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Mundo
06/07/2026
4 min

Tarifas dos EUA ao Brasil vão favorecer asiáticos, diz Amcham em audiência

Tarifas dos EUA ao Brasil vão favorecer asiáticos, diz Amcham em audiência

A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) participou da audiência pública realizada em Washington nesta segunda-feira, 6, e defendeu que as novas taxas poderão aumentar a dependência dos EUA de fornecedores asiáticos.

Os EUA debatem impor duas novas tarifas ao Brasil, de 25% e de 12,5%, em razão das acusações de que o país adota práticas desleais que prejudicam os Estados Unidos, com base na Seção 301. As acusações contra o Brasil incluem trabalhos forçados, desmatamento ilegal, corrupção, pirataria e críticas ao Pix.

Audiências públicas sobre o assunto estão sendo realizadas em Washington a partir desta segunda-feira, 6. A Amcham foi uma das instituições que se pronunciaram na audiência. Em sua argumentação, a entidade apontou que os produtos que o Brasil vende para os EUA e que serão taxados também são fornecidos pela China, Japão, Coreia do Sul, Vietnã e Tailândia.

Assim, ao dificultar a compra de produtos brasileiros, os americanos terão de comprar mais itens vindos da Ásia. A Amcham aponta que esse movimento já ocorreu em meio ao tarifaço de 2025, que levou o Vietnã e a Tailândia a aumentarem as suas vendas aos EUA.

"As tarifas propostas correm o risco de reforçar padrões de fornecimento que aumentam a dependência dos EUA em relação a fornecedores asiáticos, especialmente a China, ao mesmo tempo em que reduzem as importações de um parceiro regional confiável [o Brasil]", afirma a entidade.

"Tal resultado entra em conflito com os objetivos mais amplos dos EUA de fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos e diversificar as fontes de fornecimento em setores estratégicos", afirma a Amcham.

Soluções propostas

Como soluções para o impasse, a Amcham sugeriu a ampliação do acesso a mercados em determinados setores, a cooperação em minerais críticos, a extensão da moratória da OMC sobre negócios envolvendo transações eletrônicas, como o download de conteúdos e serviços digitais, e a agilização do exame de patentes no Brasil.

“Embora a investigação esteja na reta final e as negociações sejam complexas, ainda há espaço para que os dois governos intensifiquem esforços em busca de uma solução negociada. A aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Entenda o caso da Seção 301

O governo dos Estados Unidos anunciou, em 1º de junho, que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301, em julho de 2025.

Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e há espaço para mais negociações. Uma decisão final sobre o caso será definida até 15 de julho.

Além disso, o Brasil é investigado em outro processo pela 301, junto com outros países, que investiga o uso de trabalhos forçados na produção. Caso o país seja considerado culpado neste caso, seria alvo de outra tarifa de 12,5%. As audiências públicas dessa ação começam na terça-feira, 7.

Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas que os Estados Unidos avaliam impor ao Brasil poderão afetar 4.187 produtos, que equivalem a US$ 14,9 bilhões anuais em exportações. Entre os produtos sob risco, há destaque para ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco curado.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões em mercadorias aos EUA. Em 2026, o total exportado até agora foi de US$ 17,4 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.

"O Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, no comunicado que anunciou a conclusão das investigações.

Ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.

Uma audiência sobre o tema foi iniciada nesta segunda-feira, 6, e é aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país. Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderão implantar novas tarifas, além das que já estão em vigor.

AutorRafael Balago
FonteExame
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