Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Future of MoneyCPTO
05/07/2026
3 min

Stablecoins já movimentam o equivalente ao PIB do Brasil em um trimestre

Stablecoins já movimentam o equivalente ao PIB do Brasil em um trimestre

Por Jorge Borges*

As stablecoins deixaram de ser uma ferramenta associada apenas ao universo dos criptoativos para se tornarem parte da infraestrutura financeira utilizada por instituições ao redor do mundo.

Hoje, bancos, empresas de pagamentos e outras instituições movimentam, por meio da infraestrutura da Fireblocks, um volume trimestral equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Mais do que um número expressivo, esse dado evidencia uma mudança importante. Quando fluxos financeiros dessa magnitude passam a utilizar novas infraestruturas, o debate deixa de ser sobre potencial futuro e passa a ser sobre transformação concreta do mercado.

  • Aproveite até 60% de desconto na taxa de corretagem com a Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual. Por tempo limitado! Abra sua conta e se torne um cliente VIP. Cupom: FOM26.

O crescimento das stablecoins não é resultado apenas do avanço tecnológico. Ele reflete a necessidade de resolver limitações históricas do sistema financeiro tradicional, especialmente em pagamentos internacionais. Processos que ainda dependem de múltiplos intermediários, custos elevados e prazos de liquidação de dias começam a ser substituídos por modelos que operam continuamente, com maior velocidade e eficiência.

Por isso, a adoção institucional tem sido impulsionada por casos de uso práticos. Bancos, fintechs e empresas buscam reduzir custos operacionais, otimizar a gestão de liquidez e tornar pagamentos transfronteiriços mais eficientes. A discussão deixou de ser sobre exposição ao mercado de ativos digitais. Hoje, trata-se de infraestrutura financeira.

Prioridade das stablecoins na América Latina

A América Latina ocupa uma posição relevante nessa transformação. O sucesso de sistemas de pagamentos instantâneos, como o Pix no Brasil e o SPEI no México, criou uma base importante para a evolução da infraestrutura financeira regional. Ao mesmo tempo, a região enfrenta desafios relacionados ao custo e à eficiência de pagamentos internacionais, tornando as stablecoins particularmente atrativas.

Segundo pesquisa da Fireblocks, 69% das instituições financeiras da região apontam a modernização da infraestrutura financeira como uma prioridade estratégica, o maior índice global. Ao mesmo tempo, 92% consideram pagamentos instantâneos e liquidação 24/7 fundamentais para o futuro do setor, enquanto 61% veem a emissão de ativos digitais como uma capacidade crítica. Mais do que acompanhar uma tendência internacional, a América Latina começa a definir como a próxima geração da infraestrutura financeira será construída.

Outro fator importante é o avanço regulatório observado em diferentes mercados. Durante anos, a ausência de regras claras foi uma das principais barreiras para a adoção institucional de ativos digitais. À medida que reguladores estabelecem parâmetros para temas como custódia, governança e compliance, a incerteza diminui e abre espaço para operações em maior escala.

Talvez a mudança mais profunda seja que o dinheiro começa a se tornar programável. Stablecoins permitem automatizar pagamentos, simplificar liquidações e criar novos produtos financeiros sobre uma infraestrutura mais integrada e digital.

Assim como a internet transformou a circulação de informações, as tecnologias baseadas em blockchain têm potencial para redefinir a movimentação de valor na economia global.

Essa transição será gradual, mas sua direção já parece clara. Quando instituições movimentam, em apenas um trimestre, volumes equivalentes ao PIB de uma das maiores economias do mundo utilizando essas infraestruturas, fica evidente que as stablecoins deixaram de representar apenas uma promessa para o futuro.

*Jorge Borges é head da Fireblocks para a América Latina

AutorDa Redação
FonteExame
Distribuído por