Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11): XP contraria BTG e BBI, recomenda as duas — mas tem uma favorita
A XP Investimentos destoou de outras casas nas recomendações para Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11). Embora também tenha uma preferência entre as duas, a corretora vê espaço para ambas aproveitarem o momento mais favorável dos preços da celulose no curto prazo e reiterou recomendação de compra para os dois papéis. Para a Suzano, a XP […]

A XP Investimentos destoou de outras casas nas recomendações para Suzano (SUZB3) e Klabin(KLBN11). Embora também tenha uma preferência entre as duas, a corretora vê espaço para ambas aproveitarem o momento mais favorável dos preços da celulose no curto prazo e reiterou recomendação de compra para os dois papéis.
Para a Suzano, a XP estabeleceu preço-alvo de R$ 60, o que representa potencial de valorização de 31,61%. Já para a Klabin, o preço-alvo é de R$ 24, com upside de 31,29%.
Apesar de enxergar um bom espaço para as duas, a XP considera a Suzano o melhor ativo para capturar o atual “momentum” positivo dos preços da celulose.
A leitura difere das recomendações recentes de BTG Pactual e Bradesco BBI, que também enxergam a Suzano como a principal escolha no setor, mas adotam uma postura mais cautelosa com a Klabin.
Em relatório publicado nesta semana, o BTG classificou a atual recuperação da celulose como um “miniciclo”, puxado principalmente pela retomada das compras chinesas, estoques menores e oferta mais restrita.
O banco recomendou compra para Suzano, com preço-alvo de R$ 72, mas manteve Klabin com recomendação neutra e alvo de R$ 23.
O Bradesco BBI foi na mesma direção. O banco manteve a Suzano como sua principal escolha entre as produtoras de celulose, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 59, mas rebaixou Klabin de compra para neutra e reduziu seu preço-alvo de R$ 24 para R$ 21.
A XP, portanto, compartilha a preferência pela Suzano, mas se diferencia ao manter uma visão positiva também para KLBN11.
O que sustenta Suzano e Klabin no curto prazo?
Segundo a XP, o setor de papel e celulose ficou significativamente atrás do mercado nos últimos 12 meses, pressionado pela valorização do real e pelos fundamentos mais fracos da commodity. O cenário, porém, tornou-se mais favorável no curto prazo.
Entre os fatores citados estão a menor disponibilidade de celulose no mercado spot, a redução dos estoques e a inflação de custos enfrentada pelos produtores integrados chineses.
A casa também destaca os recentes anúncios de reajustes de preços da celulose para setembro e outubro de 2026. No caso da Suzano, a companhia anunciou um novo aumento para outubro, reforçando a percepção de melhora no mercado.
Com isso, SUZB3 e KLBN11 acumularam altas entre 5% e 15% no último mês, segundo os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano.
Na avaliação da XP, a disponibilidade limitada no mercado spot, a entrada restrita de nova oferta durante o terceiro trimestre, a queda dos estoques e a pressão sobre os custos dos produtores integrados devem continuar dando sustentação aos preços da celulose no início do quarto trimestre.
Um dos sinais dessa pressão vem da matéria-prima utilizada pelos produtores chineses. Os preços dos cavacos importados do Vietnã avançaram US$ 20 por tonelada no acumulado do ano.
Proteção contra incertezas
A XP também enxerga Suzano e Klabin como alternativas defensivas em um ambiente de maior incerteza macroeconômica.
Segundo a casa, o ciclo eleitoral brasileiro e o aumento das tensões geopolíticas podem manter a volatilidade elevada, favorecendo empresas de menor beta e com receitas denominadas em dólar.
É nesse cenário que Suzano e Klabin aparecem como alternativas de hedge para os portfólios, segundo os analistas.
Suzano ou Klabin?
Embora recomende compra das duas ações, a XP enxerga características diferentes para cada tese.
A Suzano é considerada a melhor opção para capturar diretamente a melhora dos preços da celulose no curto prazo. Já a Klabin oferece, na avaliação da casa, um perfil de risco menor, devido à exposição relativamente mais baixa ao excesso de capacidade do mercado chinês de celulose e ao portfólio mais diversificado de produtos.
Os valuations também ajudam a sustentar a recomendação.
A XP calcula um FCF yield — rendimento do fluxo de caixa livre em relação ao valor de mercado — recorrente de 8,1% para Suzano em 2027 e de 6,9% para Klabin.
Esse retorno pode melhorar conforme os investimentos das empresas convergem para níveis de manutenção e as duas companhias avancem no processo de desalavancagem. Até 2030, a XP estima que os FCF yields reais podem alcançar entre 11% e 12%.
Curto prazo positivo, longo prazo ainda preocupa
A visão mais construtiva para as ações no curto prazo não significa, porém, que a XP tenha se tornado otimista com o ciclo estrutural da celulose.
A casa continua cautelosa com os preços da commodity no longo prazo e trabalha com uma premissa de US$ 560 por tonelada para a celulose de fibra curta, ou BHKP, a partir de 2028.
Entre os principais riscos estão a baixa rentabilidade dos produtores de papel, a entrada de aproximadamente 10 milhões de toneladas de capacidade integrada na China entre 2026 e 2028 e novos projetos de celulose de mercado.
A XP cita especificamente o Oki II, da APP, previsto para o primeiro trimestre de 2027, e o projeto Sucuriú, da Arauco, esperado para o quarto trimestre daquele ano.
Outro ponto de atenção é uma eventual queda dos preços dos cavacos de madeira na China. Para a XP, esse risco se tornou mais crível diante da intenção chinesa de reduzir gradualmente a dependência de produtos semimanufaturados importados e elevar a competitividade de sua indústria.
Assim como BTG e BBI, portanto, a XP separa a melhora conjuntural da celulose de seus desafios estruturais. A principal diferença está nas recomendações: enquanto BTG e BBI mantêm postura neutra para Klabin, a XP ainda vê uma relação entre risco e retorno atrativa nas duas companhias e recomenda compra tanto de SUZB3 quanto de KLBN11.
Entre elas, porém, Suzano continua sendo a favorita para capturar o momento positivo dos preços da celulose.
