Tarifa de 25% dos EUA poupa setores do agronegócio brasileiro; entenda por que alguns produtos escaparam da nova ofensiva

Apesar da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alguns dos principais itens do agronegócio do Brasil ficaram fora da lista. Café, suco de laranja e carne bovina aparecem entre as exceções previstas no documento divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
A proposta foi apresentada quase um mês após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, em Washington. Na ocasião, os dois discutiram a cooperação em minerais de terras raras, mas, segundo Lula, as críticas dos EUA ao sistema de pagamentos Pix não entraram na conversa.
Além da relação de produtos que poderão ser taxados, o USTR publicou um anexo de 73 páginas detalhando as mercadorias que seriam poupadas da nova cobrança.
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Segundo o órgão, as exceções incluem matérias-primas consideradas essenciais para a economia norte-americana, cuja tributação poderia gerar desabastecimento interno ou provocar impactos relevantes em cadeias produtivas, além de itens que os Estados Unidos não conseguem produzir em quantidade suficiente.
Dependência dos EUA ajuda a blindar agronegócio brasileiro
O café está entre os principais produtos do agronegócio beneficiados pela exclusão. O produto já havia sido retirado do tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros entre agosto e novembro de 2025, período que provocou forte retração nos embarques para o mercado norte-americano.
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que os Estados Unidos importaram cerca de 5,4 milhões de sacas de café brasileiro em 2025, volume 34% menor do que o registrado em 2024. A queda foi atribuída às tarifas impostas no ano passado.
Os reflexos da medida ainda são sentidos pelo setor. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos recuaram 41,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, a exclusão do café da nova proposta era esperada devido aos riscos inflacionários para os consumidores estadunidenses.
“Devido às questões de inflação dos Estados Unidos, ainda fortes. No caso do café, os EUA chegaram a receber a inflação oito vezes acima da média”, afirmou.
Matos acrescenta que o tarifaço de 2025 resultou no cancelamento e adiamento de diversos contratos do agronegócio, o que continua afetando os volumes exportados neste ano.
“O mercado ainda espera a nova safra brasileira entrar de forma mais representativa. Com mais disponibilidade de café, o Brasil passa a ser mais competitivo”, disse.
Nem todos os produtos do agronegócio foram contemplados. O café solúvel, responsável por cerca de 10% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, não aparece entre os itens isentos da proposta.
Diante da decisão, o Cecafé pretende participar da audiência pública que antecederá a definição final sobre as tarifas. A entidade prepara a documentação necessária para apresentar suas contribuições ao governo americano.
Suco de laranja também escapa
Outro produto do agronegócio excluído da lista foi o suco de laranja, que já havia sido beneficiado pela retirada parcial das tarifas em 2025.
Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, o Brasil ocupa posição central no abastecimento do mercado norte-americano.
“O Brasil é o principal fornecedor do mercado americano, responsável por cerca de 55% do consumo do suco de laranja no país”, afirmou.
Em 2026, os Estados Unidos se consolidaram como o principal destino do suco de laranja brasileiro, respondendo por 49,6% das exportações da bebida. A dependência norte-americana aumentou nos últimos anos após problemas climáticos afetarem a produção doméstica.
Carne bovina fica fora da proposta
As carnes bovinas, incluindo cortes in natura, línguas e fígados, também ficaram de fora da nova taxação.
O setor iniciou 2026 em ritmo acelerado. Logo na primeira semana de janeiro, o Brasil atingiu a cota de exportação de carne bovina in natura para os Estados Unidos, com embarques de 52 mil toneladas.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) optou por não comentar o documento divulgado pelo USTR. Em abril deste ano, os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China.
O que acontece agora
A proposta ainda passará por consulta pública antes de uma decisão definitiva do governo norte-americano.
O cronograma prevê o encerramento do prazo para pedidos de participação na audiência pública em 22 de junho. As manifestações escritas poderão ser enviadas até 1º de julho, enquanto a audiência está marcada para 6 de julho, em Washington.
A decisão final sobre a implementação ou não das tarifas deverá ser anunciada pelo governo dos Estados Unidos até 15 de julho.
*Com informações do Money Times
