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Mercado ImobiliárioFII
13/09/2026
5 min

SP fica mais caro para empresas: aluguel sobe 18,5%, maior alta da América Latina

Enquanto o aluguel de escritórios sobe em São Paulo, o Rio de Janeiro ainda tem ampla oferta de espaços

SP fica mais caro para empresas: aluguel sobe 18,5%, maior alta da América Latina

O mercado de escritórios no Brasil vive dois momentos opostos. Em São Paulo, a escassez de espaços levou a vacância, ou desocupação, ao menor nível desde 2012 e ajudou a impulsionar os preços. No Rio de Janeiro, a oferta é abundante e o aluguel é mais barato.

A combinação de menor disponibilidade e demanda elevada impulsionou os preços na capital paulista, segundo informações divulgadas pela consultoria Newmark Research. Já o Rio ainda opera com uma taxa de vacância alta.

Além das duas cidades, o relatório "Mercado de Escritórios América Latina" analisa dez mercados em sete países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Panamá.

São Paulo x Rio de Janeiro
Mercado de escritórios corporativos - 1º semestre de 2026
Indicador São Paulo Rio de Janeiro
Vacância 14,3% 23,5%
Variação da vacância em 12 meses -3,9 p.p.
Preço médio de locação US$ 24,76/m² US$ 15,46/m²
Alta do aluguel no semestre 18,5% 9,2%
Absorção líquida 165.957 m² 36.107 m²
Fonte: Newmark Research. Valores referentes ao 1º semestre de 2026.

São Paulo lidera valorização dos escritórios na América Latina

A América Latina encerrou o primeiro semestre com 27,2 milhões de metros quadrados (m²) de estoque de escritórios Classe AAA, AA e A, de acordo com os dados da Newmark. A vacância média ficou em 15,5%, enquanto a absorção líquida somou 418 mil m².

O preço médio pedido de locação na região foi de US$ 21,77 por m² ao mês. O número, porém, esconde diferenças importantes entre os mercados, especialmente entre SP e RJ. Em São Paulo, a vacância caiu 3,9 pontos percentuais em 12 meses, para 14,3%, mesmo com a entrega de 53 mil m² de novos escritórios.

Vacância de escritórios na América Latina
Mercados destacados no levantamento da Newmark — 1º semestre de 2026
Mercado Vacância Destaque
Bogotá 6% Menor entre as cidades pesquisadas
Monterrey 10,4% Menor nível já registrado
São Paulo 14,3% Menor nível desde 2012
Cidade do México 17,7% Em queda há vários trimestres
Rio de Janeiro 23,5% 2ª maior entre as dez praças
Cidade do Panamá 26,3% Maior entre as dez praças
Fonte: Newmark Research. Valores referentes ao 1º semestre de 2026.

Com a oferta mais restrita e a demanda concentrada em regiões como Faria Lima, Avenida Presidente Juscelino Kubitschek (JK) e Itaim Bibi, o preço médio de locação avançou 18,5% no semestre, para US$ 24,76 por metro quadrado ao mês. Foi a maior alta entre as dez cidades analisadas.

São Paulo é o segundo maior mercado de escritórios Classe A da América Latina, atrás apenas da Cidade do México, com 5,9 milhões de m² de estoque. A cidade também lidera a absorção líquida regional desde 2023, com pico anual próximo de 365 mil m² em 2025.

Queda da vacância e alta dos preços chamam atenção

A head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark Brasil, Mariana Hanania, vê que o comportamento de São Paulo se destaca. "O que chama atenção no relatório é que a combinação de vacância em queda com preço em alta em São Paulo sustentou a valorização mais forte no mercado corporativo da América Latina".

"É uma retomada de demanda que ainda não aparece com a mesma intensidade nos outros mercados que acompanhamos na região", acrescentou a especialista.

Rio de Janeiro tem menor preço de locação

O Rio de Janeiro também registrou queda na vacância, mas parte de um nível mais elevado. A taxa ficou em 23,5% no semestre, a segunda maior entre as dez cidades pesquisadas, atrás apenas da Cidade do Panamá, com 26,3%.

Apesar da maior disponibilidade de espaços, a absorção líquida do Rio chegou a cerca de 36 mil m², mais que o dobro do volume registrado no primeiro semestre de 2025. O preço médio de locação subiu 9,2% no período, para US$ 15,46 por m² ao mês.

O Rio manteve o menor preço entre os dez mercados monitorados pela Newmark. Somando a absorção líquida de São Paulo (165.957 m²) e Rio de Janeiro (36.107 m²), o volume combinado das duas cidades chega a 202.064 m².

Isso equivalente a cerca de 48% dos 418 mil m² da América Latina, ou seja, praticamente metade de toda a absorção líquida da região no primeiro semestre.

Vacância de escritórios também cai em outros mercados

A redução da disponibilidade de escritórios não ficou restrita ao Brasil. A Cidade do México encerrou o semestre com vacância de 17,7%, em trajetória de queda há vários trimestres. Em corredores como Insurgentes, Polanco e Reforma, a taxa já está abaixo de 12%.

Em Monterrey, também no México, a vacância chegou a 10,4%, o menor nível já registrado na cidade. O resultado foi impulsionado por uma transação de 4.106 m² fechada pelo conglomerado industrial Proeza.

Já Bogotá, na Colômbia, apresentou a menor vacância entre as dez cidades analisadas, de 6%. No distrito central de negócios da capital, a taxa caiu para 1,6%, o menor nível em sete anos.

Mercado de escritórios na América Latina
Principais números do 1º semestre de 2026
Indicador Resultado
Estoque monitorado 27,2 milhões de m²
Vacância média 15,5%
Absorção líquida 418 mil m²
Preço médio pedido US$ 21,77/m² por mês
Fonte: Newmark Research. Escritórios Classe AAA, AA e A.

Cenário macroeconômico influencia mercado de escritórios

Brasil, Chile e México estão entre os países de maior estabilidade monetária da região, mas mantêm juros de referência em patamares ainda restritivos. Na Argentina, enquanto isso, a inflação segue em processo de desaceleração, com a hiperinflação caindo de 211% em 2023 para cerca de 30%.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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