Spa que cobra até R$ 12 mil por tratamento quer espalhar lojas de luxo pelo Brasil
Rede fundada em Campinas combina estética avançada e bem-estar, prevê faturar R$ 12 milhões neste ano e prepara expansão para novas capitais

Escalda-pés, aromaterapia, cromoterapia, uma playlist escolhida pelo cliente e toalhas e cremes aquecidos fazem parte do ritual. Em uma mesma visita, também é possível fazer tratamentos em máquinas importadas que chegam a custar R$ 12 mil por sessão.
É nessa fronteira entre spa e clínica de estética que o Ateliê Beauty construiu seu negócio. Fundada em Campinas em 2017 pelos irmãos Isa e Rodrigo Santini, a empresa chega aos nove anos com cinco unidades, cerca de 60 profissionais e um plano para acelerar a expansão pelo país.
O faturamento, que ficou próximo de R$ 10 milhões em 2025, deve chegar a cerca de R$ 12 milhões neste ano. Duas inaugurações estão previstas ainda neste ano, em Alphaville, na Grande São Paulo, e Belo Horizonte. Para 2027, a projeção é adicionar cerca de oito operações ao mapa da rede.
“Hoje, a gente não está posicionado nem como spa nem como estética”, diz Isa. “Quando falamos de spa, temos as grandes franquias e os spas de hotéis. Na estética, concorremos com dermatologistas e cirurgiões plásticos que têm as máquinas. O que fazemos é juntar os dois menus.”
O tíquete médio dos clientes varia de R$ 1.500 a R$ 2.000. Em um cenário com 12 unidades maduras nos próximos anos, a sócia Isa Santini estima uma receita anual na casa de R$ 31 milhões a R$ 32 milhões.
Quanto custa cada unidade
Hoje, três das cinco unidades do Ateliê ficam em Campinas. Há ainda uma operação em Indaiatuba e outra no complexo Cidade Jardim, em São Paulo.
Entre os mercados já colocados no radar para 2027 estão Jardins, na capital paulista, Balneário Camboriú e Curitiba.
Do contrato ao início da operação, uma unidade pode ficar pronta em 45 a 60 dias, segundo Isa. Cada endereço emprega entre 10 e 12 pessoas, considerando trabalhadores contratados pelo regime CLT e prestadores de serviços.
Parte do modelo ajuda a manter o investimento ao redor de R$ 1 milhão. Nem todas as máquinas precisam ficar permanentemente em cada endereço. Equipamentos utilizados apenas uma vez a cada semana ou mês circulam entre as operações.
“Minhas máquinas são próprias e rodam as unidades”, diz Isa. “Tem equipamento que o cliente usa a cada 45 dias. Eu não preciso ter um em cada unidade, consigo levá-lo para qualquer lugar do Brasil.”
A lógica também influencia a escolha dos pontos. O Ateliê combina lojas de rua com operações em shopping centers e edifícios comerciais. Em Campinas, por exemplo, está no Galleria Shopping, do Iguatemi, além de outros endereços da cidade.
Isa Santini, cofundadora e CEO do Ateliê Beauty: empresária prepara novas unidades e mira receita superior a R$ 30 milhões com a maturação da rede. (Ateliê Beauty/Divulgação)
Conexão com outro negócio de luxo
Uma parte importante do próximo ciclo de crescimento será feita dentro de outro negócio de luxo: a SIX Wowness Club.
O Ateliê já opera dentro da SIX em Campinas. As próximas unidades de Alphaville e Belo Horizonte também acompanharão a expansão da rede de academias, assim como parte dos projetos previstos para 2027.
A relação não termina no aluguel de espaço. Isa é investidora da SIX Campinas e da unidade de Alphaville e diz que o planejamento de expansão das duas marcas passou a ser desenvolvido de maneira conjunta.
A SIX, fundada em 2024, aposta em academias que misturam treino, serviços e experiências de hospitalidade. Como mostrou a EXAME recentemente, uma mensalidade pode chegar a R$ 5.400, enquanto cada novo endereço recebe R$ 20 milhões em investimentos.
Para o Ateliê, a proximidade coloca os tratamentos diante do mesmo público de alta renda que já consome serviços premium de saúde e bem-estar. Os serviços do spa não estão incluídos na mensalidade da academia e são pagos separadamente.
“A pessoa consegue potencializar o treino com muita tecnologia, além de fazer as massagens”, afirma Isa.
Qual é a origem da marca
O Ateliê começou antes de ter esse nome. Formada em administração, Isa trabalhou durante 12 anos em uma consultoria de gestão da família, onde, segundo ela, participou de projetos para empresas como Natura, Heineken e Votorantim.
A entrada no setor de beleza aconteceu em 2013. Seu marido, cirurgião plástico, pediu que ela assumisse a administração do day hospital da família em Campinas. Foi ali que Isa diz ter percebido uma demanda recorrente no pós-operatório por tratamentos para questões como flacidez, gordura localizada e celulite.
Quatro anos depois, ela abriu o Ateliê ao lado do irmão Rodrigo, engenheiro ambiental.
Desde o início, a ideia foi somar os equipamentos de estética a uma experiência típica de spa. Em qualquer tratamento, o cliente passa por elementos como escalda-pés, aromas, cromoterapia e escolha da música.
Expansão nacional: cada nova unidade do Ateliê Beauty demanda cerca de R$ 1 milhão em obras e equipamentos. (Ateliê Beauty/Divulgação)
A fundadora também passou a buscar referências em spas internacionais. Viagens para lugares como Índia, Dubai, Maldivas, Miami e Paris acabaram virando uma espécie de pesquisa de produto: técnicas, rituais e detalhes do atendimento foram adaptados às operações brasileiras.
O posicionamento rendeu reconhecimento internacional. Em 2024 e 2025, o Ateliê Beauty recebeu do World Luxury Spa Awards os títulos de Melhor Spa Boutique de Luxo do Mundo, Melhor Spa Urbano de Luxo da América do Sul e Melhor Experiência em Spa da América do Sul. Neste ano, concorre novamente à premiação.
A máquina de R$ 12 mil por tratamento
Por trás da experiência sensorial há uma parte importante da conta: equipamentos importados de países como Coreia do Sul, Israel, Espanha, Suíça e Estados Unidos.
É nesse menu de estética que estão alguns dos tratamentos de maior valor da companhia. Segundo Isa, tecnologias como Liftera e Oligio estão entre as mais rentáveis porque são utilizadas em intervalos maiores e têm tíquetes elevados. Um tratamento facial completo em uma dessas máquinas pode chegar a R$ 12 mil. Outros procedimentos ficam na faixa de R$ 5 mil a R$ 7 mil.
No spa tradicional, um dos tratamentos mais procurados é uma massagem própria que mistura técnicas de drenagem, modeladora e relaxante.
Essa combinação de serviços recorrentes, que fazem o cliente retornar semanalmente, com procedimentos de maior valor e menor frequência é parte da equação que a companhia pretende reproduzir nas novas cidades.
A aposta agora é descobrir até onde esse modelo consegue viajar sem perder justamente aquilo que a empresa vende como diferencial: uma experiência personalizada.
“Independentemente da unidade em que você for, vai ter o mesmo atendimento e poderá personalizar sua experiência”, diz Isa. “Esse é um dos nossos grandes diferenciais competitivos.”
