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10/09/2026
4 min

SP rebaixa 3tentos (TTEN3) de olho na rentabilidade e novo corte de rating pode vir pela frente; ‘piorou mais do que esperávamos’

A agência de classificação de risco SP Ratings rebaixou a nota de crédito da 3tentos (TTEN3) de “brAA” para “brA+” na escala nacional brasileira e alterou a perspectiva do rating de estável para negativa. A decisão reflete a deterioração da rentabilidade da companhia, o aumento da alavancagem e a piora de sua posição de liquidez. […]

SP rebaixa 3tentos (TTEN3) de olho na rentabilidade e novo corte de rating pode vir pela frente; ‘piorou mais do que esperávamos’

A agência de classificação de risco S&P Ratings rebaixou a nota de crédito da 3tentos (TTEN3) de “brAA” para “brA+” na escala nacional brasileira e alterou a perspectiva do rating de estável para negativa.

A decisão reflete a deterioração da rentabilidade da companhia, o aumento da alavancagem e a piora de sua posição de liquidez.

Além do rating corporativo, a agência também reduziu a classificação das 1ª, 2ª e 3ª séries da 201ª emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Opea Securitizadora, lastreados em créditos da 3tentos, de “brAA (sf)” para “brA+ (sf)”.

Segundo a S&P, os resultados operacionais da companhia ficaram abaixo das expectativas em razão das margens mais fracas no segmento industrial e da contribuição mais lenta das novas capacidades produtivas. A agência revisou sua projeção de Ebitda para 2026 de R$ 1,27 bilhão para R$ 941 milhões.

Na avaliação dos analistas, embora os negócios de grãos e insumos da 3tentos tenham apresentado crescimento de volume no primeiro semestre, ambos possuem margens menores do que as operações industriais.

Além disso, o segmento foi pressionado pela queda dos preços do farelo de soja e do biodiesel, pelo aumento dos custos logísticos e pela postergação da mistura obrigatória de biodiesel B16 para 2027.

A S&P também destaca que a nova planta de etanol de milho iniciou operações apenas em meados de junho deste ano, contribuindo pouco para os resultados do semestre, apesar dos investimentos já realizados para sua implantação.

Liquidez preocupa agência

Outro fator determinante para o rebaixamento foi a piora na liquidez da companhia. A agência alterou sua avaliação de liquidez de “suficiente” para “insuficiente”, citando os elevados vencimentos de curto prazo, a necessidade de capital de giro e o volume relevante de investimentos em andamento.

Em junho de 2026, a 3tentos possuía cerca de R$ 1,4 bilhão em caixa, frente a aproximadamente R$ 1,8 bilhão em dívidas de curto prazo, além de R$ 366,8 milhões relacionados à TentosCap.

Mesmo considerando a monetização de estoques de grãos de alta liquidez, a S&P estima que as fontes de caixa cubram apenas 0,9 vez os usos previstos para os próximos 12 meses.

A agência observa ainda que a companhia depende da conversão de estoques em caixa e da manutenção do acesso ao crédito para administrar suas necessidades financeiras.

Apesar do relacionamento sólido com bancos e do histórico de acesso ao mercado de capitais, a necessidade de refinanciamentos da 3tentos aumentou.

Perspectiva negativa

E não acaba por aí. A S&P também alterou a perspectiva para negativa.

Segundo a agência, a mudança reflete o risco de outro rebaixamento dos ratings se a recuperação operacional e a conversão dos estoques em caixa ficarem abaixo das expectativas, ou se a companhia não fortalecer sua liquidez e reduzir sua alavancagem em linha com o projetado.

No cenário-base da S&P, a dívida ajustada sobre Ebitda deve ficar ao redor de 2,3 vezes ao fim de 2026 e permanecer entre 2,0 e 2,5 vezes nos anos seguintes. A expectativa é de fluxo de caixa operacional livre negativo até 2027.

Inferno astral

A piora do rating ocorre em um momento nada favorável para a companhia na bolsa.

No ano, a ação despenca 30%, sendo que grande parte desse tombo ocorreu em uma única sessão, quando, em uma reunião fechada entre a direção da 3tentos e o sell side, a companhia teria revisado para baixo suas projeções.

Depois disso, várias casas cortaram as expectativas da empresa, antes uma queridinha do agronegócio. Em relatório recente, por exemplo, o BBA reduziu o preço-alvo para as ações de R$ 20 ao fim de 2026 para R$ 19.

Ainda assim, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama dizem que o desempenho abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026 representou um revés temporário, e não uma mudança estrutural na tese de investimento.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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