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17/08/2026
4 min

'Tem petróleo, mas ainda não sabemos quanto', diz Petrobras sobre descoberta no Amapá

A Petrobras ainda precisa concluir a perfuração do poço Morpho e avançar nos estudos; a operação já dura cerca de 300 dias, a um custo de US$ 1 milhão por dia

'Tem petróleo, mas ainda não sabemos quanto', diz Petrobras sobre descoberta no Amapá

A Petrobras confirmou nesta segunda-feira, 17, a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O anúncio reforça as expectativas da companhia com a Margem Equatorial, mas a estatal ainda não sabe qual é o tamanho da acumulação nem quanto petróleo poderá produzir.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em coletiva à imprensa no início da noite desta segunda-feira, 17, que a companhia ainda precisa concluir a perfuração e avançar nos estudos antes de transformar adescoberta em uma estimativa de reservas ou produção.

"Ainda não podemos dizer isso [qual é o volume estimado de acumulação e qual é a expectativa de produção de barris]. Neste momento, temos uma descoberta, mas uma descoberta é diferente de uma descoberta comercial. Ainda precisamos dar continuidade à exploração e concluir uma sequência de estudos até chegar à conclusão de que temos uma descoberta comercial, com determinado volume de petróleo e capacidade de produção", disse a presidente da estatal.

Segundo a CEO, a Petrobras ainda precisa aprofundar o poço e obter dados de outros pontos da área para delimitar a descoberta e avaliar sua viabilidade.

"Ainda não sabemos isso, mas todas as etapas dos estudos realizadas até agora confirmaram que temos razões para estar otimistas. Vamos continuar explorando, aprofundando este poço e produzindo dados e informações em outros poços da área para, um dia, poder chegar aqui no Amapá e dizer: 'Acreditamos que vamos produzir tanto'", afirmou.

Óleo encontrado define localização dos próximos três poços

A Petrobras divulgou na sexta, 14, que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório nabacia da Foz do Rio Amazonas na costa do Amapá.

A descoberta também já começou a orientar a próxima etapa da campanha exploratória. Sylvia Anjos, diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, afirmou que os dados obtidos no Morpho permitiram à companhia definir a localização dos próximos três poços na área.

"Com esse resultado que nós já temos, com esse dado, a gente hoje já tem condições de definir quais são as posições dos próximos três poços", disse Sylvia. Segundo a diretora, o resultado do Morpho foi necessário para determinar o direcionamento da perfuração seguinte.

A diretora também afirmou que o óleo encontrado apresenta boas indicações preliminares, mas ainda não há uma caracterização definitiva de sua qualidade. "No momento aqui a gente fez uma análise flash, tem boas indicações, mas a gente vai fazer a análise no centro de pesquisa", afirmou. A análise completa será feita posteriormente pela Petrobras.

A companhia ainda espera encontrar novos reservatórios ao longo da campanha. "Nós esperamos muitos reservatórios pela frente ao longo dessa jornada. Quanto mais, melhor", afirmou Chambriard sobre se a identificação de petróleo antes do fim da perfuração poderia indicar mais de um reservatório.

Sucessora do Pré-sal

A expectativa da Petrobras é quea Margem Equatorial possa se tornar uma nova fronteira de produção para o país e ajudar na recomposição das reservas brasileiras no futuro. Hoje, segundo Chambriard, cerca de 80% da produção nacional vem do pré-sal.

"Até agora tudo deu certo, a gente tem o condão de produzir uma área que pode ajudar de uma maneira muito importante as reservas da Petrobras e do Brasil a partir do declínio da produção do pré-sal", afirmou.

A campanha exploratória continuará nos próximos poços. Só no bloco FZA-M-59, segundo Chambriard, ainda há outros três poços previstos. Na área, a Petrobras afirma que há mais cinco. O plano de negócios 2026-2030 prevê 15 poços na Margem Equatorial, com US$ 2,5 bilhões em investimentos na região.

A perfuração do Morpho começou em 20 de outubro do ano passado e ainda faltam cerca de 1.000 metros para chegar ao fundo do poço, segundo Sylvia. O custo médio da operação é de cerca de US$ 1 milhão por dia. Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, afirmou que, após cerca de 300 dias de operação, o gasto com a perfuração chegou a aproximadamente US$ 300 milhões.

"Nós esperamos que essa Margem Equatorial seja realmente grande e um divisor de águas para o Norte brasileiro", afirmou Chambriard.

A Petrobras também protocolou junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) opedido de licença ambiental para perfuração dos novos poços na Margem Equatorial.

As diretoras executivas disseram que a Petrobras ainda trabalha para atender às exigências apresentadas no parecer técnico mais recente. As respostas foram protocoladas na sexta-feira, 14,e incluem, além da ampliação do número de embarcações previstas, medidas voltadas ao atendimento de peixes-boi em recuperação na Região Norte.

AutorClara Assunção
FonteExame
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