Startups chinesas de robôs passam de US$ 2,9 bi e aceleram disputa com Tesla e Figure AI

Duas startups chinesas de robótica, empresas emergentes do setor, foram avaliadas em mais de 20 bilhões de yuans cada uma, o equivalente a mais de US$ 2,9 bilhões, após novas rodadas de financiamento. O movimento mostra a continuidade do interesse de investidores por robôs humanoides e reforça a tentativa da China de competir com companhias americanas como Tesla e Figure AI.
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A AI² Robotics afirmou ter levantado quase 5 bilhões de yuans, ou US$ 736 milhões. Já a X Square Robot, apoiada pela Alibaba Group Holding, disse ter concluído rodadas consecutivas de captação, mas não informou o valor obtido. Com isso, as duas empresas passaram a integrar um grupo restrito em um mercado chinês considerado disputado e ainda em consolidação.
Empresas do setor de robótica na China já captaram ao menos 46 bilhões de yuans neste ano, superando o total investido em todo o ano passado, segundo dados da ITjuzi, plataforma de monitoramento sediada em Pequim. O dinheiro vem de fundos de venture capital, braço de investimento em empresas de alto crescimento, montadoras e fundos ligados ao Estado.
Mais de 140 companhias chinesas atuam hoje no setor, desenvolvendo tecnologias para uso em fábricas e outros ambientes de trabalho. A aposta dos investidores é que modelos de inteligência artificial aplicados à robótica tornem os humanoides produtivos o suficiente para justificar seus custos.
China busca liderança em IA física
A corrida por investimentos ocorre enquanto grandes fabricantes chineses de robôs se preparam para abrir capital. A Unitree Robotics, sediada em Hangzhou, recebeu no início de junho aval de Pequim para realizar uma IPO, oferta pública inicial de ações, de 4,2 bilhões de yuans em Xangai.
A empresa lidera uma fila de estreias em Bolsas chinesas continentais e também em Hong Kong. O avanço faz parte de uma estratégia mais ampla da China para ganhar escala em financiamento, produção industrial e liderança no que Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, chama de physical AI, ou IA física.
O foco principal dos aportes neste ano tem sido o desenvolvimento de modelos de IA para robôs, área vista como decisiva para transformar humanoides em máquinas úteis em escala industrial. Essa tecnologia é considerada central para que os robôs deixem de ser protótipos caros e passem a substituir parte do trabalho humano em linhas de produção e serviços.
A X Square Robot informou que recebeu recursos da IDG e de investidores que já estavam na companhia, como HSG, antigo nome da Sequoia China, e Xiaomi. A empresa também tem apoio de grupos como Alibaba, ByteDance e Meituan.
A AI² Robotics, por sua vez, captou recursos de investidores estatais da província de Guangdong e de empresas chinesas como Sino Biopharmaceutical, Kweichow Moutai e China Merchants Capital, segundo o veículo local Jiemian. A companhia pretende iniciar em breve a construção de uma fábrica capaz de produzir dezenas de milhares de robôs humanoides por ano.
