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Mundo
12/06/2026
4 min

Surto de Ebola se espalha pelo Congo e tem 'escala muito maior', diz OMS

Surto de Ebola se espalha pelo Congo e tem 'escala muito maior', diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira, 12, que osurto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está avançando para novas regiões do nordeste do país e tem uma dimensão maior do que a registrada até agora.

Desde a declaração oficial da epidemia, em 15 de maio, foram confirmados 676 casos da doença, incluindo 136 mortes.

Além dos casos confirmados, a OMS contabiliza outros 119 casos suspeitos e 32 pacientes recuperados. O surto é causado pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, uma cepa rara para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.

A província de Ituri, no nordeste da RDC, continua sendo o principal foco da doença, mas novos registros também foram identificados nas províncias de Kivu Norte e Kivu Sul. Segundo a OMS, o vírus passou a aparecer em novas zonas de saúde quase diariamente.

“O surto continua se expandindo tanto em número de casos quanto em disseminação geográfica”, afirmou Olivier le Polain, chefe de epidemiologia e análise de resposta da OMS, durante entrevista à AFP.

Transmissão comunitária aumenta e capacidade de isolamento é limitada

Segundo Le Polain, inicialmente muitos dos novos casos identificados em áreas diferentes estavam relacionados a deslocamentos de pessoas a partir de regiões já afetadas.

Agora, porém, a organização passou a observar transmissão dentro das próprias comunidades. “Isso reflete realmente a escala deste surto: uma escala muito maior do que a que está sendo detectada, e a alta mobilidade da população”, afirmou o epidemiologista.

A OMS também alertou para dificuldades no rastreamento de contatos de pessoas infectadas. Atualmente, pouco mais de 70% dos contatos estão sendo acompanhados de forma adequada. É um avanço em relação às semanas anteriores, mas ainda insuficiente para garantir o controle da transmissão.

Outro desafio é a estrutura disponível para receber pacientes. As províncias afetadas possuem atualmente cerca de 250 leitos de isolamento, número considerado abaixo da necessidade projetada pela OMS diante do ritmo de expansão do surto.

“Você pode ampliar a vigilância, mas, se não tiver espaço para colocar os pacientes com segurança, fica muito difícil”, disse Le Polain.

Crianças podem ser mais afetadas nas próximas semanas

A agência da ONU para a infância, UNICEF, alertou para uma possível alta no número de casos entre crianças, principalmente por causa da transmissão dentro das famílias.

Douglas Noble, gerente global de incidentes da UNICEF para Ebola, afirmou que, na província de Ituri, mais da metade das crianças menores de cinco anos sofre de desnutrição crônica, o que aumenta a vulnerabilidade desse grupo.

“À medida que o surto evolui, devemos estar preparados para um aumento da transmissão doméstica, o que significa que podemos ver mais crianças afetadas nos próximos dias”, afirmou à AFP.

O avanço da doença também ultrapassou as fronteiras da RDC. Uganda registrou 19 casos confirmados, incluindo duas mortes.

A agência de saúde da União Africana afirmou que a situação no país está sob controle. A OMS classifica o risco do surto como muito alto dentro da RDC, alto em Uganda e em países vizinhos que compartilham fronteiras terrestres com os dois países.

Surto ocorre em região marcada por conflitos e deslocamentos

A atual epidemia preocupa autoridades de saúde porque ocorre em uma região que já enfrenta instabilidade, conflitos armados e grandes deslocamentos populacionais.

Segundo dados apresentados pelo New York Times, os maiores surtos de Ebola da história foram agravados justamente pela combinação entre áreas urbanas densamente povoadas, conflitos e dificuldades de acesso para equipes de saúde.

A epidemia que atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016 registrou mais de 28 mil casos e cerca de 11 mil mortes.

O surto registrado no leste da RDC a partir de 2018 também enfrentou desafios semelhantes. A doença levou dois anos para ser controlada e causou cerca de 2.300 mortes. A região afetada atualmente enfrenta uma situação ainda mais complexa, com milhões de pessoas deslocadas devido à violência.

O leste do Congo tem cerca de 3,4 milhões de deslocados internos, segundo dados citados pelo jornal americano, sendo aproximadamente 1 milhão deles na província de Ituri, onde os primeiros casos do atual surto foram identificados.

A OMS afirma que será necessário ampliar rapidamente a capacidade de resposta, incluindo unidades especializadas, diagnóstico laboratorial, rastreamento de contatos, equipamentos de proteção para profissionais de saúde e estratégias para aumentar a confiança das comunidades locais.

Apesar dos desafios, especialistas afirmam que o avanço do Ebola ainda pode ser contido, desde que haja mobilização de recursos e uma resposta coordenada para interromper as cadeias de transmissão.

Com informações da AFP

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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