Teerã responde a Trump e diz que Estreito de Ormuz é iraniano
Vice-ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o estreito continuará sob controle do país

Teerã respondeu neste sábado, 15, à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende transformar o Estreito de Ormuz em território americano.
O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que o estreito “foi iraniano, é iraniano e continuará sendo iraniano”.Trump havia dito na sexta-feira que, “muito em breve”, declararia o Estreito de Ormuz como território dos Estados Unidos. Segundo ele, a medida ocorreria depois que os EUA terminassem de derrotar o Irã.
Durante um comício em uma academia de polícia no estado de Nova York, Trump fez a declaração sorrindo. Brian Schwartz, jornalista do Wall Street Journal, citou no X um funcionário da Casa Branca segundo o qual o presidente estava “brincando” ao falar sobre transformar Ormuz em território americano.
Apesar disso, a reação de Teerã foi imediata. “Ormuz não pode ser tomado de assalto com um tuíte ou um porta-aviões, nem por meio de um decreto presidencial, nem com um discurso de campanha eleitoral”, afirmou Gharibabadi.
O vice-ministro também disse que o estreito “só será aberto e fechado por ordem do Irã”.
Disputa pelo Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o transporte de hidrocarbonetos do Golfo para o restante do mundo. A região se tornou um dos principais pontos de tensão do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Desde o início da guerra, Teerã atacou navios na região, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo aos portos iranianos para impedir a exportação de petróleo e pressionar as finanças do país.
A disputa sobre a gestão futura do Estreito de Ormuz também está entre os pontos que impediram a manutenção do acordo firmado em junho entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito. O entendimento ruiu no início de julho, após novos bombardeios de ambos os lados.
Nos últimos dias, as hostilidades perderam intensidade, enquanto Trump passou a priorizar uma estratégia de pressão econômica. Na quinta-feira, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico “como o mundo nunca viu”.
Trump minimiza alta dos combustíveis
Durante o discurso de sexta-feira, Trump também minimizou o impacto da guerra sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos e voltou a defender a decisão de iniciar o conflito contra o Irã, ao lado de Israel.
“Se tiverem que pagar um pouco mais” pela gasolina, “não tem problema”, afirmou o presidente, acrescentando que “nunca” pediria desculpas pela decisão.
Segundo as informações divulgadas, o preço da gasolina nos Estados Unidos estava 35% acima do nível registrado antes do início da guerra.
O conflito tem baixa aprovação no país, enquanto o aumento do custo de vida afetou a popularidade do presidente.
Novos ataques na região
As tensões também continuaram no entorno do Golfo. Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de atacar na sexta-feira um navio petroleiro pertencente à companhia estatal Adnoc. Não houve registro de feridos.
No Mar Vermelho, os rebeldes houthis do Iêmen, aliados de Teerã, atacaram recentemente navios sauditas e infraestruturas petrolíferas na Arábia Saudita, país aliado dos Estados Unidos.
(Com AFP)
