Sucessor de Buffett abre os cofres da Berkshire Hathaway e compra US$ 23,5 bi em ações
No segundo trimestre de 2026, o lucro da companhia mais que dobrou e chegou a US$ 25,67 bilhões

O lucro da Berkshire Hathaway mais que dobrou no segundo trimestre, para US$ 25,67 bilhões. No período, a companhia também voltou a comprar mais ações de outras empresas do que vendeu, acelerou as recompras de papéis próprios e fechou uma aquisição bilionária no setor de construção civil.
O resultado marca um movimento raro para os padrões recentes da companhia. É a primeira vez em mais de três anos que a Berkshire aparece como compradora líquida de ações.
O conjunto de números é lido pelo mercado como o primeiro sinal concreto de que Greg Abel, sucessor de Warren Buffett no cargo de CEO, está disposto a usar a montanha de caixa acumulada pela companhia nos últimos anos.
Lucro da Berkshire mais que dobra
O lucro líquido da Berkshire chegou a US$ 25,67 bilhões ou US$ 17.868 por ação Classe A. Um ano antes, o montante era de US$ 12,37 bilhões ou US$ 8.601 por ação. Já o lucro operacional subiu 16,3% na base anual, alcançando US$ 12,98 bilhões.
O caixa da Berkshire, que vinha em trajetória praticamente ininterrupta de alta, caiu no trimestre encerrado em 30 de junho pela primeira vez, sequencialmente, em quatro anos. A companhia tinha US$ 365,5 bilhões em caixa, uma redução de 8% frente aos US$ 397,4 bilhões em 31 de março.
O Wall Street Journal chegou a um número um pouco diferente para o caixa total, de US$ 364,7 bilhões, após contabilizar um valor a pagar referente à compra de parte da dívida de curto prazo do governo americano. O cálculo representaria uma queda de 4% em relação a três meses antes.
Recompras ficam abaixo do esperado
Parte do dinheiro gasto por Abel foi destinada à recompra de ações da própria Berkshire. A companhia recomprou 478 ações Classe A e mais de oito milhões de ações Classe B em maio e junho, em um desembolso de cerca de US$ 4,5 bilhões.
O valor ficou abaixo da estimativa da Barron's, que projetava algo entre US$ 5 bilhões e US$ 11 bilhões, e também aquém da previsão de US$ 8,5 bilhões feita pelo analista Brian Meredith, do UBS, de acordo com a CNBC. A Barron's estima que a companhia tenha gasto outros US$ 3,4 bilhões em recompras já em julho.
A analista da CFRA Research, Cathy Seifert, avalia que o movimento tende a ser bem recebido pelos acionistas. Em entrevista à Bloomberg, ela disse que "as pessoas vão se sentir animadas com as recompras de ações. É também a maneira de o Greg assumir o comando e afirmar sua posição."
Gestor de portfólio da Gabelli Funds, Macrae Sykes segue na mesma linha e afirmou à CNBC que "a recompra significativa de ações transmite aos acionistas a confiança de que alguns dos melhores alocadores de capital corporativo enxergam valor no patamar atual."
O que mais a Berkshire comprou?
A companhia pagou US$ 6,8 bilhões pela construtora de imóveis Taylor Morrison Home e investiu US$ 10 bilhões em ações da Alphabet, controladora do Google. No total, a Berkshire comprou US$ 23,5 bilhões em ações de outras empresas no trimestre e vendeu US$ 3,7 bilhões, um saldo líquido positivo de US$ 20 bilhões.
É a primeira vez em 14 trimestres que a companhia aparece como compradora líquida de ações. Alphabet, American Express, Apple, Bank of America e Coca-Cola seguem como as maiores posições do portfólio.
A Berkshire deve detalhar mais a composição da carteira em um documento regulatório na semana que vem.
Para o gestor Paul Lountzis, presidente da Lountzis Asset Management e acionista da Berkshire, o momento escolhido por Abel para acelerar os investimentos chama atenção pela euforia do mercado. "Os mercados privados estão uma loucura, e os mercados públicos também estão meio ridículos."
Ação da Berkshire sobe no ano
As ações Classe A da Berkshire (BRKa) fecharam a sexta-feira, 7, a US$ 780.086, com alta de 3,4% no acumulado do ano. O papel ainda está 3,6% abaixo do recorde de US$ 809.350, atingido em maio de 2025, dias antes de Buffett anunciar a própria aposentadoria.
