Stablecoin da Tether tornou-se um dos principais meios de pagamento do Irã, diz jornal
Relatório de senador norte-americano mostraria uma ampla utilização de criptoativos pelo país persa

Uma reportagem do jornal The Wall Street Journal afirmou que a stablecoin USDT, da Tether, tornou-se um dos principais meios de pagamento para o governo do Irã e supostamente uma forma de financiar organizações terroristas.
De acordo com o jornal, um relatório de autoria do senador democrata norte-americano, Richard Blumenthal, revelou que 846 carteiras de criptomoedas sancionadas pelos Estados Unidos e por Israel por ligações com o Irã negociavam quase que exclusivamente USDT.
"O relatório expõe como a Tether e seu principal token se tornaram centrais para o sistema bancário paralelo do Irã, permitindo ao governo iraniano financiar seus grupos aliados na região, cometer violações de direitos humanos e levar adiante programas hostis de drones e mísseis enquanto desafia nosso regime de sanções”, disse Blumenthal ao WSJ.
Um dos documentos vazados do relatório indica que uma empresa iraniana intermediou a compra de dezenas de milhões de dólares em USDT pelo banco central do Irã.
Criptomoedas do Irã ligadas a ataque hacker
Além disso, uma parte desses USDT seria proveniente do ataque hacker que desviou US$ 1,5 bilhão da corretora de criptomoedas Bybit no ano passado. "A compra das criptomoedas roubadas fazia parte de um esforço do Irã para sustentar sua moeda, o rial, e continuar vendendo petróleo a aliados como a China", diz o relatório do Senado, segundo o jornal norte-americano.
Por outro lado, a reportagem admite que a Tether tem o poder de congelar criptomoedas quando requisitada pelas autoridades. Mesmo assim, o relatório criticaria a demora da empresa em fazê-lo em casos de carteiras sancionadas pelos EUA e por Israel.
A Tether afirma que ajudou autoridades dos EUA a congelar aproximadamente US$ 550 milhões em carteiras ligadas ao Irã apenas em 2026. A companhia disse em nota que está trabalhando "de perto" para enfrentar ilícitos financeiros.
