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18/06/2026
4 min

Taxas de DIs fecham em alta após Copom deixar ‘porta aberta’ para novos cortes na Selic

Taxas de DIs fecham em alta após Copom deixar ‘porta aberta’ para novos cortes na Selic

A curva de juros futuros estendeu os ganhos da véspera e fechou em alta com a “rolagem” do horizonte relevante do Banco Central para a convergência à meta de inflação no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, foi a exceção e fechou com recuo de 8 pontos, a 14,235% ante 14,320% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,765% ante 14,685% do fechamento anterior, alta de 8 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu quase 12 pontos-base e terminou o dia a 14,465% ante 14,350% do fechamento da última quarta-feira (17).

O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, fechou sem direção única, também reagindo à postura mais ‘hawkish’ do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Kevin Warsh, e a expectativa de novas altas nos juros no segundo semestre deste ano.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – terminou a 4,179%, mantendo-se no maior nível do ano, ante 4,163% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caiu para 4,455%, de 4,463% de ontem.

O que mexeu com os DIs hoje?

A leitura de um Copom mais ‘dovish’ favorece o recuo das taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs) de curto prazo.

Já os juros futuros intermediários e longos, que já estavam pressionados, avançaram até 30 pontos-base nas primeiras horas de negociações com a “rolagem” do horizonte relevante do BC para o primeiro trimestre de 2028 já na próxima decisão, em agosto.

  • Juros longos disparam até 30 pontos-base com comunicado ‘dovish’ do Copom

Ontem (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão do colegiado foi unânime.

O BC destacou piora marginal das projeções de inflação, aumento das incertezas no cenário externo – com atenção especial às tensões no Oriente Médio – e passou a enfatizar o “ajuste total” do ciclo de política monetária, em vez do ritmo de cortes.

Apesar disso, o comunicado manteve a “porta aberta” para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo, na visão de economistas.

Para o Goldman Sachs, por exemplo, o documento revela um descompasso entre a flexibilização da política monetária e a piora das projeções de inflação no horizonte relevante.

O principal ponto de atenção do mercado, porém, foi a sinalização antecipada da chamada “rolagem” do horizonte relevante da política monetária na próxima decisão do Copom.

Na prática, o BC “adiou” o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto – o que foi lido, por parte do mercado, como leniência do BC com a inflação.

A curva a termo brasileita também refletiu a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).

Como o esperado, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.

O gráfico de pontos (dot plot), atualizado trimestralmente no Resumo de Projeções Econômicas (SEP, na sigla em inglês), também apontou para uma alta de 25 pontos-base dos juros até dezembro.

O destaque, porém, foi a coletiva de imprensa, a primeira de Kevin Warsh no comando do Fed. Durante o pronunciamento, o novo presidente indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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