Stoxx 600: Por que a bolsa europeia está renovando recordes em 2026?
Empresas ligadas à IA lideram ganhos, enquanto luxo e carros ficam para trás na Europa

A bolsa europeia atingiu um novo recorde em 2026, mas o movimento não veio de uma alta generalizada entre as empresas. O índice Stoxx 600 fechou o pregão da terça-feira, 4, aos 656,86 pontos, com avanço de 0,7%, impulsionado por companhias ligadas à inteligência artificial (IA), bancos e energia.
O índice reúne 600 empresas de grande, média e pequena capitalização de 17 países europeus e acumula valorização de cerca de 10% em 2026. O desempenho, porém, revela uma divisão clara entre setores que se beneficiam do atual cenário e aqueles que continuam enfrentando dificuldades.
A corrida da IA coloca chips no centro do rali
A expansão da IA se tornou um dos principais temas para investidores europeus em 2026, segundo informações divulgadas pela CNBC. As cinco ações com maior valorização no Stoxx 600 neste ano estão ligadas à indústria de semicondutores.
A Soitec acumula alta de 371%, enquanto AT&S sobe 330%, Technoprobe avança 123%, Aixtron ganha 116% e STMicroelectronics registra valorização de 101%.
O desempenho dessas companhias foi favorecido por revisões positivas de lucros e pelo aumento do interesse dos investidores em empresas expostas ao crescimento da infraestrutura da IA.
Diretor de investimentos da AJ Bell, Russ Mould vê que preços mais fortes, grandes carteiras de pedidos e expectativas de possíveis restrições de oferta na cadeia de semicondutores têm ajudado a sustentar as perspectivas do setor, "levando alguns a acreditar que os velhos tempos de ciclos de expansão e retração ficaram para trás."
Nas últimas semanas, no entanto, parte desse movimento perdeu força. As ações da AT&S e da Aixtron recuaram mais de 20% desde os picos registrados em meados de junho, em meio à maior cautela do mercado com o ritmo dos investimentos em IA.
Bancos europeus ganham força
A valorização das ações financeiras é outro elemento importante para entender o desempenho da bolsa europeia neste ano. O índice Euro Stoxx Banks acumula alta de 18% em 2026 devido, principalmente, aos bancos franceses e italianos envolvidos em uma onda de fusões e aquisições.
Entre as instituições que aparecem entre os destaques estão Mediobanca, BNP Paribas e ABN AMRO. Esse ambiente atual tem favorecido os grandes bancos com inadimplência controlada, margens de juros ainda sustentadas e maior movimentação nos mercados de ações, renda fixa, câmbio e commodities.
Setor de energia vai bem, o de luxo não
A alta dos preços do petróleo após a escalada da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã ajudou as grandes petroleiras a ampliar resultados. A BP, por exemplo, reportou forte crescimento do lucro no segundo trimestre e acumula valorização de cerca de 20% nas ações em 2026.
Mas o recorde do Stoxx 600 não representa uma melhora uniforme para todos os segmentos da economia europeia. As empresas de luxo continuam pressionadas pela desaceleração das vendas na China, pela redução dos gastos de turistas e pelas avaliações elevadas acumuladas nos últimos anos.
Entre as principais companhias do setor, a LVMH recua 24,4% em 2026, enquanto Hermès cai 26% e Kering registra baixa de 8,3%.
No setor automotivo, a situação permanece desafiadora. O índice Stoxx Autos acumula queda de 16% no ano, com a menor demanda por veículos elétricos, a perda de participação para fabricantes chinesas e os custos mais altos de financiamento, que mantêm as montadoras sob pressão.
Porsche AG e Stellantis estão entre os piores desempenhos, com recuos de 27,6% e 48,7%, respectivamente.
