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04/08/2026
5 min

Starbucks vai abrir 35 lojas no Brasil em 2026; veja onde serão as novas unidades

Para a presidente Mariane Wiederkehr o país é a principal aposta de expansão da rede na América Latina: ‘Estamos até adaptando o café ao paladar brasileiro’

Starbucks vai abrir 35 lojas no Brasil em 2026; veja onde serão as novas unidades

A Starbucks quer voltar a crescer no Brasil e em ritmo acelerado. Após um período de reestruturação da operação, a rede prevê a abertura de 35 novas lojas em 2026 (todas próprias, nenhuma franquia), concentrando a maior parte da expansão em São Paulo, mas também retomando presença em mercados como Belo Horizonte e Zona Sul do Rio de Janeiro.

Para Mariane Wiederkehr, CEO da Starbucks Brasil, o país se tornou uma das principais apostas globais da companhia.

"Somos o mercado da América Latina que mais vai abrir lojas neste ano", afirma. "O Brasil ainda tem apenas 113 lojas, o que mostra o enorme potencial de crescimento."

A estratégia vai além da abertura de unidades. A companhia também aposta na adaptação do cardápio ao gosto do consumidor brasileiro, em novos formatos de loja e na ampliação da presença da marca no dia a dia dos clientes.

Brasil é prioridade global

Presente em 85 países e com cerca de 40 mil lojas no mundo, a Starbucks vê no Brasil um mercado ainda pouco explorado.

"Temos no Brasil uma das grandes apostas de crescimento da companhia", diz Mariane.

A expansão está concentrada principalmente na capital paulista, onde a empresa pretende aumentar a capilaridade para que o consumidor encontre uma unidade em seu trajeto diário.

"Tomar café é um hábito recorrente. Capilaridade importa muito para esse negócio."

Além de São Paulo, a empresa volta a investir em cidades estratégicas, como Belo Horizonte — onde abrirá novas unidades na Savassi — e na Zona Sul do Rio de Janeiro, região bastante demandada pelos consumidores nas redes sociais.

Starbucks quer conquistar o café do dia a dia

Embora a marca seja conhecida mundialmente por bebidas como o Caramel Macchiato e os Frappuccinos, a estratégia no Brasil passa por se aproximar do tradicional cafezinho consumido pelos brasileiros.

Depois de pesquisas com consumidores, a empresa alterou inclusive o expresso servido nas lojas brasileiras.

"O expresso daqui foi criado para o paladar do brasileiro."

A Starbucks também lançou uma plataforma dedicada aos cafés brasileiros, incluindo opções como café coado, pingado e bebidas preparadas com grãos nacionais.

No cardápio de alimentos, a adaptação também aparece com itens exclusivos para o mercado brasileiro, como o pão de queijo mineiro com requeijão.

Segundo a executiva, a ideia é equilibrar a identidade global da marca com hábitos locais de consumo.

Crescimento de vendas mesmo em cenário desafiador

A empresa afirma ter acumulado crescimento de 25% nas vendas nos últimos dois anos, resultado obtido mesmo em um ambiente marcado por inflação, juros elevados e menor poder de compra da população.

Para Mariane, o diferencial está na experiência oferecida nas lojas.

Hoje, segundo ela, a Starbucks opera com um NPS de 93%, indicador utilizado para medir a satisfação e a fidelização dos clientes.

"O nosso grande desafio é fazer com que o consumidor brasileiro passe a consumir Starbucks diariamente."

Experiência é diferencial diante da concorrência

Em um mercado cada vez mais competitivo, a Starbucks reconhece que disputa espaço não apenas com cafeterias, mas também com um hábito muito brasileiro: as padarias.

"Padarias fazem parte da cultura de consumo de café do brasileiro."

Por isso, a estratégia é reforçar o conceito de "terceiro lugar", ambiente pensado para que as pessoas trabalhem, estudem, façam reuniões ou simplesmente façam uma pausa entre casa e trabalho.

As novas lojas seguem esse conceito global de “coffee house”, enquanto unidades já existentes passam por reformas para reforçar a experiência.

Inteligência artificial ainda está em fase de testes

A companhia também avalia o uso de inteligência artificial nas operações brasileiras.

Segundo Mariane, há projetos em teste tanto nas lojas quanto nas áreas corporativas da Zamp, controladora da operação.

As iniciativas envolvem análise de fluxo de clientes, otimização de processos e ganhos de eficiência operacional, mas sem substituir o papel dos baristas.

"A bebida continua sendo preparada por um barista. Esse lado artesanal faz parte da essência da marca."

Tarifa sobre o café teve impacto inicial

Questionada sobre o chamado "tarifaço" dos Estados Unidos, Mariane afirmou que a inclusão inicial do café entre os produtos tarifados chegou a gerar preocupação.

"Num primeiro momento, a gente teve impacto."

Segundo ela, a retirada posterior do café da lista reduziu os riscos para a operação global.

A executiva destaca que os Estados Unidos dependem fortemente das exportações brasileiras de café e que entre 40% e 50% do café utilizado pela Starbucks no mundo tem origem no Brasil, dependendo da safra.

Como a Starbucks chegou à Zamp

O atual ciclo de expansão ocorre depois de uma profunda reestruturação da operação brasileira.

Em 2023, a então operadora da Starbucks no país, a SouthRock, entrou com pedido de recuperação judicial, declarando dívidas de R$ 1,8 bilhão. Durante o processo, dezenas de lojas foram fechadas e a continuidade da operação chegou a ser colocada em dúvida após a Starbucks Coffee International rescindir o contrato de licenciamento da marca por inadimplência.

A reestruturação levou à criação da Café Pacífico, empresa responsável pelos ativos da Starbucks no Brasil durante a recuperação judicial. Em 2024, a Zamp — controladora das redes Burger King e Popeyes e que posteriormente também assumiu a operação do Subway — concluiu a compra desses ativos por cerca de R$ 101,8 milhões, incorporando toda a operação da Starbucks ao seu portfólio.

Desde então, a companhia vem investindo na recuperação da marca, reabertura da expansão e adaptação da operação ao mercado brasileiro, estratégia que agora entra em uma nova fase com a abertura de dezenas de novas lojas e a ambição de transformar o Brasil em um dos principais motores de crescimento da Starbucks no mundo.

AutorLayane Serrano
FonteExame
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