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Sacre Investimentos
Mundo
24/07/2026
3 min

Tarifa de 37,5% atinge um quarto das exportações brasileiras aos EUA, diz CNI

Tarifa de 37,5% atinge um quarto das exportações brasileiras aos EUA, diz CNI

AConfederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira, 24, um levantamento que aponta que 3,9 mil produtos brasileiros serão taxados em 37,5% pelos Estados Unidos. Isso representa 25,5% de todas as exportações do Brasil aos EUA, considerando os dados de 2024.

Assim, atualmente, 48,7% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, ampliando o alcance das medidas protecionistas adotadas pelo governo norte-americano, segundo os cálculos da CNI, e 51,3% estão isentas de cobranças extras.

A nova taxa se deve às penalidades aplicadas a partir desta sexta-feira, 24, pelo governo Trump ao Brasil eoutros 59 parceiros comerciais, pela acusação de que eles se beneficiariam de trabalho forçado para fabricar os itens exportados. Os EUA também acusam os países de não adotarem mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. O governo brasileiro nega a acusação.

Entre os produtos brasileiros mais afetados pela nova taxa, estão madeira, com apenas 6,5% da produção isenta; minerais não metálicos, com isenção de 5,5%; máquinas e equipamentos, com 3,5% sem tarifas adicionais.

A nova tarifa adicional de 12,5% atinge US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a 29,4% de tudo o que o Brasil vende ao mercado norte-americano. Ao todo, a medida alcança 4.060 produtos.

A maior parte deles, porém, já estava sujeita à sobretaxa de 25% aplicada anteriormente pelos Estados Unidos. Com a nova cobrança, 3.985 produtos brasileiros — equivalentes a US$ 10,8 bilhões em exportações — passarão a enfrentar uma tarifa combinada de 37,5%.

Outros 75 produtos, que representam US$ 1,6 bilhão em exportações, serão atingidos apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem incidência da tarifa anterior.

Veja como a pauta exportadora brasileira será afetada:

Tarifaço: 51,3% das exportações brasileiras aos EUA serão isentas, mas 25,5% terá sobretaxa de 37,5% (CNI / Reprodução)

CNI pede negociação

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o cenário exige uma atuação rápida dos governos para reduzir os impactos sobre a indústria nacional.

"É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas. A CNI já está em diálogo com o governo e com os setores afetados para transformar essas discussões em ações concretas de curto prazo”, disse Alban.

Na avaliação dele, a ampliação das tarifas tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, já que os importadores passarão a pagar mais para adquirir mercadorias produzidas no Brasil. Como consequência, empresas exportadoras podem perder espaço para concorrentes de outros países que enfrentem barreiras menores.

O impacto tende a ser mais intenso em setores com forte dependência do mercado dos Estados Unidos, que podem registrar queda nas exportações, redução de receitas e revisão de investimentos. Além disso, a diminuição das vendas externas pode afetar a produção industrial e o nível de emprego no Brasil.

As novas taxas entraram em vigor às 0h01 desta sexta-feira, 24. Na prática, elas substituem outra cobrança geral, de 10%, que havia sido aplicada em fevereiro, por meio da Seção 122. Essa tarifa expirou nessa sexta.

A Casa Branca já havia anunciado anteriormente outras medidas tarifárias contra parceiros comerciais,incluindo uma tarifa de 25% sobre boa parte das importações brasileiras, que entrou em vigor nesta semana, e novas tarifas sobre produtos do Canadá.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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