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EmpresasACS
17/07/2026
4 min

Tarifa dos EUA: veja empresas e setores que devem sentir o peso da taxação

Tarifa dos EUA: veja empresas e setores que devem sentir o peso da taxação

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem atingir empresas e setores de forma desigual.

Enquanto bancos veem impacto limitado para WEG (WEGE3), varejistas e frigoríficos, a XP Investimentos alerta para riscos mais duradouros para a Jalles (JALL3), e a indústria química calcula um custo adicional de US$ 66 milhões até o fim do ano.

No último dia 15, o presidente dos EUA, Donald Trump, concordou com a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

  • Leia mais: Carne e café salvos, indústria na mira: quem escapou e quem será atingido pela tarifa de 25% dos EUA – Money Times

Empresas e setores afetados

WEG

Para o BTG Pactual, a nova rodada de tarifas é negativa para WEG (WEGE3).

No entanto, do ponto de vista dos resultados, o impacto esperado é limitado, considerando as iniciativas da companhia para mitigar esse efeito, incluindo a redistribuição geográfica da produção e os reajustes de preços dos produtos afetados pelas tarifas no mercado americano.

“O trimestre recorde da ABB reforça a força dos negócios de Eletrificação (relacionados à inteligência artificial e data centers) e de Motion, sendo este último particularmente positivo para a WEG, dado o elevado grau de sobreposição entre os portfólios das duas companhias”, dizem os analistas do banco, que recomenda compra para ação, com preço-alvo de R$ 65.

Varejo

No varejo, o impacto deve ter impactado limitado para as empresas latino-americanas acompanhadas pelo Citi.

Os analistas do banco destacam que, entre as companhias sob cobertura, apenas a Azzas (AZZA3) e a Alpargatas (ALPA4) possuem exposição relevante às exportações do Brasil para o mercado americano.

Segundo os analistas do banco, as vendas para os Estados Unidos representam cerca de 3% da receita da Azzas e aproximadamente 5% da receita da Alpargatas, o que limita os efeitos financeiros da medida, apesar da incerteza sobre o cenário tarifário.

A nova tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ter impacto limitado para as empresas latino-americanas de varejo acompanhadas pelo Citi, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (16).

Agro

Na avaliação da XP Investimentos as tarifas deve, ter efeitos limitados para os frigoríficos do país, mas acende um sinal de alerta para a Jalles(JALL3).

Os analistas da casa afirmam que a confirmação da medida, que entra em vigor em 22 de julho, mantém a carne bovina brasileira fora da nova rodada de tarifas e preserva, no curto prazo, a competitividade dos exportadores do setor.

No caso da Jalles, porém, a XP destaca que, diferentemente do regime anterior — considerado temporário —, a nova política comercial americana tem características mais permanentes, tornando a perda de competitividade um risco estrutural para a companhia.

Na avaliação da corretora, isso tende a dificultar o repasse de preços no curto prazo e, principalmente, abrir espaço para que concorrentes de outros países avancem sobre a participação atualmente ocupada pelo Brasil no mercado americano de açúcar orgânico.

Apesar de autoridades americanas sinalizarem abertura para negociações, o governo brasileiro já criticou a medida e indicou que poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Setor químico

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) afirmou que a imposição de novas tarifas de importação contra produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos deve gerar um incremento potencial de custos de US$ 66 milhões ao setor até o final do ano.

A entidade afirmou que os grupos mais afetados de produtos pelas tarifas do governo de Donald Trump são tintas, vernizes e lacas; fibras têxteis sintéticas; e sabões, detergentes e produtos de perfumaria, “praticamente sem produtos contemplados pelas isenções e, portanto, sujeitos a uma sobretaxa próxima de 25%”.

Além desses, a Abiquim cita como segmentos impactados: químicos orgânicos e resinas e elastômeros, com químicos inorgânicos e defensivos agrícolas tendendo a sofrer menos efeitos, “em razão da elevada participação de produtos incluídos na lista de isenções”.

Nas contas da associação, embora apenas 42% dos códigos tarifários (SH6) do universo químico exportado aos EUA tenham sido isentados da tarifa adicional de 25%, “esses códigos concentram parcela significativa do valor exportado”.

*Com Reuters

AutorLorena Matos
FonteMoney Times
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