Tarifaço perde força? Goldman Sachs reduz estimativa para a tarifa média dos EUA aplicada ao Brasil

Após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, em inglês) no âmbito da Seção 301 implementar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o Goldman Sachs avalia que a alíquota média pode ser mais baixa do que inicialmente previsto ao considerar a lista de produtos isentos.
Em relatório, o banco considera que as novas isenções à sobretaxa de 25% implementada pelos Estados Unidos abrangem US$ 2,1 bilhões adicionais em importações provenientes do Brasil.
Com isso, a nova tarifa deve incidir sobre 26% dos produtos brasileiros destinados aos EUA (US$ 10,2 bilhões). O número é mais baixo do que os 31% (US$ 12,3 bilhões) previstos inicialmente com a lista preliminar de isenções divulgada em junho.
“Isso equivale a uma redução de 1,3 ponto percentual em nossa estimativa para a tarifa efetiva média aplicada ao Brasil, que passa de 18,1% para 16,8%“, calcula o Goldman.
O cálculo do banco pressupõe que a tarifa de 12,5% da Seção 301 relacionada ao trabalho forçado, proposta pelos EUA, substituirá a tarifa de 10% da Seção 122 que vai expirar em 24 de julho de 2026.
O que o Brasil deve fazer agora?
Após a falta de sucesso das autoridades brasileiras em negociar um alívio tarifário relevante desde a divulgação do relatório preliminar do USTR no início de junho, a expectativa do Goldman é de que o governo brasileiro ofereça linhas de crédito subsidiadas aos setores e indústrias exportadoras mais afetados.
Além disso, o banco também considera que as autoridades brasileiras podem, eventualmente, adotar medidas de retaliação comercial pontuais e de alcance limitado.
No entanto, o USTR ja alertou que uma eventual resposta retaliatória às tarifas poderia resultar em medidas ainda mais severas por parte dos Estados Unidos, com o objetivo de eliminar as práticas comerciais consideradas desleais.
