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16/07/2026
3 min

Taxas de DIs sobem com tarifaço de Trump e leilão do Tesouro

Taxas de DIs sobem com tarifaço de Trump e leilão do Tesouro

A curva de juros futuros registrou alta em todos os vencimentos, com exceção do curtíssimo prazo, na esteira do avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA. A nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros e o leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro foram os principais gatilhos para o avanço dos juros.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, foi a única exceção, caiu 1 ponto-base e fechou próximo da estabilidade a 13,875% ante 13,890% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,095% ante 14,025% do fechamento anterior, avanço de 7 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 7 pontos-base e terminou o dia a 14,390% ante 14,320% do fechamento da última quarta-feira (15).

O mercado de títulos brasileiros acompanhou o desempenho dos títulos Tesouro norte-americano, os Treasuries, que também subiram em meio a incertezas sobre a duração e os impactos do conflito no Oriente Médio.

Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,145% ante 4,128% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,557%, de 4,545% da última quarta-feira, no mesmo horário.

O que mexeu com os DIs hoje?

O cenário geopolítico ficou no radar com o recuo do presidente norte-americano Donald Trump sobre a cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz, mas o destaque do dia foi o novo ‘tarifaço’ do governo dos EUA sobre os produtos brasileiros.

Ontem, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês) anunciou uma nova tarifa de 25% sobre certas importações provenientes do Brasil a partir de 22 de julho. As taxas se aplicam a milhares de produtos, incluindo açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço.

Nos cálculos do Goldman Sachs, a tarifa efetiva média aplicada ao Brasil será de 16,8%, considerando os itens isentos.

Em relatório, o banco ainda considera que as novas isenções à sobretaxa de 25% implementada pelos Estados Unidos abrangem US$ 2,1 bilhões adicionais em importações provenientes do Brasil.

Com isso, a nova tarifa deve incidir sobre 26% dos produtos brasileiros destinados aos EUA (US$ 10,2 bilhões). O número é mais baixo do que os 31% (US$ 12,3 bilhões) previstos inicialmente com a lista preliminar de isenções divulgada em junho.

O possível impacto sobre as exportações do Brasil para os EUA pode prejudicar o fluxo de dólares para o país, com efeitos sobre as cotações da moeda norte-americana e, no limite, sobre a inflação, afetando os juros.

O Brasil é o primeiro país a receber tarifa após investigação comercial do USTR. Cerca de 80 investigações comerciais foram abertas pelo escritório e dezenas de países ainda podem ser punidos.

Profissional ouvido pela Reuters afirmou que, além dos Treasuries e da tarifação, as taxas foram impactadas pelo leilão semanal de títulos prefixados do Tesouro, em que foram vendidos ao mercado 22,05 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTNs) e 2,65 milhões de Notas do Tesouro Nacional –Série F (NTN-Fs).

A venda de títulos pelo Tesouro tende a ter um impacto altista nas taxas dos títulos e, consequentemente, na curva de DIs. O volume negociado nesta quinta-feira foi bem maior que o de uma semana antes, de 9 milhões de LTNs e 4,15 milhões de NTN-Fs.

*Com informações de Reuters

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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