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CarreiraBDR
03/06/2026
5 min

‘Sustentabilidade é parte da estratégia’: CFO da Pfizer aponta o que mudou nas finanças

‘Sustentabilidade é parte da estratégia’: CFO da Pfizer aponta o que mudou nas finanças

Antonio Crespim não construiu uma carreira linear. Antes de chegar à Pfizer, onde hoje é diretor financeiro com responsabilidade por operações no Brasil e na América Latina, passou por setores tão diferentes quanto Tecnologia da Informação e Computadores, Biotecnologia , Óleo e gás, Telecomunicações e Healthcare.

Essa trajetória multissetorial ajudou a formar um executivo acostumado a lidar com mudanças de mercado, diferentes modelos de negócio e estruturas financeiras complexas. Hoje, na Pfizer, Crespim integra a área de Global Finance Operations, uma estrutura presente em mercados internacionais emergentes e desenvolvidos, com atuação ampla em finanças corporativas, suporte a verticais de negócios, além da responsabilidade fiduciária e regulatória.

“Eu tive uma trajetória profissional diferente da grande maioria. Não foi uma trajetória linear no sentido de setor”, afirma.

Ao longo da carreira, o executivo também buscou formações complementares em hard skills, soft skills e finanças estratégicas. A decisão de cursar o FECC, Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros, da Saint Paul Escola de Negócios, veio dessa busca por atualização constante.

Finanças em um mundo menos estável

Para Crespim, a atualização em finanças corporativas se tornou ainda mais relevante em um ambiente de negócios marcado por volatilidade, transformação tecnológica e novas exigências de governança.

“Eu acredito que a busca pelo conhecimento e construção de amplo repertório devem ser constantes na vida de qualquer profissional, ainda mais no mundo volátil em que vivemos atualmente”, afirma.

O FECC foi escolhido por três motivos principais:

  1. Revisitar conceitos financeiros já conhecidos, mas agora sob uma perspectiva executiva e aplicada
  2. Compreender como esses conceitos aparecem em setores diferentes daquele em que atua no momento
  3. Acessar um ecossistema de networking, conteúdo e troca entre líderes
"O grande valor de um curso como esse é a chance de se conectar com uma rede de relacionamentos importante, com alcance para além da indústria principal à qual você se dedica atualmente"Antonio Crespim, Global Finance Operations na Pfizer

O valor de aprender com outras indústrias

Durante o curso, Crespim conviveu com executivos de bens de consumo, TI e telecom, indústria de base, setor automotivo, empreendedores, profissionais do terceiro setor e líderes de organizações com atuação nacional e internacional, para citar alguns exemplos.

Para ele, esse ambiente de troca é parte essencial da formação. Em finanças, muitos desafios são específicos de cada setor, mas as soluções podem atravessar fronteiras.

“Muitas vezes, soluções inovadoras para geração de valor e resolução de problemas já estão sendo aplicadas em outros setores. Conhecer essas experiências permite ampliar perspectivas, adaptar boas práticas e identificar oportunidades que podem ser transferidas para a sua própria indústria”, afirma.

Antonio Crespim, Global Finance Operations na Pfizer

Essa visão conversa com a proposta doFECC, voltado a líderes que precisam tomar decisões financeiras com impacto estratégico, mesmo sem necessariamente terem uma formação técnica em finanças.

O programa conecta fundamentos financeiros, análise de valor, governança, riscos, funding, valuation, M&A, ESG e tomada de decisão em nível executivo.

‘ESG guarda relação direta com a estratégia do negócio’, diz

Entre os módulos que mais marcaram Crespim, o de sustentabilidade e ESG teve destaque.

“O módulo de sustentabilidade e ESG me marcou bastante”, afirma. “Esse tema, definitivamente, guarda relação com estratégia de negócios. Não é mais uma questão protocolar”, ele complementa.

Na avaliação do executivo, o Brasil ocupa uma posição relevante na agenda global de sustentabilidade e tem potencial para liderar avanços importantes. O tema, segundo ele, deixou de ser tratado como uma pauta predominantemente reputacional e passou a integrar discussões sobre estratégia, geração de valor,  competitividade e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.

“Há muito quanto ao assunto sustentabilidade e ESG para acontecer no Brasil. O país ocupa uma posição de destaque no cenário global quanto a essa temática”, diz.

Inteligência artificial entra no radar financeiro

Outro tema de impacto foi a inteligência artificial aplicada aos negócios. Para Crespim, oFECC ajudou a ampliar a compreensão sobre os bastidores da tecnologia: seus custos, seus impactos operacionais e seu potencial para mudar a velocidade das decisões corporativas.

“Como a IA afeta o nosso ambiente corporativo? Como afeta processos, qualidade e velocidade das decisões de negócio?”, questiona.

Na Pfizer, a inteligência artificial já aparece em diferentes frentes. A primeira está ligada à eficiência operacional: organização de tarefas, respostas de e-mail, resumos de relatórios e apoio a processos protocolos internos. A segunda, mais estratégica para a indústria farmacêutica, envolve pesquisa e desenvolvimento.

Segundo Crespim, a IA pode acelerar a descoberta de novas moléculas e impactar o ciclo de desenvolvimento de medicamentos.

“A expectativa é que a IA acelere substancialmente o ciclo de inovação e lançamento de novas moléculas e, claro, o avanço de medicamentos e soluções em saúde que impactem a vida dos pacientes”, afirma.

O papel do CFO em uma empresa de inovação

A Pfizer passou por uma transformação importante nos últimos anos. Segundo Crespim, a companhia decidiu se concentrar em inovação, deixando portfólios maduros e negócios adjacentes para reforçar sua atuação como farmacêutica cujo propósito é transformar a vida dos pacientes por meio da inovação.

Nesse contexto, a área financeira tem papel decisivo. Não se trata apenas de controlar números, mas de apoiar decisões estratégicas, traduzir diretrizes globais para a realidade local e garantir disciplina financeira em mercados complexos.

“De certa forma, participamos da localização de uma estratégia determinada globalmente”, afirma. A função também envolve responsabilidades societárias e fiduciárias. No Brasil, Crespim atua como diretor financeiro estatutário da operação.

Networking como aplicação imediata

Além dos conteúdos técnicos, Crespim destaca o networking como um dos ganhos mais concretos do FECC. A conexão com outros executivos permitiu trocar experiências, comparar práticas e aprender com líderes de diferentes setores.

"Esse foi um efeito prático imediato: a possibilidade de se conectar com colegas que são líderes em seus setores e multiplicar conhecimento"Antonio Crespim, Global Finance Operations na Pfizer

Para ele, esse tipo de interação amplia o repertório do executivo e ajuda a transformar formação em prática de gestão.

AutorGabriella Uota
FonteExame
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