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NegóciosMPOL
06/07/2026
6 min

Startup pernambucana usa música para impulsionar vendas e já atende marcas globais

Startup pernambucana usa música para impulsionar vendas e já atende marcas globais

A música ambiente de uma loja pode influenciar o tempo de permanência do consumidor e até a decisão de compra. Apostando nesse potencial ainda pouco explorado pelo varejo, André Domingues fundou a Musique, em 2016.

"As empresas investem milhões em arquitetura, iluminação, treinamento e marketing, mas muitas vezes ignoram aquilo que o cliente escuta durante toda a experiência de compra. A música também comunica a identidade da marca e influencia o comportamento do consumidor”, diz Domingues, fundador e CEO da Musique.

Depois de conquistar pequenos clientes em Recife e dedicar os primeiros anos à educação do mercado, a startup passou a atender grandes marcas nacionais e globais, como Ri Happy, Volvo e BMW.

Após faturar R$ 2 milhões em 2025, a empresa projeta quadruplicar de tamanho nos próximos 12 meses. Na mira, estão a expansão no varejo e o fortalecimento da estratégia baseada em músicas autorais.

Qual é a história da Musique

Músico e formado em Administração de Empresas, Domingues decidiu unir suas duas especialidades para apostar no empreendedorismo.

A percepção de que a experiência sonora era negligenciada pelas empresas deu origem ao negócio. Em vez de tratar a música apenas como som ambiente, o empreendedor enxergou a possibilidade de transformá-la em uma ferramenta estratégica para fortalecer a identidade das marcas, melhorar a experiência do consumidor e impulsionar resultados.

"Quando a comunicação sonora acontece no momento certo, para o público certo e no lugar certo, ela contribui para aumentar as vendas e tornar a experiência de compra mais eficiente”, diz.

Ao lado do sócio Renato Alves, da área de tecnologia, eles somaram conhecimentos para criar a plataforma da startup.

"Três meses depois já tínhamos a primeira versão do produto pronta. Começamos validando a solução com amigos e familiares que tinham negócios. Minha tia foi nossa primeira cliente”, afirma Domingues.

A atuação se concentrou inicialmente em clientes de Recife, onde construiu uma carteira formada por clínicas, concessionárias, lojas de shopping e hospitais. O impacto positivo das primeiras implementações, aliado às recomendações dos próprios clientes, fortaleceu a credibilidade da startup e abriu caminho para contratos com grandes empresas.

A partir daí, a empresa ampliou sua presença para todo o Brasil e, posteriormente, passou a atender operações internacionais de forma orgânica.

O primeiro grande salto veio em 2018, quando a startup fechou contrato com a Volvo. Inicialmente restrita às concessionárias brasileiras, a parceria foi expandida para operações da montadora na América Latina e, posteriormente, na Ásia. O contrato fortaleceu a credibilidade da empresa e abriu caminho para novos clientes do setor automotivo, como a BMW.

O desafio de educar o mercado

Nos primeiros anos de operação, a Musique precisou superar um desafio que ia além da tecnologia: convencer o mercado de que a música poderia ser um ativo estratégico para o varejo. A percepção predominante era de que bastava reproduzir uma playlist para criar um ambiente agradável, sem considerar o impacto da trilha sonora na experiência do consumidor e nos resultados do negócio.

A estratégia incluiu palestras, produção de conteúdo e apresentação de estudos sobre a influência da música no comportamento de compra, além de cases desenvolvidos com os primeiros clientes da empresa.

Dados da empresa apontam aumento de 9% no tempo de permanência dos clientes nas lojas e crescimento de até 20% nas vendas de produtos anunciados por meio do áudio inteligente.

"Era um trabalho de educar o mercado. Publicava artigos, produzia conteúdo e mostrava cases porque as empresas ainda não entendiam que a música podia influenciar a experiência do cliente e até os resultados da operação", afirma.

O esforço de conscientização abriu espaço para a conquista de grandes marcas. À medida que os primeiros contratos foram sendo fechados e os resultados passaram a aparecer, a empresa ganhou credibilidade e reduziu a resistência de novos clientes.

"Depois que uma grande marca adotava a solução, ficava mais fácil conversar com outras empresas do mesmo segmento. Os cases passaram a falar por nós", diz Domingues.

Crescimento concentrado no varejo

Após faturar R$ 2 milhões em 2025, a Musique projeta quadruplicar de tamanho nos próximos 12 meses.

A aposta para alcançar esse resultado é ampliar a presença no varejo, segmento que concentra a maior parte da carteira de clientes da startup e onde a empresa acredita ter maior potencial de expansão. Em vez de diversificar para novos mercados, como hotelaria ou academias, a estratégia é aprofundar a atuação em setores nos quais já acumula experiência e casos de sucesso.

A conquista de uma grande marca serve como credencial para abrir negociações com concorrentes do mesmo mercado, reduzindo a resistência de novos clientes. "Foi assim quando fechamos com a Volvo. Depois ficou mais fácil conversar com a BMW e outras montadoras. Agora estamos vendo o mesmo movimento acontecer no varejo de moda", afirma.

Hoje, a startup atende redes como Marisa e Ri Happy e também acompanha a expansão internacional de clientes, caso da Volvo, que levou a solução desenvolvida no Brasil para operações na América Latina e na Ásia.

Músicas autorais ganham espaço na estratégia

Além da expansão comercial, a empresa aposta na produção de músicas autorais como um dos principais pilares da estratégia de crescimento. A proposta vai além da seleção de faixas disponíveis nas plataformas de streaming.

A empresa mantém uma equipe de compositores responsável por desenvolver canções inéditas que traduzam a identidade de cada cliente e possam ser utilizadas em campanhas promocionais, lançamentos de produtos e outras ações de comunicação dentro das lojas.

A iniciativa faz parte da estratégia de oferecer experiências sonoras cada vez mais personalizadas. Para ampliar essa capacidade de produção, a startup incorporou ferramentas de inteligência artificial ao processo criativo.

O modelo também reduz um dos principais custos operacionais de grandes redes: o pagamento de direitos autorais pela execução pública de músicas comerciais. Como detém os direitos patrimoniais sobre essas composições, a startup licencia o catálogo diretamente aos clientes, dispensando o pagamento de direitos autorais sobre essas obras.

"Grandes empresas varejistas chegam a pagar entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões por ano em direitos autorais de música ambiente. É um custo fixo que o varejo nunca conseguiu driblar. Com o nosso modelo, conseguimos anular esse custo já no primeiro dia de contrato”, diz.

Apesar do potencial de redução de custos, o modelo ainda enfrenta resistência. O principal desafio da empresa é demonstrar ao mercado que a solução possui respaldo jurídico. Boa parte do trabalho comercial envolve reuniões com departamentos jurídicos para esclarecer como funciona o modelo e comprovar sua segurança legal.

"Muitas empresas nunca ouviram falar dessa possibilidade. Precisamos explicar que existe uma estrutura contratual e um modelo previsto na Lei de Direitos Autorais que permite licenciar essas obras de forma legal", afirma.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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