Stablecoins são novo trilho de pagamentos globais e não tem mais volta, diz CEO da Jeeves
Empresa diz que o mais importante hoje é oferecer a forma mais rápida e eficiente de enviar e receber dinheiro

As stablecoins estão no caminho para se consolidarem como a nova infraestrutura de pagamentos internacionais. Para Gustavo Gorenstein, CEO da Jeeves no Brasil, o movimento é irreversível e tende a transformar a forma como empresas movimentam dinheiro ao redor do mundo.
A Jeeves, fintech especializada em soluções financeiras para empresas, opera em 25 países e atende clientes em cerca de 195 mercados. Apesar da aposta na tecnologia, a empresa diz adotar uma postura "agnóstica" em relação às moedas utilizadas para processar pagamentos.
"Usamos a stablecoin que faz mais sentido para cada rota. Também trabalhamos com euro e outras moedas. O objetivo não é promover uma stablecoin específica, mas oferecer a forma mais rápida e eficiente de enviar e receber dinheiro", diz Gorenstein.
Segundo ele, a crescente adoção por empresas e instituições financeiras fortalece o mercado e amplia as possibilidades para companhias que atuam internacionalmente.
Stablecoins reduzem barreiras para empresas globais
A principal vantagem está na simplificação das operações transfronteiriças.
Hoje, uma empresa brasileira que precisa fazer pagamentos nos Estados Unidos, por exemplo, normalmente precisa manter uma estrutura bancária local ou recorrer aos meios tradicionais de câmbio. Com stablecoins, parte dessa complexidade desaparece.
"Agora conseguimos oferecer uma wallet para que uma empresa faça pagamentos em dólar nos Estados Unidos sem precisar ter presença física no país", afirma.
Segundo o executivo, além da redução da burocracia, a operação pode diminuir custos, como a incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em determinados pagamentos realizados por cartões emitidos no Brasil, além de acelerar a liquidação das transações.
Cartão corporativo lastreado em stablecoins
A Argentina foi escolhida como um dos primeiros mercados para aplicações mais avançadas da tecnologia.
A Jeeves lançou no país um cartão de crédito corporativo lastreado em stablecoins. A solução permite que empresas mantenham saldo em ativos digitais, enquanto realizam pagamentos tanto em pesos argentinos quanto em dólares.
O produto atende especialmente empresas estrangeiras que operam na Argentina ou companhias com fornecedores locais, em um ambiente marcado por restrições cambiais e controles sobre o acesso ao dólar.
Regulação fortalece o mercado
Na avaliação do CEO, o avanço regulatório representa um dos principais fatores para acelerar a adoção institucional das stablecoins.
Ele cita tanto o amadurecimento das regras internacionais quanto a evolução do ambiente regulatório brasileiro.
"O Banco Central deixou claro que esse tipo de atividade precisa de licença. Não dá para brincar de câmbio sem regulação. Isso profissionaliza o mercado."
Segundo Gorenstein, empresas estruturadas tendem a ser beneficiadas por regras mais claras.
