Tarifas de Trump: veja quais são as opções do governo Lula

O governo Lula aguarda a decisão final dos Estados Unidos sobre a possível imposição de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros para definir quais medidas poderá adotar em resposta.
\Embora trabalhe com a expectativa de um desfecho negativo, o Palácio do Planalto mantém as negociações abertas com Washington até o último momento.
Na segunda-feira, 13, representantes dos dois governos realizaram uma nova rodada de conversas. A estratégia brasileira é tentar evitar a ampliação das barreiras comerciais ou, ao menos, reduzir seus impactos sobre setores considerados estratégicos para as exportações nacionais.
Segundo relatos de integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu o tema na última sexta-feira com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Na avaliação do governo, a hipótese mais provável continua sendo a confirmação das tarifas.
Brasil aguarda lista oficial de produtos afetados
Antes de definir uma reação, o governo brasileiro espera receber dos Estados Unidos a lista completa dos produtos que serão atingidos pela nova tarifa. A expectativa é que Washington apresente os itens antes da divulgação oficial da medida.
De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos podem ser impactados.
Com a relação de produtos em mãos, o governo pretende negociar a inclusão de itens estratégicos em uma lista de exceções. Atualmente, 73 produtos brasileiros já estão fora da taxação, incluindo café e carnes, que haviam sido alvo de tarifas impostas anteriormente.
Negociação e retaliação estão sobre a mesa
Entre as alternativas avaliadas pelo governo está a retomada das negociações com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), comandado por Jamieson Greer. Essa foi a estratégia adotada pelo Brasil em episódios anteriores de aumento de tarifas durante o governo Trump.
Ao mesmo tempo, o Planalto também discute possíveis medidas de retaliação caso as novas taxas sejam confirmadas. Nos bastidores, áreas sensíveis para os Estados Unidos, como propriedade intelectual, aparecem entre as opções consideradas pelo governo brasileiro.
Lei da Reciprocidade pode ser utilizada
Outra ferramenta disponível é aLei da Reciprocidade Econômica, sancionada no ano passado. A legislação permite que o Brasil responda a medidas unilaterais adotadas por outros países quando elas afetarem a competitividade nacional.
Entre as contramedidas previstas estão a aplicação de tarifas sobre importações, a suspensão de concessões comerciais e de investimentos, além de restrições relacionadas à propriedade intelectual.
A decisão final do governo Trump deve definir os próximos passos da estratégia brasileira e o grau de tensão comercial entre os dois países nos próximos meses.
*Com O Globo
