Tarifas ao Brasil podem afetar fabricação de carros da Tesla, diz empresa

A Tesla, fabricante de automóveis elétricos, pediu ao governo dos Estados Unidos que tenha cuidado ao impor tarifas ao Brasil, pois elas poderão prejudicar a produção de carros em solo americano.
Os Estados Unidos ameaçam impor novas tarifas de até 40% ao Brasil, por meio de uma investigação com base na lei chamada de Seção 301, pela qual acusam o país de práticas desleais no comércio exterior. Uma audiência sobre o tema será realizada na segunda-feira, 6, em Washington, e a decisão final será tomada até dia 15 de julho.
"A Tesla solicita respeitosamente ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que considere o impacto sobre os fabricantes americanos ao finalizar esta medida tarifária e que adicione ao Anexo A [lista de isenções] certos insumos necessários para a fabricação, provenientes do Brasil", disse a empresa, em carta protocolada ao USTR.
A empresa, comandada pelo CEO Elon Musk, ressalta na carta que o setor de carros elétricos nos Estados Unidos está em um momento de transição, de deixar de depender de fornecedores asiáticos para buscar parcerias no Ocidente, e que as tarifas podem atrapalhar esse processo.
"Uma medida tarifária que não leve em conta o ritmo de diversificação da cadeia de suprimentos — ou que imponha restrições mais rapidamente do que as alternativas domésticas podem realisticamente escalar — corre o risco de causar impactos significativos na indústria e nos consumidores dos EUA", prossegue a empresa.
"Certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos na escala e com a qualidade necessárias nos Estados Unidos para sustentar a competitividade da indústria manufatureira americana sem algum acesso contínuo às cadeias de suprimentos internacionais estabelecidas, incluindo certas peças e componentes que são produzidos no Brasil", prossegue.
Calibragem das medidas
No documento, a Tesla diz que o governo americano deve buscar um meio termo entre corrigir eventuais distorções comerciais sem prejudicar a indústria local.
"A Tesla está pronta para trabalhar construtivamente com o USTR e outras partes interessadas para desenvolver um mecanismo que promova a reciprocidade, preservando, ao mesmo tempo, a flexibilidade operacional de que os fabricantes americanos precisam para vencer no mercado americano hoje e construir as cadeias de suprimentos do futuro", afirma a companhia.
"As empresas americanas que fabricam produtos aqui, empregam trabalhadores americanos e competem por clientes nos EUA têm um interesse direto e urgente em garantir que a política comercial dos EUA seja adequadamente calibrada para atender ao objetivo de reindustrializar a América. O objetivo deve ser acelerar a competitividade americana, não restringi-la".
Carro Model 3, da Tesla (Tesla/Divulgação)
Entenda o caso da Seção 301
O governo dos Estados Unidos anunciou, em 1º de junho, que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301.
Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e haverá espaço para mais negociações, até 15 de julho.
"O Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, em comunicado.
No momento, ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.
Uma audiência sobre o tema foi proposta para o dia 6 de julho, que será aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país.
Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderá implantar novas tarifas contra o país, além das que já estão em vigor. Uma decisão final sobre o caso será definida até 15 de julho.
