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23/09/2026
4 min

Suzano (SUZB3): Fundo do ciclo ficou para trás, diz BofA; veja potencial

O Bank of America (BofA) vê sinais cada vez mais claros de que o pior momento do ciclo da celulose ficou para trás. Com a Suzano (SUZB3) anunciando o segundo aumento consecutivo de preços, o banco reiterou recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 66. Em relação aos R$ 48,58 considerados no […]

Suzano (SUZB3): Fundo do ciclo ficou para trás, diz BofA; veja potencial

O Bank of America (BofA) vê sinais cada vez mais claros de que o pior momento do ciclo da celulose ficou para trás. Com a Suzano (SUZB3) anunciando o segundo aumento consecutivo de preços, o banco reiterou recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 66.

Em relação aos R$ 48,58 considerados no relatório, o valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 36%.

“Dois aumentos consecutivos, agora abrangendo todas as principais regiões, reforçam nossa visão de que o fundo ficou para trás”, afirmam os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite.



A Suzano informou aos clientes novos reajustes nos preços da celulose a partir de outubro, segundo informações citadas pelo BofA.

Os aumentos são de US$ 50 por tonelada nas Américas, US$ 50 por tonelada na Europa — levando o preço na região a US$ 1.360 por tonelada — e US$ 20 por tonelada na China e em outros países asiáticos.

É o segundo reajuste mensal consecutivo. No fim de agosto, a companhia já havia anunciado aumento de US$ 20 por tonelada para os embarques de celulose de fibra curta destinados à China em setembro, o primeiro movimento de alta desde abril.

Para o BofA, os reajustes representam uma evidência concreta da tese que levou o banco a elevar, no fim de agosto, a recomendação da Suzano de neutra para compra.

Na ocasião, a mudança foi sustentada pela percepção de que os preços da celulose estavam no fundo ou próximos do piso do ciclo. Agora, segundo os analistas, os novos aumentos reforçam essa leitura.

“A Suzano continua sendo nossa alternativa preferida para capturar essa inflexão”, afirma o banco.

O que sustenta a alta da celulose?

O BofA aponta uma combinação de oferta mais apertada, queda dos estoques chineses e recomposição de inventários na Ásia como fatores que podem sustentar novos aumentos nos preços da celulose.

Segundo informações da Fastmarkets RISI citadas pelo banco, um importante fornecedor brasileiro conseguiu implementar um aumento de US$ 20 por tonelada para a celulose de fibra curta na América do Sul em setembro, vendendo toda a sua alocação mensal.

Esse fornecedor também teria sinalizado a intenção de buscar mais US$ 20 por tonelada para as cargas de outubro, diante da aceleração da recomposição de estoques e da melhora dos preços no mercado de revenda.

Na China, o BofA observa que os preços de revenda da celulose de fibra curta continuaram avançando, enquanto as compras passaram a envolver fábricas pequenas e médias, traders e grandes produtores integrados em busca de recomposição dos estoques.

Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras de celulose de fibra curta para a China recuaram 16% em agosto ante julho, reduzindo a disponibilidade no curto prazo.

Os estoques combinados nos portos chineses de Qingdao e Changshu, por sua vez, caíram cerca de 130 mil toneladas em uma semana, para aproximadamente 2,32 milhões de toneladas.

O aperto também aparece na fibra longa. Paralisações e fechamentos de fábricas no Canadá e na Europa retiraram quase 200 mil toneladas de oferta desde o fim de julho, segundo o relatório.

Com isso, os preços líquidos de importação da fibra longa na China avaliados pela FOEX se aproximaram de US$ 650 por tonelada, enquanto alguns produtores passaram a buscar novos reajustes entre US$ 10 e US$ 20 por tonelada.

Para o BofA, o conjunto desses fatores — menor disponibilidade de fibras curta e longa, redução dos estoques chineses e recomposição dos inventários na Ásia — aumenta a capacidade da Suzano de implementar reajustes maiores e mais abrangentes.

Suzano ainda gera caixa com celulose a US$ 500

Além da perspectiva de recuperação dos preços, o BofA destaca a capacidade de geração de caixa da Suzano mesmo em cenários menos favoráveis para a commodity.

No cenário-base do banco, com a celulose de fibra curta na China a US$ 564 por tonelada e o dólar a R$ 5 em 2027, a Suzano alcançaria um retorno do fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE yield) de 13%.

Em um cenário mais otimista, com a celulose atingindo uma média de US$ 600 por tonelada em 2027, esse retorno subiria para 16%.

Mesmo no cenário pessimista, com a commodity a US$ 500 por tonelada — nível que ficaria abaixo do patamar de sustentação de custos apontado por contatos do banco na indústria —, a Suzano ainda entregaria um FCF yield de 8%.

Para os analistas, a capacidade de manter um retorno de fluxo de caixa livre elevado mesmo sob preços deprimidos da celulose oferece uma “importante margem de segurança” para os investidores e torna o atual nível das ações um ponto de entrada atrativo.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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