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Sacre Investimentos
Future of MoneyCPTO
03/10/2026
3 min

Stablecoins, Drex e o fim da lógica de 'um ou outro' no dinheiro digital

Como diferentes formas de dinheiro e infraestrutura digital poderão coexistir?

Stablecoins, Drex e o fim da lógica de 'um ou outro' no dinheiro digital

Por Giuliano Kohler*

Durante muito tempo, o futuro do dinheiro digital foi tratado como uma disputa: de um lado, as moedas privadas, como as stablecoins; de outro, iniciativas dos bancos centrais, como as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Mas a questão mais relevante talvez seja outra: quais funções cada uma dessas estruturas poderá desempenhar e como diferentes formas de dinheiro poderão se conectar?

O avanço das stablecoins mostra que existe demanda por ativos digitais capazes de circular em ambientes digitais com rapidez e alcance global. O mercado cresceu de forma expressiva nos últimos anos e atingiu aproximadamente US$ 320 bilhões em capitalização no fim de maio de 2026, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Em 2025, o volume anual de transações foi estimado em US$ 28 trilhões.

O próprio Banco de Compensações Internacionais (BIS) ressalta que esse número inclui transações entre carteiras controladas por uma mesma parte e que, quando esses movimentos são excluídos, os valores são significativamente menores.

Como o novo cenário de stablecoins se conecta com o Drex?

É nesse contexto que surge uma questão particularmente relevante para o Brasil: como esse mercado poderá se relacionar com o desenvolvimento do Drex?

O Drex não foi concebido como uma versão digital do Pix nem como um concorrente direto das stablecoins. Sua proposta está relacionada à criação de uma infraestrutura baseada em tecnologias de registro distribuído para permitir operações com ativos tokenizados e ampliar a eficiência de transações financeiras em um ambiente regulado.

A diferença de natureza é importante. Uma stablecoin é um ativo digital privado criado para manter seu valor vinculado a uma moeda fiduciária ou outro ativo de referência. O Drex está associado à infraestrutura financeira regulada pelo Banco Central e à representação digital de ativos e direitos dentro desse ambiente.

São, portanto, soluções com características e funções distintas. E é justamente nessa diferença que pode existir espaço para complementaridade. Imagine uma operação de comércio exterior envolvendo uma empresa brasileira e uma contraparte estrangeira. Uma stablecoin poderia facilitar a movimentação de determinado valor entre as partes, enquanto uma infraestrutura regulada poderia participar de etapas de registro, liquidação ou conversão.

O desenho dessas operações ainda depende da evolução tecnológica e regulatória. Mas, o princípio é importante, não é necessário escolher entre inovação privada e infraestrutura pública quando elas podem cumprir funções complementares.

Cada infraestrutura com sua função

Esse movimento já ocorre em um ambiente regulatório mais estruturado. Em 2025, o Banco Central publicou regras para disciplinar as prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), incluindo stablecoins, ampliando a supervisão sobre esse mercado a partir de 2026.

Nesse cenário, as stablecoins podem avançar principalmente em pagamentos internacionais, liquidação de operações digitais e aplicações programáveis. O Drex, por sua vez, pode funcionar como infraestrutura para liquidação, tokenização e integração de ativos financeiros em um ambiente regulado.

Entre essas duas frentes estarão bancos e instituições financeiras, que terão o papel de conectar as novas tecnologias às necessidades de empresas e consumidores.

Por isso, a pergunta não deveria ser se stablecoins ou Drex serão o futuro do dinheiro. O debate mais relevante é como diferentes formas de dinheiro e infraestrutura digital poderão coexistir, quais problemas cada uma será capaz de resolver e, principalmente, como poderão conversar entre si.

O futuro pode não ser marcado pela substituição de uma tecnologia por outra, mas pela construção de uma infraestrutura financeira mais integrada, na qual diferentes instrumentos digitais desempenhem funções específicas dentro de um ambiente cada vez mais conectado.

*Giuliano Kohler é head da Mesa Cripto do Banco Braza

AutorDa Redação
FonteExame
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