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Mundo
24/07/2026
5 min

Tarifas de Trump atingem 60 parceiros, mas reação internacional evita retaliação imediata

Tarifas de Trump atingem 60 parceiros, mas reação internacional evita retaliação imediata

Parceiros comerciais dos Estados Unidos reagiram com críticas, mas sem anunciar uma resposta imediata, à nova rodada de tarifas apresentada pelo presidente americano, Donald Trump. As alíquotas de 10% e 12,5% atingem produtos de 60 parceiros comerciais e substituem uma tarifa global temporária de 10%, encerrada ontem.

Até o momento, União Europeia, Canadá e México não indicaram intenção de adotar medidas de retaliação. A China reafirmou sua oposição à política tarifária unilateral dos Estados Unidos, mas não comentou diretamente a nova cobrança nem informou se pretende responder com contramedidas.

Segundo o governo americano, as tarifas estão relacionadas a falhas no combate ao trabalho forçado. A justificativa foi contestada por países incluídos na medida, que questionaram os critérios adotados por Washington.

Entre os parceiros atingidos, a União Europeia concentrou sua reação nas razões apresentadas pelos Estados Unidos. O bloco classificou o anúncio como uma "surpresa negativa" e informou que buscará esclarecimentos junto ao governo americano.

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que as acusações não correspondem às leis e às condições de trabalho adotadas no bloco. Segundo ela, a União Europeia também cumpriu os compromissos previstos no acordo comercial transatlântico firmado no ano passado.

"Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas e condições de trabalho muito boas para nossos funcionários. Portanto, isso realmente não tem fundamento", disse Kallas à Reuters durante um encontro da Asean, associação de países do Sudeste Asiático, em Manila, nas Filipinas.

A União Europeia afirma que não esperava ser incluída na nova rodada tarifária depois de cumprir sua parte no acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado.

China não indica contramedidas após anúncio de tarifas

A China evitou detalhar uma possível resposta à decisão americana. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, reiterou a posição de Pequim contra todas as formas de tarifas unilaterais, mas não respondeu diretamente às perguntas sobre eventuais contramedidas.

Analistas avaliam que o governo chinês pode manter essa postura até uma nova reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. Segundo as informações disponíveis, os dois devem se encontrar em setembro, nos Estados Unidos.

"A mudança do governo dos Estados Unidos para um novo regime tarifário terá impacto mínimo sobre as tarifas aplicadas à China. Para a máquina exportadora chinesa, qualquer efeito será difícil de perceber. Para o crescimento, o cenário não mudou", afirmaram os analistas Chang Shu e David Qu.

Na avaliação dos analistas, a mudança no regime tarifário americano deve produzir impacto limitado sobre as tarifas aplicadas à China e não altera, por enquanto, o cenário de crescimento do país.

Canadá concentra atenção em tarifa de 50%

No Canadá, a Câmara de Comércio afirmou que o país "não deveria ser alvo" da nova medida e citou sua atuação contra a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

"Se a intenção é realmente combater o trabalho forçado, o foco deve ser uma abordagem coordenada por meio de um mecanismo multilateral", afirmou Matthew Holmes, vice-presidente executivo da entidade, em comunicado citado pelo jornal britânico The Guardian. Ele também questionou o momento escolhido para a adoção da medida, após o encerramento de rodadas anteriores de tarifas.

A principal preocupação canadense, porém, está relacionada a outra decisão de Trump. O governo americano anunciou, na segunda-feira, tarifas de 50% sobre cerca de 20 bilhões de dólares canadenses em importações.

A medida específica contra o Canadá foi proposta com base na Seção 338, dispositivo da legislação comercial americana que, segundo as informações apresentadas, nunca havia sido utilizado.

As tarifas de 50% devem atingir cerca de 5% das importações americanas provenientes do Canadá e entrar em vigor, em 19 de agosto.

Após uma reunião com autoridades locais, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou à BBC que "tudo está em aberto, dependendo do resultado das negociações".

México diz que tarifa efetiva não muda

O México afirmou que a nova política não modifica, na prática, a tarifa efetiva incidente sobre seus produtos. Segundo o ministro da Economia mexicano, a carga atualmente paga pelo país permanece no mesmo patamar.

"Não vemos nenhuma mudança na tarifa efetiva que o México paga atualmente", afirmou o ministro em um vídeo publicado nas redes sociais, segundo a CNN.

Outros países também contestaram a decisão sem anunciar medidas equivalentes. A Noruega informou que não pretende impor tarifas em resposta aos Estados Unidos. A Suíça questionou a justificativa apresentada pelo governo americano, mas não anunciou contramedidas.

A Austrália, submetida à alíquota de 12,5%, criticou a decisão. O ministro do Comércio, Don Farrell, classificou a medida como "completamente injustificada" e afirmou que o governo continuará a solicitar a Washington a retirada das tarifas aplicadas aos produtos australianos, segundo a CNN.

Apesar das críticas à justificativa usada por Washington, os principais parceiros comerciais citados não anunciaram, até o momento, uma retaliação imediata à nova rodada de tarifas.
AutorMateus Omena
FonteExame
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