Swile coloca R$ 600 milhões na mesa para avançar no mercado disputado de VR e VA no Brasil
Em meio às novas regras do PAT, ao debate sobre o fim da escala 6x1 e à compra da Caju pelo iFood, empresa francesa mira aquisições e mostra apetite para crescer no país rumo aos 8,2 bilhões de euros

A aposta acontece em um momento de transformação no setor, marcado por movimentos de consolidação, como a anunciada compra da Caju pelo iFood, e mudanças regulatórias que prometem ampliar a concorrência e a liberdade de escolha dos trabalhadores.
É nesse cenário competitivo e em transformação que a Swile se prepara para avançar. A companhia, que faturou € 6,2 bilhões globalmente no último ano, tem a projeção neste ano de faturar € 8,2 bilhões, sendo € 1,5 bilhão no Brasil, também tem apetite por aquisições e prepara novos produtos para conquistar uma fatia maior do mercado - especialmente no Brasil.
"É um movimento de mercado. Aquisições não são novidade e não nos assustam. Está nos nossos planos tanto adquirir empresas quanto saber que os concorrentes também vão fazer aquisições", afirma Denis Tassitano, CEO da Swile Brasil, em entrevista exclusiva ao De Frente com CEO, da EXAME.
A própria Swile, segundo Tassitano, já utilizou essa estratégia para expandir suas operações brasileiras, com a aquisição da Vee Benefícios. Por isso o CEO afirma que os próximos investimentos serão direcionados tanto ao crescimento orgânico, com o fortalecimento das equipes de vendas, marketing e atendimento, quanto à possibilidade de novas compras.
"A gente tem apetite para aquisição também. Vamos crescer nas duas frentes", diz o CEO da Swile Brasil.
Brasil quer superar a França até 2030
O Brasil já representa cerca de 25% da operação global da Swile, segundo Tassitano, e é considerado um dos principais mercados da companhia. Atualmente, a empresa reúne mais de mil funcionários na França e 250 no Brasil.
A ambição do novo CEO, no entanto, vai além de ampliar a base de clientes. Ele quer transformar a operação brasileira na maior da companhia, superando a própria França, onde a Swile foi fundada.
"Temos potencial para passar a França. Não é um sonho irreal. Até 2030, meu objetivo é estar com uma base maior do que a França", afirma.
Para alcançar esse resultado, a companhia pretende acelerar sua expansão nos próximos anos. A projeção apresentada pelo executivo é de crescimento entre 30% e 40% em 2027 em faturamento.
Além de fortalecer a presença nacional, a Swile também prepara sua expansão internacional. A companhia pretende entrar em novos países europeus em 2027 e considera ampliar sua atuação para outros mercados da América Latina.
"Não posso dizer quais países, mas a expansão já está programada para o próximo ano."
Brasil e França, no entanto, seguirão como os dois principais pilares dessa estratégia, diz CEO.
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O que muda no mercado de VR e VA com as novas regras do PAT?
A movimentação das empresas de tecnologia no setor de benefícios ocorre em paralelo às mudanças nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que buscam ampliar a concorrência e reduzir barreiras na utilização dos cartões.
Entre as principais transformações está a interoperabilidade, mecanismo que pretende permitir maior integração entre diferentes bandeiras e redes de aceitação.
Para Tassitano, a mudança deve favorecer tanto os trabalhadores quanto os estabelecimentos comerciais.
O executivo afirma que a Swile já opera com um modelo de arranjo aberto, utilizando a bandeira Mastercard, diferentemente das redes fechadas tradicionalmente adotadas por parte do mercado.
"Algumas empresas cobravam valores exorbitantes dos estabelecimentos e isso acabava sendo repassado ao usuário final. Com a nova regulamentação, as empresas terão que se adequar", afirma.
Na avaliação do CEO, o avanço regulatório também deve mudar o foco da competição.
"Antes, o foco estava mais nas empresas que comandavam o mercado. Agora, o foco está no trabalhador", diz.
Pagamento em maquininhas: cada vez mais presente na vida dos brasileiros - dos cartões com benefícios flexíveis (Leandro Fonseca/Exame)
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Como o fim da escala 6x1 pode impactar os benefícios?
Além das mudanças no PAT, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 também está no radar das empresas de benefícios corporativos.
Para Tassitano, uma eventual mudança na jornada exigirá que as companhias revisem suas políticas internas, principalmente em setores que dependem de operações presenciais, como o varejo.
"Os clientes vão ter que reavaliar, principalmente setores como varejo. Eles vão ter que fazer essa readequação", afirma.
A Swile, segundo o CEO, está preparada para auxiliar os clientes nesse processo, inclusive na maneira como as empresas organizam os benefícios dos funcionários.
"O mercado vai ter que se adaptar muito. Já tivemos mudanças que achávamos inconcebíveis e o mercado acabou se adaptando", diz.
Benefícios flexíveis ganham espaço entre os trabalhadores
A transformação do setor também acompanha mudanças nas expectativas dos funcionários.
Se antes o vale-refeição e o vale-alimentação eram os principais benefícios oferecidos pelas empresas, hoje os trabalhadores passaram a valorizar soluções que incluem saúde física, saúde mental, educação, mobilidade e outras despesas do cotidiano – e para isso, a flexibilidade se tornou um diferencial importante para atender profissionais de diferentes gerações.
"Quando a gente vai buscar um emprego ou recebe uma oferta, pergunta qual é o salário e quais são os benefícios. Muitas pessoas evitam sair de uma empresa porque os benefícios acabam segurando esse profissional", afirma.
Na Swile, a plataforma oferece oito carteiras de benefícios, permitindo que as empresas distribuam recursos entre diferentes categorias de utilização.
O modelo possibilita, por exemplo, que o funcionário acompanhe separadamente os saldos destinados a alimentação, refeição, transporte e outras despesas.
Essa liberdade, porém, precisa respeitar as regras de cada benefício.
O executivo explica que os valores destinados exclusivamente à alimentação podem ser bloqueados para essa finalidade, enquanto outras quantias podem ser disponibilizadas em carteiras flexíveis, conforme a política da empresa.
"Conseguimos travar o valor que precisa ser destinado à alimentação. O outro valor pode ser flexível. Isso permite que as empresas estejam dentro da lei", diz.
Para Tassitano, a flexibilidade ganhou ainda mais relevância com a consolidação do trabalho híbrido e a convivência de diferentes gerações no mercado de trabalho.
Um funcionário que trabalha de casa, por exemplo, pode ter necessidades diferentes das de um profissional que atua presencialmente em uma loja ou fábrica.
"Estamos falando de funcionários que estão no chão de fábrica e outros que estão no escritório. São demandas diferentes, inclusive dentro da mesma empresa", afirma.
Swile prepara novos serviços para 2027
Além dos benefícios tradicionais, a Swile pretende ampliar seu portfólio no Brasil com soluções voltadas à gestão de viagens e despesas corporativas.
“Na França, nós já temos o Travel, a parte de viagens corporativas, e a gestão de gastos corporativos, que são novidades que planejamos trazer para o Brasil no próximo ano”, afirma Tassitano.
Uma das ferramentas é a Swile Travel, plataforma que permite aos funcionários organizar viagens profissionais seguindo as políticas, os limites de gastos e os processos de aprovação definidos pelas empresas.
A outra frente envolve a gestão de despesas corporativas, com o objetivo de automatizar controles financeiros e facilitar a prestação de contas.
IA conectando funcionários com benefícios
A inteligência artificial também faz parte da estratégia de expansão.
De acordo com o CEO, a utilização de IA permitiu reduzir em 63% o volume de chamados de atendimento, mesmo com o crescimento expressivo da base de usuários.
A tecnologia também é utilizada para antecipar problemas operacionais e identificar possíveis fraudes.
"A inteligência artificial abre tempo para o nosso pessoal trabalhar no que realmente faz sentido e melhorar o atendimento", afirma.
O desafio de crescer em um mercado mais competitivo
Tassitano, que assumiu a operação brasileira em agosto de 2026 após uma trajetória de aproximadamente 15 anos na SAP, afirma que a prioridade será fortalecer processos internos, equipes e tecnologia.
"Quando você quer crescer, os processos têm que estar bem formatados para não virar bagunça. É preciso alinhar processos, pessoas e tecnologia", diz.
Apesar da concorrência, ele mantém uma visão otimista sobre o setor.
"Quando temos novos entrantes, isso é bom, porque demonstra que é um mercado fértil e aberto ao crescimento", afirma.
Com R$ 600 milhões previstos em investimentos, possíveis aquisições e novos produtos, a Swile aposta que o futuro do mercado de benefícios será definido não apenas pela aceitação dos cartões, mas pela capacidade de oferecer mais liberdade aos trabalhadores.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
