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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
16/07/2026
4 min

Super Agro 2026: transição energética no agro avança do discurso ambiental à decisão financeira

Super Agro 2026: transição energética no agro avança do discurso ambiental à decisão financeira

A transição energética vem ganhando espaço nas estratégias doagronegócio brasileiro. O avanço dos biocombustíveis, o desenvolvimento do mercado de carbono e as exigências de sustentabilidade impostas por compradores internacionais fizeram com que o tema deixasse de ser associado apenas à preservação ambiental e passasse a influenciar decisões de investimento e expansão dos negócios.

Esse cenário estará entre os principais debates do Super Agro 2026, evento promovido pela EXAME em 11 de agosto, em São Paulo, que reunirá representantes do agronegócio, indústria, governo, investidores e empresas de tecnologia para discutir os desafios e as oportunidades do setor.

Brasil reúne condições para ampliar protagonismo

O Brasil é apontado como um dos países com maior potencial para liderar essa transformação. Além da disponibilidade de terras agricultáveis, o país possui clima favorável, capacidade de produzir mais de uma safra por ano em grande parte do território e uma base consolidada de pesquisa agrícola, fatores que ampliam a oferta de matérias-primas para combustíveis renováveis.

Entre os principais insumos estão a cana-de-açúcar, a soja e o milho, utilizados na produção de etanol, biodiesel e outros combustíveis de baixa emissão de carbono.

Para Filipe Alvarez de Oliveira, diretor de Sustentabilidade da UBRABIO (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) e palestrante confirmado noSuper Agro 2026, a combinação entre recursos naturais e tecnologia representa uma vantagem competitiva para o país.

"A gente tem terra, tem sol, tem capacidade de produzir duas safras por ano na maior parte do território, tem tecnologia e tem conhecimento. Esse é o nosso principal trunfo."Filipe A. de Oliveira

SAF amplia oportunidades, mas exige investimentos elevados

Entre as apostas da transição energética está o SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável para aviação produzido a partir de matérias-primas renováveis, como soja e cana-de-açúcar. A alternativa é considerada estratégica para reduzir as emissões do transporte aéreo e pode ampliar a demanda por produtos do agronegócio brasileiro.

Apesar do potencial, a produção em larga escala ainda enfrenta barreiras. Segundo Alvarez, a construção de uma planta dedicada ao SAF pode exigir investimentos entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, o que torna a expansão do setor dependente da disponibilidade de capital e de políticas que incentivem novos projetos.

Tecnologia abre novas fronteiras para a produção

A capacidade de adaptação da agricultura brasileira também é apontada como um diferencial para a transição energética.

Há poucas décadas, o Cerrado era considerado inadequado para o cultivo agrícola devido às características do solo. O avanço da pesquisa permitiu o desenvolvimento de técnicas que transformaram a região em uma das principais áreas produtoras de grãos do mundo, com destaque para o Mato Grosso, líder nacional na produção de soja.

Movimento semelhante ocorre em outras regiões. Pesquisas avaliam, por exemplo, o cultivo de agave, planta resistente à seca, para a produção de etanol em áreas de caatinga, ampliando as possibilidades de aproveitamento de regiões com menor disponibilidade hídrica.

ESG e mercado de carbono entram na lógica dos investimentos

A incorporação de critérios ESG — sigla para práticas ambientais, sociais e de governança — também vem alterando a forma como projetos do agronegócio são avaliados por investidores e instituições financeiras.

Além dos aspectos relacionados à reputação, fatores como emissões de carbono, rastreabilidade e gestão ambiental passaram a integrar análises de risco e podem influenciar o acesso a crédito e investimentos.

Nesse contexto, o mercado de carbono ganha relevância ao permitir que empresas monetizem iniciativas voltadas à redução ou compensação de emissões, criando novas possibilidades de geração de receita e agregação de valor às cadeias produtivas.

Segundo Alvarez, esse movimento representa uma mudança de perspectiva em relação ao debate observado anos atrás:

"Existem oportunidades reais de negócio, de ganhar dinheiro, no mercado de carbono e na transição energética. Só que elas ainda não estão numa prateleira, de forma consolidada e fácil de acessar."

Debate será destaque no Super Agro 2026

As transformações provocadas pela transição energética estarão entre os cerca de 20 painéis do Super Agro 2026, que abordará temas como biocombustíveis, agricultura regenerativa, rastreabilidade digital, inovação, mudanças climáticas e competitividade do agronegócio.

Durante o evento, Filipe Alvarez de Oliveira deve aprofundar a discussão sobre o papel dos combustíveis renováveis, do mercado de carbono e das oportunidades que surgem à medida que a sustentabilidade passa a integrar as decisões econômicas do setor.

Interessados podem registrar o interesse em participar por meio da página oficial do Super Agro 2026.

AutorBianca Bezerra Pinto
FonteExame
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