Startup brasileira 'tokeniza' US$ 1,8 bilhão em imóveis de luxo nos EUA

Uma startup brasileira está transformando o acesso de investidores latino-americanos ao mercado imobiliário de luxo dos Estados Unidos. Em parceria com a incorporadora americana Vertical Developments, a Mannah digitalizou fundos atrelados a um portfólio de US$ 1,8 bilhão em empreendimentos premium na Flórida, incluindo branded residences de marcas como Armani/Casa, Fendi Casa e Elle Residences Miami.
O modelo permite que investidores institucionais — como family offices e gestoras qualificadas — participem de fundos de alto padrão com processos regulados e acessíveis on-chain via Hathor Network.
Os fundos tokenizados oferecem diferentes estratégias de retorno. O Vertical Bridge Fund atua como dívida sênior, com retorno de 12% ao ano em dólar e ticket mínimo de US$ 50 mil, enquanto o Vertical Performance Fund, voltado a equity, projeta um ROE de 20% a 25%, com ticket inicial de US$ 100 mil.
"Durante muito tempo o mercado tratou a tokenização como uma promessa conceitual. O que está acontecendo agora é diferente. Os ativos são reais, os investidores são institucionais e a distribuição já está acontecendo em ambiente regulado", afirma Pedro Xavier, CEO da Mannah.
Como funciona a tokenização
A tokenização transforma a participação financeira em um ativo real em formato digital. Em vez de depender de contratos físicos e registros tradicionais, os investidores passam a ter cotas digitais em blockchain, o que garante rastreabilidade, registro de participações, negociação em mercado secundário digital e menor burocracia entre países.
"Quem já tem conta nos EUA pode entrar diretamente via token na Stellar, sem pagar IOF de remessa, sem burocracia de escritura e sem esperar seis a 12 meses pela compra tradicional", explica Xavier.
A estrutura também permite negociação em mercado secundário privado, via SDEX, disponível 24 horas, garantindo liquidez aos investidores. Apesar da digitalização, os imóveis permanecem no mundo físico; o que muda é a forma como o capital e a participação são estruturados.
A operação da Mannah é desenhada exclusivamente para investidores qualificados, com distribuição feita por family offices e gestoras. Diferente de cotas de varejo, o nível de due diligence necessário para fundos com imóveis premium — com marcas de luxo e localização estratégica na Flórida — exige sofisticação reconhecida pela regulamentação brasileira.
"O investidor brasileiro qualificado já busca diversificação internacional há anos. Boa parte dos ativos privados globais só era acessível por estruturas complexas e lentas. Esta infraestrutura transforma o acesso institucional internacional em algo mais transparente e eficiente."
O plano da Mannah inclui também expansão para a Europa, com o Somersault Group, operando hotéis e empreendimentos premium em Bélgica e Holanda, totalizando 897 chaves em crédito subordinado com IRR de 12% em euro, também tokenizado na Stellar com liquidação em USDC.
A Mannah segue modelos reconhecidos do mercado institucional. No Vertical Performance Fund, a gestora só recebe participação sobre os ganhos que excedem um retorno mínimo previamente definido. Legalmente, os investidores compram cotas de FIM com gestão fiduciária regulada pela CVM, garantindo que o patrimônio do fundo seja segregado da Mannah e da incorporadora. "Se qualquer uma das empresas enfrentar problemas financeiros, o administrador fiduciário continua operando o fundo de forma independente", afirma Xavier.
A startup não é iniciante em tokenização. Em 2025, já havia digitalizado R$ 1 bilhão em precatórios em parceria com a Hathor e a Acura, considerada a maior operação de RWA da América Latina.
