‘Sustentabilidade é parte da estratégia’: CFO da Pfizer aponta o que mudou nas finanças

Antonio Crespim não construiu uma carreira linear. Antes de chegar à Pfizer, onde hoje é diretor financeiro com responsabilidade por operações no Brasil e na América Latina, passou por setores tão diferentes quanto Tecnologia da Informação e Computadores, Biotecnologia , Óleo e gás, Telecomunicações e Healthcare.
Essa trajetória multissetorial ajudou a formar um executivo acostumado a lidar com mudanças de mercado, diferentes modelos de negócio e estruturas financeiras complexas. Hoje, na Pfizer, Crespim integra a área de Global Finance Operations, uma estrutura presente em mercados internacionais emergentes e desenvolvidos, com atuação ampla em finanças corporativas, suporte a verticais de negócios, além da responsabilidade fiduciária e regulatória.
“Eu tive uma trajetória profissional diferente da grande maioria. Não foi uma trajetória linear no sentido de setor”, afirma.
Ao longo da carreira, o executivo também buscou formações complementares em hard skills, soft skills e finanças estratégicas. A decisão de cursar o FECC, Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros, da Saint Paul Escola de Negócios, veio dessa busca por atualização constante.
Finanças em um mundo menos estável
Para Crespim, a atualização em finanças corporativas se tornou ainda mais relevante em um ambiente de negócios marcado por volatilidade, transformação tecnológica e novas exigências de governança.
“Eu acredito que a busca pelo conhecimento e construção de amplo repertório devem ser constantes na vida de qualquer profissional, ainda mais no mundo volátil em que vivemos atualmente”, afirma.
O FECC foi escolhido por três motivos principais:
- Revisitar conceitos financeiros já conhecidos, mas agora sob uma perspectiva executiva e aplicada
- Compreender como esses conceitos aparecem em setores diferentes daquele em que atua no momento
- Acessar um ecossistema de networking, conteúdo e troca entre líderes
O valor de aprender com outras indústrias
Durante o curso, Crespim conviveu com executivos de bens de consumo, TI e telecom, indústria de base, setor automotivo, empreendedores, profissionais do terceiro setor e líderes de organizações com atuação nacional e internacional, para citar alguns exemplos.
Para ele, esse ambiente de troca é parte essencial da formação. Em finanças, muitos desafios são específicos de cada setor, mas as soluções podem atravessar fronteiras.
“Muitas vezes, soluções inovadoras para geração de valor e resolução de problemas já estão sendo aplicadas em outros setores. Conhecer essas experiências permite ampliar perspectivas, adaptar boas práticas e identificar oportunidades que podem ser transferidas para a sua própria indústria”, afirma.
Antonio Crespim, Global Finance Operations na Pfizer
Essa visão conversa com a proposta doFECC, voltado a líderes que precisam tomar decisões financeiras com impacto estratégico, mesmo sem necessariamente terem uma formação técnica em finanças.
O programa conecta fundamentos financeiros, análise de valor, governança, riscos, funding, valuation, M&A, ESG e tomada de decisão em nível executivo.
‘ESG guarda relação direta com a estratégia do negócio’, diz
Entre os módulos que mais marcaram Crespim, o de sustentabilidade e ESG teve destaque.
“O módulo de sustentabilidade e ESG me marcou bastante”, afirma. “Esse tema, definitivamente, guarda relação com estratégia de negócios. Não é mais uma questão protocolar”, ele complementa.
Na avaliação do executivo, o Brasil ocupa uma posição relevante na agenda global de sustentabilidade e tem potencial para liderar avanços importantes. O tema, segundo ele, deixou de ser tratado como uma pauta predominantemente reputacional e passou a integrar discussões sobre estratégia, geração de valor, competitividade e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.
“Há muito quanto ao assunto sustentabilidade e ESG para acontecer no Brasil. O país ocupa uma posição de destaque no cenário global quanto a essa temática”, diz.
Inteligência artificial entra no radar financeiro
Outro tema de impacto foi a inteligência artificial aplicada aos negócios. Para Crespim, oFECC ajudou a ampliar a compreensão sobre os bastidores da tecnologia: seus custos, seus impactos operacionais e seu potencial para mudar a velocidade das decisões corporativas.
“Como a IA afeta o nosso ambiente corporativo? Como afeta processos, qualidade e velocidade das decisões de negócio?”, questiona.
Na Pfizer, a inteligência artificial já aparece em diferentes frentes. A primeira está ligada à eficiência operacional: organização de tarefas, respostas de e-mail, resumos de relatórios e apoio a processos protocolos internos. A segunda, mais estratégica para a indústria farmacêutica, envolve pesquisa e desenvolvimento.
Segundo Crespim, a IA pode acelerar a descoberta de novas moléculas e impactar o ciclo de desenvolvimento de medicamentos.
“A expectativa é que a IA acelere substancialmente o ciclo de inovação e lançamento de novas moléculas e, claro, o avanço de medicamentos e soluções em saúde que impactem a vida dos pacientes”, afirma.
O papel do CFO em uma empresa de inovação
A Pfizer passou por uma transformação importante nos últimos anos. Segundo Crespim, a companhia decidiu se concentrar em inovação, deixando portfólios maduros e negócios adjacentes para reforçar sua atuação como farmacêutica cujo propósito é transformar a vida dos pacientes por meio da inovação.
Nesse contexto, a área financeira tem papel decisivo. Não se trata apenas de controlar números, mas de apoiar decisões estratégicas, traduzir diretrizes globais para a realidade local e garantir disciplina financeira em mercados complexos.
“De certa forma, participamos da localização de uma estratégia determinada globalmente”, afirma. A função também envolve responsabilidades societárias e fiduciárias. No Brasil, Crespim atua como diretor financeiro estatutário da operação.
Networking como aplicação imediata
Além dos conteúdos técnicos, Crespim destaca o networking como um dos ganhos mais concretos do FECC. A conexão com outros executivos permitiu trocar experiências, comparar práticas e aprender com líderes de diferentes setores.
Para ele, esse tipo de interação amplia o repertório do executivo e ajuda a transformar formação em prática de gestão.
