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09/10/2026
5 min

TekPix: o que aconteceu com a câmera que bombava nos comerciais dos anos 2000

Famoso garoto-propaganda da empresa, Juarez Pontes, faleceu nesta sexta-feira, 9, em São Paulo

TekPix: o que aconteceu com a câmera que bombava nos comerciais dos anos 2000

Juarez Aparecido Pontes Fernandes, conhecido como Juarez da TekPix, foi encontrado morto em sua casa, em São Paulo, nesta sexta-feira, 9.

Nos anos 2000, era quase impossível passar pela TV aberta brasileira sem esbarrar nele. Bastava mudar de canal num fim de tarde, numa madrugada ou no meio de um programa de auditório. Lá estava o vendedor, de fala acelerada, cercado de aparelhos sobre uma mesa, diante de um fundo branco, falando de um produto com várias funcionalidades.

Juarez era o rosto da TekPix, câmera digital comercializada pela Tecnomania, empresa do grupo Import Express. O aparelho se tornou um dos produtos mais anunciados da televisão brasileira. Por trás daquela presença constante nos intervalos comerciais havia um negócio que, no auge, chegou a movimentar milhões de reais por dia.

A morte do vendedor, confirmada pela apresentadora Sônia Abrão durante o programa A Tarde É Sua, da RedeTV!, traz de volta a história de uma empresa que construiu um negócio milionário vendendo tecnologia pela televisão.

No pico, a Tecnomania chegou a comercializar cerca de 1.300 câmeras por dia, com faturamento diário estimado em até 4,5 milhões de reais, segundo levantamento da EXAME.

Mas a empresa não conseguiu acompanhar a transformação do mercado de tecnologia.

Com a chegada dos celulares capazes de fotografar, filmar e reproduzir músicas, a TekPix perdeu espaço. A Tecnomania tentou entrar no mercado de tablets, mas encerrou suas atividades em 2013. Os aparelhos desapareceram das propagandas. Os comerciais de Juarez continuaram circulando na internet.

Como era a TekPix

A TekPix era comercializada pela Tecnomania, integrante do grupo Import Express, que apostou num modelo de venda direta pela televisão.

A promessa, no papel, era difícil de ignorar. Um único aparelho que fazia o trabalho de nove. Filmadora digital, câmera fotográfica, MP3 player, MP4 player, gravador de voz, pen drive, webcam, câmera de segurança e conexão VGA, tudo no mesmo dispositivo.

Para um público que ainda não tinha acesso fácil às tecnologias mais avançadas do mercado, levar "nove produtos em um só" por meio de prestações mensais era uma oferta atraente.

Toda a comunicação da Tecnomania era construída sobre essa percepção de valor, com um roteiro de vendas que explorava a urgência da compra.

Tinha o "pode começar a ligar antes que as linhas congestionem", o desconto para quem ligasse rápido e o parcelamento em muitos meses.

A importadora por trás da TekPix

A TekPix nasceu dentro de uma importadora, e não de uma fabricante de tecnologia.

A empresa por trás dela era a Import Express Comercial Importadora, mais conhecida pelo nome fantasia Tecnomania, fundada em São Paulo em 1991 por um grupo familiar.

Quando a câmera virou febre nacional, nos anos 2000, a Tecnomania já era uma importadora de eletrônicos estabelecida havia mais de uma década.

O negócio da empresa consistia em importar produtos de baixo custo e vendê-los em larga escala, com preços muito superiores aos praticados no exterior, por um canal específico: a televisão.

A estratégia também era aplicada a outros produtos. Uma marca do mesmo grupo, a Natural Mania, vendia suplementos e produtos naturais, como óleo de chia e colágeno, usando o mesmo modelo de telemarketing e as mesmas condições parceladas.

Foi sobre essa estrutura de importação e venda direta que a TekPix ganhou espaço na televisão brasileira.

Quem era Juarez da TekPix, o garoto-propaganda

Um dos principais ativos da marca era seu garoto-propaganda. Juarez Aparecido Pontes Fernandes, o Juarez da TekPix, começou como vendedor por telefone da própria Tecnomania.

Ele era um dos campeões de vendas do call center, a central de atendimento telefônico da empresa. O jeito acelerado e a facilidade para apresentar produtos chamaram a atenção do presidente da Tecnomania, que o convidou para estrelar os comerciais.

Juarez passou mais de 12 anos como garoto-propaganda do aparelho. Sua presença na TV era tão intensa que, entre 2005 e 2006, chegou a figurar entre os rostos com mais aparições na televisão aberta brasileira, com quase 500 inserções anuais.

Seus bordões viraram ditado e, depois, meme. Além do "vamos falar de coisa boa", emplacou o "não precisa nem colocar a mão no bolso", o "e não é só isso" e o "ainda não acredito que você tem filmadora".

Com o passar dos anos, os comerciais ganharam uma segunda vida nas redes sociais. Os vídeos passaram a circular entre pessoas que acompanharam as propagandas na televisão e gerações que conheceram a TekPix pela internet.

Quanto a TekPix chegou a faturar

A TekPix era fabricada na China sob o modelo white label, em que produtos genéricos recebem a marca de outra empresa para serem comercializados.

Versões praticamente idênticas eram vendidas no exterior por cerca de 70 dólares. No Brasil, a câmera era anunciada por valores que iam de 958 a 3.516 reais, dependendo do modelo.

A diferença entre os preços mostrava o peso da estratégia comercial da Tecnomania. A empresa vendia o aparelho como uma solução para quem queria ter acesso a várias tecnologias sem precisar comprar equipamentos separados.

Mas a TekPix perdeu espaço diante de uma transformação tecnológica que atingiu o mercado de câmeras digitais: a popularização dos smartphones.

Um aparelho que se vendia como "nove em um" perdeu parte do apelo quando os celulares passaram a reunir câmera, filmadora, tocador de música, gravador e acesso à internet. A proposta central da TekPix, de concentrar várias funções num único dispositivo, deixou de ser um diferencial.

A Tecnomania ainda tentou reagir. Em 2013, lançou um tablet com Android, de especificações simples e câmera de 1,3 megapixel, tentando entrar no mercado de dispositivos móveis.

O produto não conseguiu repetir o desempenho comercial da câmera. No mesmo ano, a empresa encerrou as atividades.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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