Startup do PR capta R$ 26 mi para escalar no mercado de gestão de riscos
Aporte da Insi Ventures impulsiona a expansão da curitibana Netrin no mercado de compliance e monitoramento de riscos para governança corporativa; empresa projeta receita de R$ 50 milhões em 2028

A curitibana Netrin, especializada em gestão de riscos corporativos envolvendo fornecedores, clientes e parceiros de negócios, recebeu um aporte de R$ 26 milhões da gaúcha Insi Ventures para acelerar sua expansão no mercado brasileiro.
Os recursos serão direcionados à evolução da plataforma, à ampliação da operação comercial e ao desenvolvimento de novas ferramentas de automação, inteligência artificial e monitoramento contínuo.
Fundada em 2020, a Netrin atende atualmente mais de 320 organizações, entre elas Amaggi, Veolia, Ipiranga, Faber-Castell e Braskem. Com o novo ciclo de investimentos, a companhia pretende ampliar sua presença no país, aumentar a capacidade de atendimento a grandes grupos empresariais e alcançar R$ 50 milhões em faturamento até 2028.
A plataforma automatiza processos de homologação, compliance e acompanhamento de riscos relacionados a fornecedores, distribuidores, representantes comerciais, prestadores de serviços e outros parceiros envolvidos nas operações das companhias. A proposta é substituir controles descentralizados, planilhas e análises pontuais por um sistema capaz de reunir informações, cruzar dados e atualizar continuamente o nível de exposição de cada relacionamento comercial.
Na prática, a tecnologia permite acompanhar riscos regulatórios, financeiros, trabalhistas, ambientais e reputacionais, além de ameaças ligadas à segurança da informação. O modelo busca oferecer às empresas uma visão mais ampla de sua rede de terceiros e antecipar vulnerabilidades antes que provoquem interrupções, prejuízos ou danos à imagem.
Segundo Caciporé Valente, CEO da Netrin, a transformação desse mercado ocorre porque os riscos corporativos deixaram de estar concentrados apenas dentro das organizações. Falhas de fornecedores, vazamentos de dados, descumprimento de normas ou dificuldades financeiras de parceiros podem afetar diretamente a operação e gerar consequências jurídicas, financeiras e reputacionais.
“Nos mercados mais maduros, vemos a substituição de processos isolados por plataformas integradas, capazes de combinar automação, inteligência artificial e monitoramento contínuo. Nosso objetivo é trazer essa evolução para o Brasil e transformar a gestão de riscos em uma capacidade estratégica de negócio”, afirma Valente.
Risco ultrapassou muros
O movimento acompanha o avanço global do Third-Party Risk Management (TPRM), expressão utilizada para definir o gerenciamento das ameaças associadas a terceiros. O conceito reúne práticas voltadas à identificação, avaliação e controle de riscos relacionados a empresas ou profissionais que mantêm algum tipo de vínculo comercial com uma organização.
Essa frente ganhou relevância com o avanço da terceirização, a expansão das cadeias globais de suprimentos e o aumento das exigências relacionadas à privacidade de dados, segurança cibernética, sustentabilidade, continuidade operacional e conformidade regulatória. Quanto maior a rede de parceiros, maior também é a possibilidade de que um problema externo alcance diretamente o funcionamento de uma companhia.
Em mercados como Estados Unidos e Europa, a gestão de riscos de terceiros já integra as estratégias de governança das grandes corporações. No Brasil, porém, parte das organizações ainda administra essas informações de forma fragmentada, com dados distribuídos entre áreas como compras, jurídico, auditoria, compliance, tecnologia e segurança da informação.
Segundo levantamento da Deloitte citado pela Netrin, apenas 7% das empresas brasileiras possuem uma estrutura de gerenciamento de riscos considerada integrada e eficiente. O dado ajuda a dimensionar o espaço de crescimento para plataformas capazes de centralizar informações, automatizar processos e oferecer uma leitura contínua das vulnerabilidades presentes nas cadeias empresariais.
Para a Insi Ventures, braço de corporate venture capital da empresa de tecnologia Insi, o tema deve ocupar espaço crescente na agenda corporativa nos próximos anos. O investimento na Netrin ocorre diante do potencial de expansão de um segmento pressionado por novas regulações, pelo avanço das práticas de governança e pela necessidade de acompanhamento permanente das redes de fornecedores.
“A Netrin construiu uma posição diferenciada em um mercado com enorme potencial de crescimento. A combinação entre tecnologia, especialização e capacidade de execução coloca a empresa em posição privilegiada para liderar a evolução desse segmento no Brasil”, afirma Claudio Carrara, vice-presidente da Insi.
Além de financiar o desenvolvimento tecnológico, o aporte deverá apoiar o aumento da escala da operação e a incorporação de novas capacidades à plataforma. A companhia pretende ampliar o uso de inteligência artificial na análise de dados e na identificação de padrões que possam sinalizar alterações no perfil de risco de fornecedores, clientes e parceiros.
A tecnologia poderá ainda reduzir o tempo gasto pelas equipes internas na coleta, organização e verificação de informações. Ao automatizar etapas operacionais, a expectativa é permitir que profissionais de compliance, auditoria e governança concentrem esforços nas decisões estratégicas e nos casos considerados mais críticos.
A Netrin vem fortalecendo, paralelamente, sua aproximação com fóruns internacionais dedicados ao gerenciamento de riscos de terceiros. Recentemente, a empresa participou de iniciativas promovidas pelo Center for Financial Professionals (CeFPro) e pela Third Party Risk Association (TPRA), entidades que reúnem executivos e especialistas voltados ao desenvolvimento de melhores práticas no setor.
A conexão com essas organizações faz parte da estratégia de acompanhar tendências adotadas em mercados mais maduros e adaptá-las ao ambiente regulatório e empresarial brasileiro. Para a companhia, a expansão dependerá não apenas da evolução tecnológica, mas da capacidade de mostrar que o controle de terceiros pode reduzir perdas, proteger operações e melhorar a tomada de decisões.
