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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFII
13/09/2026
4 min

Spa e academia a 250 metros de altura: Senna Tower terá dois andares só de 'wellness'

FG segue tendência entre incorporadoras de luxo com espaço dedicado à saúde e bem-estar

Spa e academia a 250 metros de altura: Senna Tower terá dois andares só de 'wellness'

A busca pelo bem-estar (wellness, em inglês) tem sido tão grande nos últimos anos nos empreendimentos imobiliários que uma construção em Balneário Camboriú, no estado de Santa Catarina, chamada de Senna Tower, está dedicando dois dos seus sete andares de lazer à saúde e à qualidade de vida.

O prédio, que deve se tornar um dos imóveis mais altos do mundo, terá os pavimentos 63º e 64º dedicados ao bem-estar. Eles reunirão piscina aquecida, hidromassagem, saunas, salas de massagem, ambientes de relaxamento, academia e paredes de escalada suspensas a 250 metros de altura, com vista para o mar e a cidade.

Ao todo, o projeto terá 7.996,14 metros quadrados (m²) de áreas de lazer.

A escolha acompanha um movimento maior do mercado imobiliário, que passou a incorporar elementos ligados ao wellnessna própria concepção dos empreendimentos. Algo que vai além da academia do condomínio, incluindo aspectos como iluminação, ventilação, áreas verdes, sono, recuperação física e convivência.

Bem-estar vai além da academia

Os dois pavimentos foram concebidos para oferecer experiências diferentes. A inspiração para o spa é uma "caverna suspensa entre as nuvens", segundo a artista plástica e antropóloga Lalalli Senna, que assinou o conceito de criar uma atmosfera mais reservada, com presença de luz natural.

A própria localização dos espaços mescla a piscina aquecida e a hidromassagem de forma suspensa sobre a paisagem, enquanto água, luz, formas orgânicas e superfícies minerais aparecem no desenho dos ambientes. A intenção é aproximar a experiência interna da paisagem exterior.

A academia segue uma linguagem mais intensa, com grandes colunas atravessando o espaço "como descargas elétricas" e se transformam em paredes de escalada. A referência vem por meio da inspiração das corridas do piloto Ayrton Senna sob tempos chuvosos.

Na visão do CEO da FG Empreendimentos, Jean Graciola, a valorização desse tipo de estrutura está relacionada à própria evolução do conceito de luxo. "Os grandes empreendimentos do futuro serão lembrados não apenas pelos recordes que alcançam, mas pelo impacto positivo que geram na vida das pessoas", diz, em comunicado sobre a novidade.

"Uma das premissas mais importantes do Senna Tower foi garantir que toda essa inovação estivesse a serviço da experiência humana", acrescentou a engenheira responsável pelo Senna Tower e diretora executiva da Talls Solutions, Stéphane Domeneghini.

A corrida por um mercado de US$ 1 trilhão

O wellness deixou de ser um nicho associado apenas a spas e hotéis de luxo já há algum tempo, e dados apresentados pelo Global Wellness Institute mostram que o mercado global saiu de cerca de US$ 275 bilhões em 2020 para US$ 398 bilhões em 2022 e pode ultrapassar US$ 1,1 trilhão até 2029.

No Brasil, o avanço já movimenta incorporadoras. A AG7, por exemplo, tem projetos que somam R$ 700 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e recebeu um aporte de R$ 18 milhões de um fundo de participações em infraestrutura com foco em ESG, sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança, em 2022.

A Housi também criou uma divisão dedicada ao segmento, a Housi Wellness, com estimativa de lançar até R$ 6 bilhões em VGV nos próximos cinco anos. A empresa atua com uma plataforma voltada à incorporação de serviços relacionados a hábitos saudáveis nos empreendimentos.

O setor também conta com certificações como WELL Building Standard e Fitwel, que estabelecem critérios para avaliar características dos edifícios relacionadas à saúde e ao bem-estar. A WELL, por exemplo, considera aspectos como ar, água, alimentação, luz, atividade física, conforto e saúde mental.

Os imóveis como espaços de saúde

Durante décadas, localização, metragem e áreas de lazer estiveram entre os principais atributos usados para diferenciar imóveis. Agora, algumas incorporadoras passaram a olhar também para a influência do ambiente construído sobre a rotina dos moradores.

A lógica ganha força diante de um dado citado por especialistas do setor de que as pessoas passam cerca de 90% da vida em ambientes fechados, entre casa e trabalho. Para o fundador e CEO da Habitare, Roberto Coutinho, isso significa que o bem-estar precisa ser considerado desde o projeto do edifício.

"Hoje cerca de 75% dos compradores buscam moradia, interessados em qualidade de vida e infraestrutura de bem-estar. Os outros 25% são investidores, que enxergam nos empreendimentos liquidez e potencial", relatou à EXAME em junho de 2026, ao falar sobre a mudança de comportamento dos consumidores.

A Habitare aposta em saunas finlandesas, banheiras de gelo, saunas infravermelhas e equipamentos de treinamento conectados. E a busca por hábitos mais saudáveis, que já aparece em setores como alimentação e bebidas, tem ganhado cada vez mais espaço na escolha de onde e como morar.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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