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Mundo
15/08/2026
3 min

Talibãs comemoram cinco anos no poder no Afeganistão

Aniversário do retorno do grupo ao governo é celebrado em Cabul com bandeiras e manifestações

Talibãs comemoram cinco anos no poder no Afeganistão

Os talibãs celebram neste sábado, 15, o quinto aniversário do retorno ao poder no Afeganistão, com cerimônias em Cabul e mensagens sobre independência e segurança.

Ao mesmo tempo, a população enfrenta dificuldades econômicas e humanitárias, além de “restrições sufocantes”, especialmente para as mulheres, segundo a ONU.

Cabul amanheceu decorada com bandeirolas e cartazes que apresentam 15 de agosto como o dia em que a população afegã teria erguido a bandeira da “fé, da honra e da independência”.

Motos, carros e riquixás circularam pelas ruas com as bandeiras brancas e pretas do Emirado Islâmico do Afeganistão, nome oficial adotado pelo país desde agosto de 2021.

Centenas de apoiadores do governo, principalmente homens e meninos, reuniram-se perto da antiga embaixada dos Estados Unidos. Quase nenhuma mulher participou da celebração, realizada sob vigilância de forças de segurança armadas.

“O dia da vitória (...) ficará gravado com letras de ouro na história do Afeganistão”, escreveu no X o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid.

Como os talibãs voltaram ao poder

Em 15 de agosto de 2021, após uma ofensiva relâmpago, os insurgentes do movimento talibã entraram em Cabul sem enfrentar resistência. O retorno ocorreu 20 anos depois de o grupo ter sido expulso do poder pelas forças americanas.

Milhares de afegãos correram para o aeroporto de Cabul nos dias seguintes, temendo o retorno do movimento, que defende uma interpretação rigorosa do islã.

Algumas pessoas chegaram a se agarrar a aviões durante as tentativas de evacuação pelas forças ocidentais.

Em 30 de agosto de 2021, o último soldado americano deixou o Afeganistão, encerrando a intervenção mais longa dos Estados Unidos no país, iniciada após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Talibãs destacam segurança e economia

O ministro das Relações Exteriores talibã, Amir Khan Muttaqi, afirmou que “o capítulo da guerra terminou” e pediu aos Estados Unidos que reabram sua embaixada e invistam no país.

O governo também destaca o reforço da segurança após quatro décadas marcadas por guerras e atentados. Outra prioridade declarada é a autossuficiência econômica, em um país que não tem acesso ao sistema bancário internacional.

O setor de mineração aparece como uma das apostas econômicas do governo. Atualmente, apenas a Rússia reconhece oficialmente o governo talibã, embora o grupo tenha estabelecido relações com outros países, inclusive alguns integrantes da União Europeia, em temas relacionados à migração.

Apesar das dificuldades, a economia afegã cresceu 4,8% em 2025, segundo o Banco Mundial. O padrão de vida, porém, caiu com o retorno de mais de seis milhões de afegãos do Irã e do Paquistão desde 2023.

Crise humanitária

A situação econômica é agravada por outros fatores, entre eles a mudança climática e o conflito com o Paquistão. A guerra matou centenas de civis e interrompeu transações comerciais, segundo as informações divulgadas.

Cerca de 14 milhões de afegãos enfrentam fome aguda, de acordo com a ONU.

Entre os jovens, a falta de emprego aparece como um dos principais problemas. “Foram construídas estradas, há muitas oportunidades para que empreendedores lancem seus negócios”, afirmou à AFP Pirooz Mirzaie, estudante de 20 anos em Cabul. Para ele, porém, “o maior desafio para os jovens é a falta de emprego”.

(Com AFP)

AutorDa Redação
FonteExame
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