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InvestMercadosACS
15/09/2026
5 min

Split Payment pode reduzir lucro de Magalu, Pague Menos e Centauro, diz Safra

Novo sistema de recolhimento de impostos, o split payment, pode reduzir o caixa disponível das empresas e aumentar a necessidade de capital de giro

Split Payment pode reduzir lucro de Magalu, Pague Menos e Centauro, diz Safra

Magazine Luiza (MGLU), Pague Menos (PGMN3) e Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, estão entre as empresas do varejo que podem sofrer os maiores impactos sobre o lucro com a implementação do split payment, segundo análise do Safra.

O mecanismo, previsto na reforma tributária, separa e recolhe automaticamente o imposto no momento da operação com a promessa de reduzir a sonegação e a inadimplência fiscal. Mas, ao antecipar o recolhimento do tributo, osplit payment pode retirar das companhias uma fonte temporária de caixa usada atualmente para financiar a operação, de acordo com o banco.

O sistema prevê que a parcela dos tributos seja separada automaticamente no momento do pagamento e destinada ao governo. Com isso, o varejista deixa de receber temporariamente o valor integral da venda para só depois recolher os impostos. Na prática, passa a receber diretamente o valor líquido dos tributos aplicáveis.

Para o Safra, essa mudança tende a reduzir a disponibilidade de caixa, aumentar a necessidade de capital de giro e prolongar o ciclo de conversão de caixa. O efeito chega aos resultados por meio da redução das receitas financeiras ou da necessidade de recorrer a financiamento para compensar a menor disponibilidade de recursos.

“Em suma, vemos o pagamento fracionado como um fator levemente negativo, mas não como um grande risco aos lucros das empresas sob nossa cobertura”, afirmam os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, autores do relatório.

A análise do banco estima que, em um cenário conservador de implementação integral do split payment desde o início de 2027, o impacto sobre o lucro líquido das empresas acompanhadas varia de praticamente neutro a uma queda máxima de 2%. É nesse cenário que Magazine Luiza, Pague Menos e Grupo SBF aparecem como as companhias mais pressionadas pela mudança.

O cenário, porém, não representa a expectativa dos analistas para a implementação efetiva. O Safra espera uma adoção gradual ao longo de 2027, com uma implementação mais ampla ou definitiva apenas em 2028. Por isso, os impactos calculados para 2027 provavelmente representam, na avaliação do banco, uma espécie de limite superior para o efeito naquele ano.

De onde vem a pressão sobre o lucro

O ponto central da análise é o chamado float, que é o período entre o recebimento de uma venda e o momento em que os impostos correspondentes são pagos. Hoje, esse intervalo permite que o dinheiro permaneça temporariamente no caixa das empresas e seja usado para financiar fornecedores, despesas operacionais ou outras necessidades do negócio.

Como split payment, essa parcela deixa de permanecer no caixa. O relatório estima quanto dinheiro relacionado aos impostos deixaria de ficar temporariamente disponível para cada empresa depois da implementação do mecanismo.

Para isso, os analistas consideraram a exposição de cada companhia a Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Serviços (ISS) em 2025 e a parcela das vendas recebidas por meios de pagamento que não sejam em dinheiro.

O cálculo parte de uma premissa conservadora de que todos os meios de pagamento não monetários considerados na análise seriam elegíveis ao split payment e totalmente afetados pelo mecanismo.

"Esse montante foi deduzido do capital de giro, resultando em uma deterioração do ciclo de conversão de caixa e em uma redução do caixa disponível. Os saldos de caixa mais baixos foram então refletidos no resultado financeiro por meio de receitas financeiras menores ou necessidades potencialmente maiores de financiamento, com o efeito resultante incorporado às nossas estimativas de lucro líquido para 2027", afirmam os analistas.

Isso significa que o efeito do novo mecanismo da reforma tributária ocorre em cadeia. Primeiro, uma parcela do valor da venda é direcionada automaticamente ao governo. Com menos dinheiro disponível, aumenta a necessidade de capital de giro. A empresa pode então ficar com um saldo de caixa menor ou precisar contratar mais dívida de curto prazo. Isso reduz receitas financeiras ou aumenta despesas financeiras, pressionando, por fim, o lucro líquido.

O Safra ressalta que esse impacto é estrutural e contínuo enquanto o mecanismo estiver em vigor. "De acordo com nossa análise de sensibilidade conservadora, que pressupõe a implementação total a partir do início de 2027 em todas as transações não monetárias elegíveis, o impacto estimado sobre o lucro líquido de 2027. E varia de amplamente neutro a uma queda máxima de 2%", afirma o banco.

As empresas mais ou menos afetadas

Magazine Luiza, Pague Menos e Grupo SBF estão entre as companhias no extremo mais negativo dessa faixa. Isso não significa, porém, que o Safra espere uma queda de até 2% no lucro de cada uma das três empresas.

O percentual de 2% é o limite máximo estimado para o conjunto de companhias analisadas, enquanto os dados fornecidos pelo relatório apontam as três como as mais pressionadas, sem detalhar aqui o impacto individual.

Apesar da pressão sobre algumas empresas, o efeito não será uniforme entre os negócios analisados pelo Safra.

O Mercado Livre (MELI) e o Assaí (ASAO3) aparecem entre as companhias que podem passar praticamente ilesas ao novo mecanismo, segundo as estimativas do banco. A diferença está justamente na exposição de cada empresa ao fluxo de pagamentos e na forma como a mudança afeta sua disponibilidade de caixa.

O problema é maior para empresas menores

Embora o impacto estimado sobre o lucro das grandes companhias seja considerado administrável, o Safra chama atenção para um possível efeito competitivo da mudança.

"Varejistas menores e com menor capitalização, no entanto, poderiam ser proporcionalmente mais afetados devido ao acesso mais limitado a financiamento e à menor flexibilidade para absorver uma necessidade estruturalmente maior de capital de giro, o que poderia elevar as barreiras competitivas e acelerar a consolidação do setor", diz o banco.

AutorClara Assunção
FonteExame
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