Startup de CRM investe R$ 25 milhões em IA para crescer vendas
Fundada em 2015, a Ploomes lança o Estúdio IA, que usa inteligência artificial para personalizar o CRM e tornar as operações comerciais mais ágeis

Lançada em 2015, a Ploomes é uma solução de CRM voltada para atender médias empresas. A startup cresceu com foco na personalização e na automação e agora intensifica as soluções com o lançamento do Estúdio IA, que permite que clientes criem, cominteligência artificial, interfaces e fluxos de trabalho personalizados dentro do CRM, sem depender de programação.
“Com a IA, você consegue fazer pequenos softwares muito rápido. Você faz do jeito que quer, com uma velocidade absurda e por conta própria. É hiperflexibilidade, autonomia, economia e velocidade”, diz Matheus Pagani, CEO e fundador da Ploomes.
Entre este e o próximo ano, será investido um total de R$ 25 milhões em inteligência artificial. A expectativa é que o lançamento mantenha a Ploomes na vanguarda das soluções de CRM e garanta visibilidade à empresa.
IA torna CRM mais flexível e personalizado
O lançamento do Estúdio IA veio em um momento em que a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço no mercado.
“Toda nova tecnologia começa pelos early adopters, que são as pessoas mais empolgadas, criativas e dispostas a testar. Quando vimos esse movimento, entendemos que essa demanda seria levada para todo o mercado de software e, mais do que isso, para o mercado como um todo”, diz Pagani.
Essa foi uma das principais motivações para começar a investir em IA dentro da Ploomes. O desenvolvimento das soluções, que começou no início deste ano, se deu por meio de um investimento de R$ 25 milhões, que será distribuído entre 2026 e 2027. “Estamos investindo muito para entregar três pilares às empresas: elas precisam conseguir usar o CRM de forma completa, rápida e flexível, com a cara delas e adaptado ao jeito como trabalham”, afirma.
Na prática, a IA da Ploomes permite que os clientes organizem o design e o software de forma personalizada e acessível.
São quatro frentes principais. O construtor de telas permite gerar telas, dashboards, formulários e miniaplicações a partir de uma descrição em texto, conectadas aos dados reais da empresa e sem necessidade de desenvolvimento.
O integrador permite montar fluxos de automação com inteligência artificial, agentes, aplicativos e ferramentas como Slack, Gmail e outros sistemas. A terceira frente é o CPQ em Branco, que permite a criação rápida de modelos de propostas complexos. A IA lê arquivos da empresa para interpretar regras de precificação e transforma isso em campos que o vendedor precisa preencher para gerar um orçamento de forma rápida e já conectado ao ERP.
Completa o conjunto o Radar Ploomes, que transcreve automaticamente toda interação do vendedor com o cliente. A IA, que já conseguia transcrever chamadas de vídeo desde abril, agora também integra com ligações, WhatsApp, e-mail e calendário, vinculando esses registros aos clientes.
“O que temos no mercado brasileiro até hoje é a inclusão de agentes de IA como assistentes e copilotos, capazes de trazer respostas a partir dos dados inseridos no sistema. O Estúdio IA vai além ao usar automaticamente o contexto de cada cliente para criar as telas, integrar sistemas e executar os processos necessários em cada operação comercial”, diz Pagani.
Visibilidade e tíquete médio
O Estúdio IA será vendido como um plano à parte entre os clientes da Ploomes. A empresa não revela quanto espera crescer ou em quanto o tíquete médio deve aumentar, mas imagina que o lançamento garanta visibilidade à empresa.
“Esperamos ganhar visibilidade e, claro, aumentar o tíquete médio. Mas o principal objetivo é usar o lançamento como uma estratégia de diferenciação para aumentar nosso volume de vendas e nossa taxa de conversão em relação aos concorrentes”, afirma o CEO.
Ele aponta a importância da segurança de dados em relação ao uso de plataformas de IA genéricas e abertas ao público.
O lançamento combina a flexibilidade da inteligência artificial com a estrutura de dados do CRM. As informações dos clientes permanecem armazenadas em uma plataforma preparada para requisitos de segurança e para a LGPD, enquanto a IA é usada para criar interfaces, fluxos e integrações personalizados. Dessa forma, a empresa consegue adaptar o sistema às suas necessidades sem abrir mão de uma infraestrutura estruturada para lidar com grandes volumes de dados.
O que esperar para 2027?
O fundador explica que o planejamento de novos lançamentos está sendo montado trimestralmente. Por isso, ainda não é possível anunciar quais ferramentas serão lançadas com o investimento feito em 2027. A estratégia de planejamento ocorre devido às rápidas mudanças na inteligência artificial.
Os investimentos devem ser feitos em equipes de programadores e no aprimoramento do Estúdio IA. “Estamos caminhando para ser uma plataforma realmente AI first, por isso vamos investir muito em inteligência artificial”, diz.Para Pagani, a adoção de inteligência artificial em estruturas de CRM não substitui o vendedor, apenas proporciona mais tempo para que ele possa se dedicar às estratégias de venda. “O que a gente está construindo aqui é justamente para atender melhor o ser humano que vai vender. As telas customizadas e feitas do zero para a operação daquela empresa permitem que o time de vendas e de pós-vendas trabalhe melhor. Vai sobrar tempo, eles vão ser mais eficientes e poderão usar esse tempo também para se relacionar”, afirma.
