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25/07/2026
6 min

Summit Mulheres nas Profissões: 'Não é só um evento, é um movimento', diz Trajano

Summit Mulheres nas Profissões: 'Não é só um evento, é um movimento', diz Trajano

“Apesar do avanço da participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres ainda seguem sub-representadas nos cargos de alta liderança”, diz Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e presidente do Grupo Mulheres do Brasil, que diante desse cenário decidiu criar o primeiro Summit Mulheres nas Profissões.

O evento foi criado pelo Grupo Mulheres do Brasil que pretende reunir profissionais de diferentes áreas nos dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. A proposta, segundo Trajano, é transformar o encontro em um movimento para ampliar a presença feminina em posições de decisão até 2030.

"Percebemos que houve um avanço importante das mulheres nos últimos anos, mas ainda existe um grande buraco quando olhamos para os cargos de alta liderança nas empresas. Agora é hora de dar um novo salto", afirma Trajano, em entrevista à EXAME.

A expectativa é reunir milhares de participantes (mulheres e homens) de diferentes áreas em uma programação distribuída por oito palcos simultâneos, com conteúdo voltado para educação, saúde, agronegócio, tecnologia, empreendedorismo, moda, gastronomia, arte e serviços gerais.

Além das palestras, haverá mentorias, orientação para elaboração de currículo, treinamentos sobre LinkedIn e redes sociais, demonstrações de inteligência artificial, recrutadores e empresas de seleção.

IA, currículo e profissões do futuro

Um dos focos do encontro será discutir como a inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho.

Segundo Trajano, reitores de universidades participarão de debates sobre as profissões do futuro e os impactos da IA na empregabilidade. Também haverá espaços dedicados aos jovens, com especialistas ensinando desde a construção de currículos até o uso profissional das redes sociais.

"O emprego pós-inteligência artificial está gerando insegurança no mundo inteiro. Por isso vamos reunir universidades, empresas e especialistas para discutir quais serão as competências necessárias daqui para frente", diz.

Evento quer incluir todas as mulheres

Diferentemente de encontros voltados apenas para executivas, o Summit pretende atrair mulheres de diferentes níveis de escolaridade, renda e profissão.

"A gente não acha que profissão é só empresária ou advogada. Se você trabalha em serviços gerais, é manicure ou cozinheira, você também tem uma profissão. Nunca deixamos nenhuma camada da população de fora", afirma Trajano.

Segundo ela, haverá conteúdos específicos para profissionais operacionais, além de um espaço infantil para que mães possam participar da programação levando seus filhos.

Luiza Trajano, do Magalu: "Mais do que participar de um evento, cada uma estará ajudando a construir um país melhor para as próximas gerações" (Leandro Fonseca /Exame)

Meta é chegar a 50% de mulheres na liderança até 2030

Mais do que um evento, Trajano afirma que o Summit será o ponto de partida para um plano estratégico do Grupo Mulheres do Brasil.

A organização pretende realizar pesquisas sobre a participação feminina em setores como agronegócio, saúde, educação, tecnologia, artes e imprensa. Com base nesses dados e nas discussões realizadas durante o encontro, será elaborado um planejamento para ampliar a presença das mulheres em cargos de decisão.

A meta é elevar essa participação para 50% até 2030.

"Não é só um summit. É um movimento. Vamos ouvir as mulheres, entender onde estão os gargalos e construir um planejamento com metas, avaliação e prestação de contas", afirma.

Trajano lembra que avanços recentes, como a ampliação da presença feminina em conselhos de administração, mostram que o país evoluiu, mas ainda há um longo caminho.

"Quando comecei essa discussão, havia cerca de 5% de mulheres nos conselhos. Hoje já avançamos, mas ainda estamos longe do equilíbrio."

Magalu também ampliou diversidade

A empresária afirma que o Magazine Luiza buscou implementar internamente a diversidade antes mesmo de liderar movimentos nacionais.

Segundo ela, algumas áreas da companhia já superaram a marca de 50% de mulheres em cargos de liderança, enquanto outras permanecem próximas de 40%.

"Eu não poderia liderar um movimento como esse se a empresa não fosse exemplo. Diversidade sempre foi um valor dentro do Magazine Luiza e acreditamos que ela impulsiona também a inovação", afirma.

Uma das iniciativas da Magalu também envolve mulheres empreendedoras. A comunidade Seller Mulheres de Negócios, foi criada em maio do ano passado para conectar empresárias.  Segundo Trajano, a iniciativa já reúne mais de 3 mil participantes, que trocam experiências sobre gestão, fluxo de caixa, vendas e crescimento dos negócios.

"Percebemos que comunidade digital é muito mais do que treinamento. Uma mulher ajuda a outra. Elas compartilham dificuldades, soluções e oportunidades de crescimento", afirma.

Escala 6x1: Trajano defende debate sem radicalismos

Questionada sobre a proposta de revisão da jornada de trabalho 6x1, tema que ganhou força no debate público nos últimos meses, Luiza Helena Trajano afirmou que a discussão precisa considerar tanto a qualidade de vida dos trabalhadores quanto os impactos para a produtividade das empresas.

Na avaliação da empresária, a pandemia mudou a forma como as pessoas enxergam o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mas qualquer mudança deve ser construída com diálogo.

"Hoje as pessoas querem ter mais tempo livre para ficar com a família, principalmente depois da Covid. Mas também não pode prejudicar a produção. Não sou radicalmente contra nem radicalmente a favor. Acho que precisamos discutir isso com toda a sociedade", afirma.

Como participar?

O ingresso custa R$ 100 pelos dois dias e pode se inscrever no site do evento. De acordo com a empresária, o valor simbólico foi adotado para reduzir o índice de inscrições de pessoas que acabam não comparecendo.

"Um summit desse normalmente custa milhares de reais. Estamos cobrando apenas uma taxa para garantir o compromisso de quem se inscreve", afirma.

Prêmio do rei da Espanha aumenta responsabilidade

Durante a entrevista, Trajano também comentou o reconhecimento recebido das mãos do rei Felipe VI, da Espanha, durante um evento internacional de tecnologia. Segundo ela, a homenagem foi marcante, mas veio acompanhada de um sentimento ainda maior de responsabilidade.

"Quando recebo um prêmio como esse, não penso apenas em mim. Penso que estou representando um grupo enorme de mulheres que me ajudaram a chegar até aqui e que esperam que outras também tenham essa oportunidade", afirma.

Para a empresária, o reconhecimento reforça seu compromisso de abrir espaço para novas lideranças femininas.

"Quanto mais mulheres conseguirmos colocar nessas posições, mais estaremos construindo um país mais justo", diz.

É com esse pensamento que foi criado o Summit Mulheres nas Profissões, que promete ser mais uma iniciativa para ajudar mais mulheres a entenderem onde estão e onde podem chegar.

"Vai ser um lugar para todas as mulheres, de todas as profissões e de todas as camadas da população. Mais do que participar de um evento, cada uma estará ajudando a construir um país melhor para as próximas gerações."

Veja também: entrevista de Luiza Helena Trajano sobre carreira, liderança e negócios no podcast "De frente com CEO", da EXAME:

AutorLayane Serrano
FonteExame
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