, Mariana Hanania, vê que o comportamento de São Paulo se destaca. "O que chama atenção no relatório é que a combinação de vacância em queda com preço em alta em São Paulo sustentou a valorização mais forte no mercado corporativo da América Latina".
"É uma retomada de demanda que ainda não aparece com a mesma intensidade nos outros mercados que acompanhamos na região", acrescentou a especialista.
Rio de Janeiro tem menor preço de locação
O Rio de Janeiro também registrou queda na vacância, mas parte de um nível mais elevado. A taxa ficou em 23,5% no semestre, a segunda maior entre as dez cidades pesquisadas, atrás apenas da Cidade do Panamá, com 26,3%.
Apesar da maior disponibilidade de espaços, a absorção líquida do Rio chegou a cerca de 36 mil m², mais que o dobro do volume registrado no primeiro semestre de 2025. O preço médio de locação subiu 9,2% no período, para US$ 15,46 por m² ao mês.
O Rio manteve o menor preço entre os dez mercados monitorados pela Newmark. Somando a absorção líquida de São Paulo (165.957 m²) e Rio de Janeiro (36.107 m²), o volume combinado das duas cidades chega a 202.064 m².
Isso equivalente a cerca de 48% dos 418 mil m² da América Latina, ou seja, praticamente metade de toda a absorção líquida da região no primeiro semestre.
Vacância de escritórios também cai em outros mercados
A redução da disponibilidade de escritórios não ficou restrita ao Brasil. A Cidade do México encerrou o semestre com vacância de 17,7%, em trajetória de queda há vários trimestres. Em corredores como Insurgentes, Polanco e Reforma, a taxa já está abaixo de 12%.
Em Monterrey, também no México, a vacância chegou a 10,4%, o menor nível já registrado na cidade. O resultado foi impulsionado por uma transação de 4.106 m² fechada pelo conglomerado industrial Proeza.
Já Bogotá, na Colômbia, apresentou a menor vacância entre as dez cidades analisadas, de 6%. No distrito central de negócios da capital, a taxa caiu para 1,6%, o menor nível em sete anos.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Estoque monitorado | 27,2 milhões de m² |
| Vacância média | 15,5% |
| Absorção líquida | 418 mil m² |
| Preço médio pedido | US$ 21,77/m² por mês |
Cenário macroeconômico influencia mercado de escritórios
Brasil, Chile e México estão entre os países de maior estabilidade monetária da região, mas mantêm juros de referência em patamares ainda restritivos. Na Argentina, enquanto isso, a inflação segue em processo de desaceleração, com a hiperinflação caindo de 211% em 2023 para cerca de 30%.
