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CiênciaBDR
28/07/2026
4 min

Talco causa câncer? Entenda o acordo bilionário da Johnson & Johnson

Pagamento de US$ 5,5 bilhões deve encerrar cerca de 69 mil processos nos EUA após uma disputa judicial que já dura uma década

Talco causa câncer? Entenda o acordo bilionário da Johnson & Johnson

A Johnson & Johnson anunciou um acordo de US$ 5,5 bilhões para encerrar dezenas de milhares de processos judiciais que alegam que seu talco para bebês e outros produtos da marca causaram câncer de ovário.

Apesar da negociação, a multinacional afirma que a decisão não representa uma admissão de responsabilidade e mantém a posição de que suas fórmulas eram seguras e livres de amianto.

Segundo a Reuters, o acordo resolve cerca de 69 mil ações reunidas na Justiça Federal dos Estados Unidos, além de processos em tribunais estaduais, abrangendo aproximadamente 99,75% das reivindicações remanescentes relacionadas ao talco.

Talco causa câncer?

A resposta continua sendo alvo de debate científico e jurídico. As ações contra a Johnson & Johnson sustentam que o uso prolongado de talco na região genital teria aumentado o risco de câncer de ovário.

A fabricante, por sua vez, sempre contestou essa relação e afirma que suas formulações eram seguras e não continham amianto, mineral reconhecidamente cancerígeno.

O pagamento anunciado não altera esse posicionamento. De acordo com a companhia, a medida busca encerrar uma disputa que já dura cerca de dez anos, sem representar o reconhecimento de que houve relação entre o produto e a doença.

Do ponto de vista científico, as evidências permanecem inconclusivas. Em 2024, uma avaliação da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicada na revista científica The Lancet Oncology, classificou o talco livre de amianto como "provavelmente cancerígeno para humanos" (Grupo 2A) quando utilizado na região genital feminina.

A conclusão foi baseada em evidências limitadas de câncer de ovário em humanos, evidências suficientes em estudos com animais e fortes indícios mecanísticos. Na época, os especialistas ressaltaram, porém, que não foi possível descartar completamente fatores que poderiam ter influenciado os resultados dos estudos epidemiológicos, como a contaminação do talco por amianto.

Outras entidades, como a Sociedade Americana do Câncer, afirmam que os estudos publicados até o momento apresentam resultados conflitantes. Enquanto algumas pesquisas identificaram uma associação entre o uso de talco na região genital e um pequeno aumento no risco de câncer de ovário, outras não encontraram esse efeito.

O que prevê o acordo da Johnson & Johnson

O acordo prevê o pagamento de US$ 5,5 bilhões para resolver aproximadamente 69 mil casos na Justiça Federal americana, além de ações em tribunais estaduais.

Escritórios de advocacia que representam os autores dos processos afirmaram que a negociação representa uma solução para uma disputa que se arrasta há cerca de uma década.

De acordo com a J&J, o acordo encerra praticamente todas as ações judiciais remanescentes relacionadas ao talco nos Estados Unidos.

Decisão judicial fortaleceu posição da empresa

O anúncio foi feito poucos dias após uma decisão considerada favorável à Johnson & Johnson. Na semana anterior ao acordo, um juiz federal colocou em dúvida a capacidade de autores individuais demonstrarem que o talco, especificamente, foi a causa do câncer de ovário em cada caso.

A decisão fortaleceu a posição da empresa durante as negociações que resultaram no acordo bilionário.

Talco para bebês deixou de ser vendido nos EUA

Embora continue defendendo a segurança de seus produtos, a Johnson & Johnson deixou de vender o tradicional talco para bebês à base de talco nos Estados Unidos em 2020. O produto foi substituído por uma versão formulada com amido de milho.

A disputa judicial sobre o tema permaneceu suspensa por mais de três anos enquanto a empresa tentava resolver os processos por meio da falência de uma subsidiária criada para concentrar as ações. As tentativas fracassaram, e o litígio voltou a tramitar em março de 2025, culminando agora no acordo anunciado pela companhia.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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